Se somos, então porque não fazemos nada para acabar de vez com este assalto à mão armada que nos andam a fazer com as pistolas das bombas de gasolina?
Nós somos milhões, eles não chegam a meia dúzia de empresas.
Mas, com a meia dúzia de cêntimos, que os combustíveis aumentam todas as semanas, são elas que apresentam milhões de €uros de lucro anualmente.
E se nós deixarmos de permitir que nos roubem desta forma descarada e adoptarmos uma atitude menos passiva?

Evolução do Roubo...
Já vários tentaram e até o presidente Cavaco já sugeriu que a Sociedade Civil deve ter uma palavra a dizer na defesa dos seus direitos. Zeladamente, acho que ele estava a querer dizer “organizem-se”!!!
Já houve algumas iniciativas, e nos últimos dias não paro de receber mails para não ir às bombas nos primeiros dias de Junho.
De todas, esta, parece-me a iniciativa menos inteligentes pois, ou não utilizo o carro nesses dias e aí sim, as distribuidoras vão sentir algum prejuízo (mas pouco), ou então atesto o carro antes do inicio da data estipulada e espero que o depósito não fique vazio antes da meia-noite do ultimo dia para voltar a encher.

Resultado: se utilizar o carro nesses dias vou ser roubado na mesma, e nos mesmos valores de sempre, só que uns dias antes e uns dias depois.
Mas, não pensem que não vou aderir. Apesar de não achar que vá ter qualquer resultado prático na descida do preço dos combustíveis, vou-me unir ao protesto.
Sinto que, como cidadão, devo mostrar o meu apoio a todos os protestos que se fizerem sempre que sejam bem intencionados. Temos que começar a treinar pois o que não vão faltar-nos, vão ser motivos para mostrar o nosso descontentamento.
Já o fizemos quando foi do Estatuto da Carreira Docente – Exemplarmente e com um sucesso estrondoso que os sindicatos desbarataram. Mas como fomos 100 mil, o nosso descontentamento foi ouvido, mesmo pelas orelhas de burro que, desta vez, não puderam dizer que eram sempre a mesma meia dúzia.
Já a seguir é o peixe e logo logo vai ser o arroz e depois todos os alimentos.
Sim, porque ao preço que está o petróleo isto vai ser uma carnificina.
Mas, como todos sabemos que não é o petróleo (na origem) que está caro, mas sim o Dolar é que está barato e que os especuladores e os mercados se têm aproveitado disso, não devemos ter dó nem piedade na forma de protestar contra os usurários que, sem qualquer direito pois não são eles que geram qualquer riqueza, se aproveitam da conjuntura económica para fazer fortunas.

Se não fosse um pacifista nato, sugeria que atacássemos as refinarias, os petroleiros e os poços de petróleo à bomba. Mas, como vejo para além do horizonte, sei que uma atitude como esta, só iria fazer com que o petróleo se tornasse mais raro e encarecesse ainda mais. Aliás, os americanos já tiveram essa ideia antes de mim e com péssimos resultados (ou será que foram óptimos?).
Por isso, acho que é preferível adoptar outras formas de protesto baseadas na grande arma que o ser humano dispõe.
Não, não se trata de nenhuma arma tecnológica de última geração.
Apelo para a utilização da inteligência, a nossa maior arma, e que ultimamente tem ficado guardada nos depósitos de munições sem que ninguém se lembre de a por a funcionar.
Gostei daquela ideia de ostracizar algumas companhias petrolíferas fazendo boicote às gasolineiras que as distribuem.

A ideia pareceu-me boa logo quando recebi o primeiro e-mail a pedir que não abastecessemos na Galp e na BP mas, logo verifiquei que era praticamente impossível pois estas duas marcas representam mais de 80% dos postos de distribuição em Portugal.
Para pôr em prática este protesto teríamos que passar o dia, em filas intermináveis, numa qualquer bomba de uma das outras marcas e ninguém tem vida para isso.
Por isso, apesar de ser uma ideia boa e que, ao que parece, em França deu alguns resultados pois não existem monopólios e a distribuição é mais variada do que aqui, no nosso rectângulo, isto é impraticável e por isso quase ninguém aderiu - Mas eu aderi.
Que se lixem os pontos do cartão FastGalp que convertia em Milhas da TapVictória para viajar.
Só que verifiquei que realmente, esta iniciativa excelente não teve muita adesão.
Como tal tenho andado a matutar numa forma de a aperfeiçoar e acho que pode ser melhorada.
A ideia é, como não podemos, por muitos milhões que sejamos, combater as duas principais companhias petrolíferas que operam em Portugal, então vamos fazer com que sejam elas a combaterem-se uma à outra, que podem usar as mesmas armas e lutar de igual para igual. Vamos fazer com que as leis de mercado funcionem já que o preço dos combustíveis foi liberalizado.
Não há procura, então o preço desce.
Vamos fazer com que ele desça – e desça muito.
E se isso acontecer pode ser que se prove rapidamente que afinal havia um cartel que decidia os aumentos dos combustíveis em Portugal.
Sabem como é: Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades.
E assim como assim a autoridade da concorrência não vai chegar a conclusão nenhuma sobre este tema. E mesmo que chegue, nunca nos dirão a verdade nem nos devolverão o dinheiro que nos andaram a roubar, não estivesse a Galp metida no negócio deste cartel, que é sempre bom lembrar, é uma empresa que ainda tem uma grande participação do Estado e uma data de Boys lá abancados.

