segunda-feira, 16 de março de 2009

Mais Índia, Mais Filmes e Mais Óscares e tudo à moda dos Estates


Como sempre, no Sabado à noite voltei ao cinema. Fui ver Casamento de Raquel, não estava à espera de nenhum filmaço, nem de nada dialecticamente transcendente. E não fui surpreendido. O filme dói um bocado a ver, em especial a parte em que entra a música de baile para animar a festa. Nunca dá bom resultado em cinema, querer meter o Rossio na Rua da Betesga. A cena nem começa mal; Tem a abrir um Bloco de Samba Brasileiro, que me trouxe logo à memória o meu Carnaval de 2008 no Rio de Janeiro e de como o Bloco de Ipanema é divertido com as suas Caricatas. Esta cena inicial, surpreende pela espontaneidade e a alegria de ser dançada e tocada por verdadeiros artistas - emigrantes brasileiros - nada de imitações americanizadas. O pior vem logo a seguir e mostra-nos bem quão a cultura norte-americana é vertiginosa e está pelas ruas da amargura. Um pouco de mais critério nas músicas e menos velocidade nas transições teria sido bem melhor e dava-nos tempo a reconhecer o que tocabam. E a ver como na parte norte do continente se dança mal. Se calhar foi de propósito para não termos tempo de nos aperceber desse detalhe. Mas isso, toda a gente sabe.
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Muito pior que esta cena, é a da discussão das irmãs na véspera do casamento – mete dó de tão forçada e irrealista, seria compreensível depois de um enterro, mas nunca na véspera de um casamento tendo como protagonista a própria noiva. E os diálogos deveriam ter sido escritos por um qualquer autor francês que teriam sido bem mais interessantes. Quando é que os norte-americanos se vão convencer que, eles só sabem escrever bem discursos políticos para pôr o povão em êxtase, e que no que diz respeito a cenas intimistas só levam algum jeito se forem trágico-comicas? Diálogos tipo Woody Allen no seu melhor, que nunca foi o meu melhor estilo cinematográfico. Só comecei a gostar dele depois da Rosa Púrpura do Cairo.



O elenco não era mau … nem bom, e a Academia, desta vez, também foi desta opinião e para isso contribuiu em muito o mau desempenho geral do filme. A actriz principal, o melhor que conseguiu, foi uma nomeação para melhor actriz coadjuvante (modernice que este ano se começou a utilizar para designar o que antes se chamava actriz secundária), e como era de esperar não ganhou a estatueta. Anne Hathaway até que se aguenta bem num papel tão pesadamente trágico, que vai marcar de certeza a sua carreira, que ainda é tão curta aos vinte seis anos. Não é um mau princípio para ela, mas é um mau final para a arte de bem representar. Já a conhecia de dois bons filmes marcantes e até me tinha sido simpática mas, quer em Brokeback Mountain (2005), quer em O Diabo veste Prada (2006), a sua presença era quase invisível.

Fiquei sem saber quem era a actriz principal do filme - isto é: qual das atrizes participantes teria merecido esta nomeação - mas, quando acabou, a minha alegria foi tal que, também já não me importava nada o facto de o filme só ter actrizes secundárias. Nada mau para um filme de quinta categoria, que traduz o pior do espirito tacanho dos Estados Unidos suburbano e da sua cinematografia. Em particular daquela que a academia reconhece e promove.

A única coisa que me animou no filme foi ver que a indumentária e a decoração escolhida para a cerimónia do casamento era de inspiração indiana. Ao igual que as escolas de Samba que, através de um sistema de espionagem sofisticado, descobrem e copiam o enredo umas das outras o que fez com que no ano passado no Carnaval do Rio dominavam os temas em torno dos 200 anos da chegada da corte Portuguesa à cidade, ao passo que em São Paulo eram os 100 anos das primeiras vagas de emigrantes Japoneses que serviram de inspiração. Parece que em Hollywood acontece o mesmo e os 008 que, infelizmente não estão ao serviço de Sua Magestade, não descançaram, o que faz com que este ano Cinewoodesco vá ficar para sempre lembrado como o ano do enredo Indiano. Se esta inspiração temática não passar rapidamente, então façam as coisas como devem ser feitas e filmem as proximas peliculas em estudios de Bollywood, onde a autenticidade está garantida e a possibilidade de ganhar vários nomeações aos Óscares será bem maior. O guarda-roupa nem era assim tão bom. Se não fosse a tenda e o Bolo de Noiva o filme era um autêntico deserto de emoções visuais, e os olhos também comem.

