domingo, 20 de abril de 2008

NÃO SEI QUE FAZER COM O MEU LICOREIRO RETRÔ

Só o nome é algo de sedutor, maravilhoso.
Licoreiro!
Cheira logo a doce, a mel, a anis e violeta, ao aconchego do lar e ao mesmo tempo a coisas sofisticadas, mas a peça ainda é mais.
É muito mais que sedutora e sofisticada.
É RETRÔ e isso diz tudo, e um Retrô muito diferente daquele que agora está na moda e se vende em imitações baratas em hipermercados de decoração melhores ou piores.
O meu Licoreiro é Retrô legítimo, do tempo em que as coisas estavam en su sitiu.
Os camponeses nos campos, os citadinos nas cidades a ministra na Casa Pia e ainda não havia subúrbios nem suburbanos.
O que estaria a fazer nessa época o Veiga Simão?
Aposto que estava a tramar alguma coisa para nos lixar!
O meu Licoreiro é uma peça de mobiliário lindíssima, daquelas que todos gostariam de ter em suas casas (até o Sócrates no seu lindo hall de entrada, pena que não fazia pandam com o espelhinho repenicado e a tela envidraçada).
E está em óptimo estado, o que não é normal para móveis daquela época, não por ser muito recuada, mas antes, porque esses móveis não primavam propriamente pela qualidade das madeiras em que eram fabricados.
Nada de Pau-santo, Preto ou Brasil, isso foi noutros tempos. Nos tempos do Quinto Império.
O mais vulgar era serem umas madeiras de quinta categoria folheadas rascamente a tentar imitar qualquer outro tipo de madeira exótica.


Mas até nisso tive sorte. O meu Licoreiro imita raiz de nogueira numa estereotomia geométrica formando losangos e quadrados a meia esquadria e tem umas rodas que deslizam na perfeição, sem necessidade de usar lubrificante.
Mas este tipo de peças, têm um pequeno defeito, já foram concebidas para apartamentos onde o espaço não era propriamente abundante. Ou então para gente que não tinha muita variedade de bebidas e copos para colocar lá dentro. Sim, também tem uns suportes onde os copos de pé ficam virados para baixo. Típico dos bares. Mas, não tem só isso, tem prateleiras com portas de vidros e um pequeno compartimento para as jóias da coroa, como os Whiskys velhos e os Portos com mais de 100 anos.
Mas mesmo assim é pequenina.


É este o seu grande inconveniente. É pequena de mais para substituir o armário onde eu guardo estes géneros alibedicios. Só as garrafas de Cachaça Pirassununga 51 e de Vodka polaco Zubrówka encheram-no, quando as tentei arrumar lá dentro. E para além de todas as outras garrafas, ainda falta espaço para os copos pois, não uso cálices (os únicos que tenho de pé, são altos demais – as flutes de Champanhe, ou largos de mais – os balões de vinho – quer uns quer outros agora usam-se gigantescos), e os que não têm pé não têm nenhum cantinho onde descansar.
Também lá não cabem os frascos de aperitivos e toda uma panóplia de objectos de bar que guardo e uso para preparar algumas bebidas.
Por tudo isto, pensei leva-la para o quarto para substituir o Frigobar.
Mas aí descobri que, para esse fim, era grande de mais.


Impressionante.
Nunca estamos satisfeitos.
Sempre a mesma coisa, se temos é porque temos, se não temos é porque não temos. Se é grande é porque é grande se é pequeno é porque é pequeno.
Somos uns eternos insatisfeitos e como tal uns permanentes infelizes, por isso é que não queremos ser avaliados: Se há avaliação é porque há se não há é porque não há.
A ministra e o actual governo é que têm razão. Temos que ter sobre nós um pulso forte que nos mostre o caminho certo para o sucesso da nossa profissão. E descobriram estas mentes iluminadas que esse caminho é esta avaliação. Com ela todos os problemas da educação ficarão miraculosamente resolvidos de um dia para o outro.
Teremos 100% de sucesso e 0% de abandono.


Só por nós, sem a sua preciosa ajuda despótica, nunca o conseguiríamos, dadas as nossas limitações. É compreensível.
Não fomos todos que tivemos a sorte de, antes de nos sentarmos nos bancos das universidades para tirarmos uma licenciatura, passarmos pelo Magistério Primário, e quando atingimos o nosso objectivo, licenciarmo-nos, tivemos a pouca sorte de ir parar a uma Faculdade onde a media exigida para entrar, era apenas uns 16,5 valores (no meu caso - Arquitectura). E pasme-se, não se faziam exames de Inglês Técnico. Como è possível?
Se tivéssemos sido mais perseverantes nos estudos, teríamos conseguido vaga na Independente, qual Oxford ou Cambridge, onde se formaram as elites que governam o nosso país.

Bueno: Tivemos azar.

P.S. Por todos estes inconvenientes e associações resolvi vender o Licoreiro. Alguém interessado em compra-lo?