Fora os outros que já se estão a ver lá num futuro muito próximo, logo que isto der para o torto. Isto é: nas próximas eleições. Alguns até já escolheram a cor da alcatifa do gabinete.
Mas como fazer que as comadres se zanguem?
Pois não vai ser necessária qualquer boa intriga, como seria se se tratassem de comadres verdadeiramente genuínas de Alfama ou da Madragoa.
Vai ser muito mais fácil e honesto - claro. Vamos fazer jogo limpo e à vista de todos.
Quanto a mim, aquela boa ideia, falhou, por ser demasiado ambiciosa e estar desenquadrada do contexto português.
Aqui temos que ir por partes, como o Jack-o-Estripador.

Primeiro, boicotamos uma - BP. Quando está quebrar, passamos à outra - Galp.
Estabelecemos nós, o preço a que queremos que a marca passe a vender o combustível e anunciamo-lo aos sete ventos. Usamos todos os meios que estiverem ao nosso alcance para fazê-lo – As novas tecnologias todas e mais algumas e ainda alguma nova oportunidade que se nos depare.
Mas nada de ser ambiciosos. Lembrem-se, temos que ir aos poucos, por partes. Vamos fazê-las provar do seu próprio veneno. Para começar, uns 10 ou 20 cêntimos.
E depois é só sermos inflexíveis, teimosos, mulas mesmo e não ceder nem que a vaca tussa.
Quando por fim, ganharmos este braço de ferro e ficarmos todos felizes por termos vencido a primeira batalha e sentirmos que a união faz a força, passamos todos a abastecer na marca que baixou o preço e estabelecemos a mesma meta, para que voltemos a entregar os nossos euros à marca anterior que passará a ser agora ignorada.
Vai ser uma longa guerra, talvez mesmo uma guerra de nervos mas, estou convencido que só precisaremos dar o primeiro tiro, o resto vai-se desencadear sem que nos tenhamos que envolver muito, que dar o flanco. Basta sermos determinados.
Não abastecer em quem não tiver o combustível mais barato 10 cêntimos.
Elas próprias passarão a baixar os preços por sua iniciativa, mesmo antes do prazo que lhe for dado e possivelmente para valores inferiores ao estabelecido por nós.
Assim, a descida de preços, vai entrar em piloto automático e fazer funcionar a concorrência e as leis de mercado. Só que desta vez a nosso favor.
Por isso, vamos todos, para começar, boicotar a BP, porque dos inimigos é o mais fraco e não é nacional, e esperar que esta baixe os seus preços e os ponha a menos 10 cêntimos que a Galp.
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Quando isso acontecer, passamos a fazer o mesmo só que em relação a esta última, abastecendo na BP que irá estar mais barata e até que a Galp resolva baixar os preços os mesmos 20 cêntimos (10 para ficar igual à BP e + 10 para nos ter de volta). Esta 2ª batalha vai ser mais difícil de ganhar, pois a petrolífera nacional tem mais postos de distribuição mas, gerindo bem o depósito e os horários a que abastecemos sempre será possível vence-los.
Vamos fazer-nos ouvir de novo. Vamos mostrar quem é que manda aqui, quem é que é o Presidente da Junta…
Por isso se aderirmos todos ao boicote dos primeiros dias de Junho e a seguir pusermos esta nova estratégia, com que eles não estão a contar, em pratica, talvez os resultados cheguem mais cedo que o previsto. Talvez nem uma semana demore a alcançar a primeira descida de 10 cêntimos.
Bueno, e se isto tudo não resultar, acho que vou virar bombista.
COMENTÁRIOS:
Citando João Paio
Seria importante canalizar a sua energia para que a Afonso se torne uma eco escola.
Estamos a atravessar uma crise pior do que a dos anos 70, nem um 28 de Maio, ou um 25
de Abril serão soluções. A inovação passa por não repetir receitas antigas (destrutivas),
mas por ser mais ecológico e contribuir para um desenvolvimento sustentável
(Reduzindo, reutilizando e reciclando), claro que como isto me parece tirado de um
plano de aula para os meus alunos não me parece digno de ir para comentário ao seu blog.
Bom fim de semana.
M. Henriques

