sábado, 22 de março de 2008

Receita para fazer um Puzzle ou a existência de Deus

São extraordinárias as formas como Deus se manifesta.
Eu fiquei de tal modo impressionado com o que me aconteceu na última madrugada que não pude deixar de escrever sobre isto.

Mas vamos começar um pouco mais atrás.
Tenho uma colecção de puzzles considerável, comprada, quase toda, nos museus que visito, e todos reproduzem obras de arte, na maioria pintura. Umas mais conhecidas que outras. Deu-me para isto. Há quem faça colecção de bonecas em trajes nacionais/regionais.

Os puzzles são uma actividade cerebral excelente, para estimular os neurónios e desenvolver a memória, em que eu me viciei. É como decorar poemas. Outro exercício que eu pratico como ópio cerebral, e que resulta mesmo quando se trata de letras de musicas. O que é preciso é ter o cérebro a funcionar, em vez de adormecido em frente à televisão, ligada num qualquer canal. Não suporto televisão por televisão, muito menos vê-la só porque a imaginação não dá para mais. Prefiro cortar os pulsos.

Pois bem, ontem à noite (quinta feira), depois de ver até à exaustão, uma aluna histérica aos gritos “Dá-me o telemóvel já!” como se se tratasse do Ouro do Reno, e como o Arte e o Mezzo não estavam a dar nada de jeito, o People & Arts falava de um fulano que, eu duvido muito que alguma vez venha a ser conhecido, e o Canal História mostrava como uma brigada de reconhecimento de marines americanos (tipo Rambo) enfrentaram um corpo de carros de assalto blindados Iraquianos em noite de lua cheia em pleno deserto, e como não tinha sono (para variar), resolvi pôr um CD a tocar e fazer um puzzle.

Peguei no primeiro CD que estava à mão, sem grande cuidado em seleccionar o que iria ouvir, pois a verdade é que não me apetecia ouvir nada em especial, o que eu queria mesmo era um fundo musical para a actividade principal que iria desenvolver. Acho que fiquei traumatizado com aquela gritaria na sala de aula e a capa do CD prometia suavidade. Com o puzzle, fiz exactamente a mesma coisa: Tirei o primeiro por estrear (nunca faço um puzzle duas vezes, a repetição de tarefas não estimula muito as celulazinhas cinzentas). Também preparei uma bebida que de tanta gritaria estava com a garganta seca.
Comecei como se deve começar um puzzle. Caso não saibam é um exercício de método e ciência, perspicácia e persistência, paciência e rigor.
Não é nenhuma brincadeira de crianças mas, contudo, muito mais fácil que dar aulas.
E passo a passo lá fui eu como manda a cartilha:
1º Viram-se as peças todas para o mesmo lado e procuram-se as que têm um lado liso. Podem-se ir arrumando por cores, ao mesmo tempo que se tentam voltar (para o quadro). Há quem prefira arruma-las pela ordem do livro de ponto, da janela para a porta em serpentina, como nos exames;
2º Tenta-se encaixar as peças que fazem a moldura do quebra-cabeças, as que têm uma face polida, até se ter o enquadramento completo e os limites estabelecidos, este passo também é conhecido como perfil sócio-cultural;

3º Depois de bem enquadrado, é muito mais fácil atacar o centro, então vão-se juntando as peças que se seguem e encaixam com as da moldura, com as polidas, normalmente as com alguma definição de forma e de conteúdo;
4º Por último, vêm as monocromáticas, sem qualquer referencial figurativo. Nestes casos, se queremos concluir o puzzle e atingir as Metas e os Objectivos estabelecidos, temos que experimentar, uma a uma, nos buracos que nos faltam preencher.
Sem nunca abandonar nem excluir nenhuma, pois, à partida, qualquer delas pode ser a peça certa para as nossas necessidades de progressão na carreira.

E o que é que isto tudo tem a ver com Deus?

Pois bem, eu também só percebi quando finalmente acabei o puzzle e percebi que a Sexta-Feira Santa já tinha amanhecido e que o que tinha na minha frente, acabado de construir, era a reprodução do famoso fresco da Última Ceia, de Leonardo da Vinci, da Igreja de Santa Maria das Graças (1), que eu tinha comprado em Milão, há uns anos atrás mas que, não sei porquê, nunca o tinha feito. Devo tê-lo arrumado no fundo do armário, por trás dos outros todos quando regressei de Itália.

O CD que tocou, quase oito horas ininterruptas, pois seleccionei o repeat para não ter que me levantar para trocar o CD ou voltar a carregar no play para ouvir novamente, era o Requiem de Mozart, interpretado pela Orchestre Philharmonique de Berlin, dirigida por Herbert von Karajam, numa gravação da Deutsche Grammophon, um verdadeiro Rolls Royce discográfico. Podia ter sido qualquer outro mas, pela mão de Deus, era este que se encontrava mais à mão.