Bueno: Eu também já comido uma fatia de um bom bolo…

E imoral da história - a bruxa má era a mãe! (Como na vida?)
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sexta-feira, 13 de março de 2009

MP fez buscas nos serviços do Ministério da Educação

Equipa de procuradores especializados no crime económico levou a cabo operação

04.03.2009 - 08h28 José António Cerejo


Uma equipa de procuradores da 9.ª secção do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, especializados na área da corrupção e do crime económico, efectuou no mês passado uma série de buscas nos serviços centrais do Ministério da Educação, na Av. 5 de Outubro.

Os magistrados, que não se fizeram acompanhar pela Polícia Judiciária, recolheram numerosos documentos e outros materiais relacionados com os dois contratos celebrados entre o Ministério da Educação e o jurista João Pedroso, em 2005 e 2007, no valor total de 287.980 euros. O objecto da contratação, feita por ajuste directo e decidida pessoalmente pela ministra Maria de Lurdes Rodrigues, residia na realização de um levantamento de toda a legislação publicada em matéria de educação e na sua sistematização.
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Questionada na imprensa e no Parlamento, nomeadamente com base na existência de numerosos juristas nos quadros do ministério capazes de fazer esse serviço, a iniciativa da ministra foi justificada no final de 2007 com a "especial aptidão técnica jurídica na área da educação" de João Pedroso - um juiz com licença sem vencimento desde 1990, que não tinha qualquer currículo em Direito da Educação, que era à época professor em regime de exclusividade na Universidade de Coimbra e que tinha ocupado altos cargos nos governos de António Guterres.
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A investigação em curso no DIAP, que foi ontem noticiada pelo Diá
rio Económico e confirmada pela Procuradoria-Geral da República, teve origem numa denúncia datada de Junho do ano passado. O PÚBLICO confirmou junto de várias fontes do Ministério da Educação que os procuradores do DIAP não se limitaram a levar documentos, tendo feito diversas outras diligências cujo conteúdo não foi revelado.Após a divulgação de várias notícias sobre a contratação de Pedroso, o Ministério da Educação exigiu-lhe, em Novembro passado, a devolução de 133.100 euros, do total de 287.900 que lhe tinha adiantado. Para rescindir o contrato, o ministério alegou que o jurista só tinha feito metade do trabalho, ao que este contrapôs ter feito 80 por cento, propondo-se devolver apenas 20 por cento do que recebera.
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O ministério manteve a posição inicial e acabou por aceitar que o antigo membro do Conselho de Jurisdição do PS e irmão do deputado Paulo Pedroso repusesse os 133.100 euros em 12 prestações mensais, com início em Janeiro passado.Além de João Pedroso, foram contratados inicialmente um antigo secretário-geral do ministério (António Landeira) e um jovem jurista que é actualmente adjunto do ministro da Justiça (José Vasconcelos Dias). Estes, porém, receberam apenas cerca de 1100 euros cada um durante 12 meses, ao abrigo do primeiro contrato.
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Bueno: Mais uma dorzinha de cabeça para a Sinistra, perdão S.rª Ministra.
Cabeça?
Eu disse cabeça?
Onde é que eu estava com a cabeça quando disse cabeça!
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domingo, 1 de março de 2009

O Último Domingo de Férias ou A Depressão Pós-Carnaval

Hoje ainda me devia sentir em férias mas, como é Domingo, não consigo já ter essa sensação. Fiz um interregno na pausa lectiva carnavalesca, na 5ª Feira, para dar uma mão cheia de aulas a tarde toda, até reposições fiz mas, como não me tive que levantar às sete da manhã e não tive nenhuma reunião, daquelas que duram a tarde inteira e me deixam com dor de cabeça, isso não conta. Até foi um prazer poder passar a tarde toda a fazer o que gosto com sol e numa sala já menos gelada e sair ainda com alguma claridade no horizonte; Não confundir com luz ao fundo do túnel, que essa foi desligada para poupar devido aos tempos de crise. Mas já havia no ar um cheiro a Primavera.
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Mas, com a proximidade de uma semana cheia de madrugadas, o tempo estragou-se no sábado e hoje caiu do céu aquela dêpre de Domingo. E ainda tenho que acertar os sonos esta noite, que é o mesmo que dizer, fazer uma directa talvez a ler pois o meu fígado nega-se a sair mais uma noite. Quem é que pode ter sono à meia-noite depois de andar dez dias a deitar-se às quatro da manhã, na melhor das hipóteses?
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Bueno: Carnaval na rua, Pascoa onde Deus quiser… e até lá há que sacrificar a carne pois estamos na Quaresma.

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