VENDO À MELHOR OFERTA, PODEM FAZE-LAS NOS COMENTÁRIOS.

COMENTÁRIOS:

AMIGO
Cada vez gosto mais de ler-te. Mas do que já publicaste não resisto ao teu "Licoreiro".
A descrição que dele fazes: gracioso, requintado, romantico e ... sensual, fez-me desejá-lo!
Será desta minha fase "meia louca"?
Pois amigo, és mesmo um "escritor" e peras!!!
(Bueno e qual o valor para a peça? e o Tó pergunta se vem com recheio?)

Arménia
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quarta-feira, 2 de abril de 2008

A VIDA AO CONTRÁRIO OU BOCA SEM DENTES NÃO COME AMENDOAS DA PASCOA NO ALENTEJO

Já há muito tempo que não escrevia nada aqui.
As férias da Páscoa … o ar pesado do Campo, Maior … as noites longas … as tardes curtas … os passeios a cavalo … com os cães.
Felizmente a hora mudou.
Lá vou ter que passar a jantar ainda mais tarde. A cear!

Bueno … estive no Alentejo, e como em Roma sê romano eu fui um bom alentejano, não fiz a ponta de um … isso.
Bem, vendo bem, fiz muitas coisas, até de mais mas é aquele tipo de coisas que não contam ou que os professores não estão habituados a contabilizar.
Li. Li muito. Já li quase tudo o que comprei no Brasil sobre os 200 anos da chegada da Corte Portuguesa ao Rio de Janeiro.
Eles descobriram que D. João VI para além de Clemente, foi Excelente para os Portugueses (os da América, claro).
Também ouvi, pela 1ª vez, as musicas todas que carreguei no meu MP3 e alguns CD que estavam por estrear.
Recomendo vivamente o “Cidade do Samba”.
Não sei se já está disponível em Portugal (1).
Mas vale a pena encomendar na FNAC, tem lá tudo e todos, tem Ivete e Gilberto, tem Vanessa e Ivan Lins, tem Daniela, Alcione e Seu Jorge, e até tem a Velha Guarda da Portela.
Eta!!! Gente com samba no pé. Pena eu sambar como um gringo.
Também ouvi outros CD’s que tenho trocado com gente de bom gosto melómano e que têm sido óptimas surpresas.
Obrigado Amiga mas olha que nada suplantou ainda o “Bebo e Cigala”. O 1º é sempre especial. - Outro que recomendo.
E porque é que eu tive tanto tempo para fazer tanta coisa e tão pouco para o meu Blog?
Porque, felizmente, o meu Note Book com Net móvel da e-escola não apanha rede nenhuma no Alentejo, também ele, fica preguiçoso quando vai para lá. Mas, no caso dele, como no meu, acontece o mesmo aqui em casa. Será também do ar pesado? Não! Devem ser os sofás e os colchões que são demasiado cómodos.
A rede TMN tem uma cobertura péssima nestes dois sítios.
E com isto tudo, eu, esta Páscoa, já me imaginava a viver no paraíso, na sociedade perfeita, sem telemóveis nem computadores.
Mas, como para isso teríamos que recuar mais de dez anos, como seria possível?
Alguém ainda se lembra como se vivia no século passado sem estes dois aparelhos imprescindíveis à sobrevivência da humanidade?
Pois é, vivíamos calmamente, com qualidade de vida como eu passei estas férias.
Víamos a luz do sol e da lua, o verde e todas as outras cores do campo e o azul do céu.
E mais importante que tudo: Vivíamos sem choques, tecnológicos.

Mas, isso agora também não interessa nada.

O que eu queria, ao voltar ao meu Blog, era partilhar com tod@s este e-mail que recebi e com o qual não posso estar mais de acordo.

Devíamos poder escolher esta opção… e era melhor que recuar ao século passado ou irmos todos viver pró Alentejo que ficaria insuportável com tanta gente (sub)urbana.


A vida ao contrário

Eu quero viver a minha próxima vida ao contrário:
Começo morto e livro-me logo disso.
Depois acordo num lar para a terceira idade, sentindo-me melhor cada dia que passa.
A seguir sou expulso, por estar demasiadamente saudável.
Gozo a minha reforma e recebo a minha pensão de velhice.
Então, quando começo a trabalhar, recebo um relógio em ouro como presente logo no primeiro dia.
Trabalho 40 anos, até ser demasiadamente novo para trabalhar.
Vou para o liceu e bebo álcool, vou a festas e sou promíscuo.
Depois vou para a escola primária, brinco e não tenho responsabilidades.
Transformo-me então num bebé e passo os últimos 9 meses a flutuar pacífica e luxuosamente, em condições equivalentes a um Spa, com ar condicionado, serviço de quartos entregue por cabo, e depois...
Acabo num grande orgasmo.

UAU...


1-Imperdivel, Faixa 2, ainda não consigo vídeos - ver no You Tube - http://www.youtube.com/watch?v=ZHGdsq2F5KM