Bueno … rendi-me à evidência … Deus existe e esta interrupção lectiva serve para comemorar a Páscoa, a Sua Morte e Ressurreição. Ou já se tinham esquecido?

1) http://www.30giorni.it/br/articolo.asp?id=10885

quinta-feira, 20 de março de 2008

À NOITE TODOS OS PARDOS SÃO GATOS E EM COPACABANA ATÉ DE DIA O SÃO

Acho que finalmente descobri como se colocam fotos aqui.
Mas demorei a descobrir.
Deve ser porque só escrevo à noite quando o cérebro do docente está cansado, depois da loucura do dia a dia. Felizmente existe o Kit Kat.

Mas, é à noite que normalmente corrigimos os trabalhos e os testes dos nossos alunos, preparamos as aulas, fazemos fichas e exercício e tudo o que um docente tem que fazer na sua componente não lectiva, que varia entre 7 a 13 horas semanais. E tudo isto tem que ser feito nas nossas casas, devido à falta de condições que existem nas nossas escolas.

Com isso a nossa ministra não está preocupada mas, mesmo assim obriga-nos a ficar horas a fio nas escolas onde perdemos o nosso precioso tempo, sem que se possa aproveita-lo bem. Como quando estamos escalados para aulas de Acompanhamento dos Alunos na Ausência Imprevista do Professor (não confundir com aulas de substituição e muito menos com aulas supre-lectivas, como o Sousa Tavares lhe chama), que nunca chegam a ser dadas pois os alunos já descobriram como fintar a ministra, pelo menos no caso dos professores que se deslocam para a escola de carro.

Acho que quando o Valter Lemos descobrir isto vai obrigar os professores a deslocarem-se para os estabelecimentos escolares em transportes públicos, mesmo aqueles que estão colocados a dezenas ou centenas de quilómetros de casa.

Mas, como somos nós que temos desenvolvido, nos nossos alunos, as capacidades para se adaptarem e aplicarem os conhecimentos em novas situações, logo logo, eles vou arranjar novas estratégias para nos continuar a fintar. (A nós?)

Bueno, lá continuaremos nós a olhar para a parede, que já não tem crucifixo nem retratos dos dirigentes da nação. E ainda bem que não tem. Já imaginaram a galeria de horrores e já pensaram o tamanho que teriam que ter as arrecadações das instituições públicas para guardar tanta fotografia?

Fotografia, é isso! A minha deixa.

Já me tinha esquecido que isto tudo era para tentar colocar uma foto aqui.
Vou tentar então.
Vamos ver se resulta.
Mas, não sei que foto pôr. Sabem como é?
A primeira vez … é sempre difícil.

Estou que não posso.
Ponho?
Não Ponho?
Qual Ponho?
… vou pôr uma minha.



Uma fotografia em homenagem ao Inverno Europeu, que acabou hoje felizmente, e que eu este ano passei na América do Sul.

Ainda se pode ver o video do telemóvel

Já foi apagado do You Tube mas ainda se pode ver no site do Expresso e sem bolinhas.

Notícia no Expresso:
http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/272662

E o que diz o novo estatutu do aluno que se deva fazer nestes casos?

E como na lei do comércio:
Os clientes têm sempre razão...

terça-feira, 18 de março de 2008

Professor (stor) = Medico (Professor)


Descubra as diferenças

Não se fala de outra coisa no meio doutoral, que não seja da Avaliação de Docentes.
Já não posso mais ouvir tantas mentiras e tanta gentinha a falar do que não sabe, não entende e não se esforça para se informar. É moda e fala-se!
Dou apenas como exemplo, o caso do nosso espírito brilhante e iluminado, que é o Comentador Professor Doutor etc. Miguel Sousa Tavares (1)que, cada vez que abre a boca para falar de algum assunto do qual eu tenho uma mínima noção, é fácil reconhecer de imediato inúmeras alarvidades, e em se tratando de educação então, as barbaridades são água encanada caída do céu aos gurgurões.
Mas, não é para falar desta chatice, nem destes chatos, que eu me sentei ao computador.
É antes, para partilhar uma anedota que me aconteceu na passada quinta-feira mas, que me saiu do pelo e ainda me vai sair mais.
Quando, em vez de dar as minhas aulinhas (que ainda vou ter que repor, claro), me convenceram a participar de uma sessão de esclarecimento sobre o tema, eu tentei resistir.
Eu bem que estava renitente mas, fui com @s outr@s, tentando convencer-me que era capaz de sair de lá algo mais enriquecido. Santa ingenuidade…
Eu bem que desconfiei, aquela coisa cheirava-me a lavagem ao cérebro, a intoxicação de neurónios, a coisas da idade do PREC.
Mas, como este governo já conseguiu o inimaginável: Pôr-me a aplaudir o Carvalho da Silva na manif do Sábado Glorioso, e talvez mesmo consiga pôr-me a votar PC nas próximas eleições, acabei por ir.
Já estou por tudo.
Como estou arrependido… e as aulas que ainda vou ter que repor… não me conformo… como é que isto me foi acontecer… assim ainda, com este tipo de atitude, vou ter que dar razão ao comentador da TVI e concordar com a ministra quando diz que, a maioria das Escolas estão a fazer os TPC’zinhos com muito amor, carinho e dedicação.

Mas vamos ao título em epígrafe: Estava o nosso painel a diletar, sobre as aulas assistidas que fazem parte do processo de avaliação, quando, a Professora Dr.ª Ângela Rodrigues depois de, algum tempo a fazer equilibrismo em cima do muro, mantendo o suspense sobre para que lado iria cair, decidiu atirar-se de cabeça para o lado mais fofinho e teve a brilhante inspiração, para desdramatizar o facto de se ter um corpo estranho dentro da nossa sala de aula, de se sair com esta dissertação comparativa sobre o tema:
“Não entendo porque é que os professores têm tanto medo que alguém vá assistir às suas aulas.
Os médicos, os Professores Doutores, sentem-se prestigiados quando os colegas e os alunos vão assistir às suas operações.

Aí, eu finalmente entendi muita coisa e dei por bem empregue o meu tempo:
Como as nossas aulas já são assistidas pelos nosso alunos, (poucos e nem por isso muito bons), devem agora também, passar a ser assistidas por colegas que, obviamente sabem menos que nós do assunto e vão lá para aprender qualquer coisa com as nossas práticas pedagógicas que vimos desenvolvendo ao longo de décadas.
Discordam?
Se pensarem nos vossos avaliadores, vão ver que estão de acordo comigo, eu próprio, que também sou avaliador, já me vejo a aprender imenso quando for assistir às aulas de Educação Física. Só espero não sair de lá todo lesionado.

Mas, o que mais gostei na comparação foram as diferenças que não foram salientadas.

Eu explico:
Nós temos à nossa frente alunos que, o difícil é conseguir sentá-los;
Os Professores Doutores têm na sua frente um paciente deitado e anestesiado;
Eles, se as coisas derem para o torto, é o paciente que sofre as consequências, em última instância morre;
Nós, se as coisas correrem mesmo mal, transformamo-nos em pacientes e na melhor das hipóteses sobrevivemos.

Bueno, é isso que melhor sabemos fazer…


1) http://educar.wordpress.com/

Trocaram-me a reunião e não me avisaram.

Bueno...
Eu já devia saber como são estas coisas!

Fui eu todo lampeiro para a escola às 8:30 da manhã, para uma reunião às 9:00 e quando lá cheguei tinha sido trocada.
Para isso, levantei-me as 7:00, tomei banhoca, fui passear os canitos, que hoje ficaram em casa pois também têm direito a férias, férias nâo, interrupção lectiva (é mais correcto), tomei o pequeno almoço, meti-me no carro e lá foi eu.
Parei pelo caminho para tomar café e alguns “meia-horas”, “metros” e “destakes” depois, lá cheguei.
Mas, este esforço todo foi em vão.
Afinal a reunião que eu tinha anotado na minha agenda, junto com todas as cautelas, tinha sido trocada.
Eu não disse mudada.
Não. Eu disse trocada.
Foi trocada com outra mais urgente e prioritária que por razões de força maior, tinha impreterivelmente que se realizar hoje. E para meu azar, logo na hora a que estava marcada a minha.
Que motivos? Perguntam vocês.
Vá-se lá saber!
Eu ainda tentei informar-me junto de quem sabe destas coisas mas, a resposta que obtive, foi um simples, “Teve que ser!”.
Desconfio que se trate de razões de estado!

Conformei-me, não perguntei mais, não vá a minha avaliação ser prejudicada.
Mas caramba, ninguém me avisou?
É normal isto?
Afixa-se um calendário de reuniões, depois trocam-se duas e não há o cuidado de avisar os interessados?
Acham que chega, trocar o A4 na vitrina, e os visados que se espavilem?
Eu sei que sou distraído, por isso, nestas coisas tenho o cuidado de anotar tudo mas, depois de anotado, está feit@ está mort@.
Mas não fui o único, como eu, havia mais três colegas cumpridores das suas obrigações, ou deverei dizer distraidos, que se apresentaram na escola para uma reunião que, afinal, só vai ser amanhã as 17:00.
Pois bem, a culpa foi deles (nossa). Não viram? Tivessem visto!

Mas fomos os únicos?
Não!
Houve mais.
Houve @s outr@s.
Os que foram acordados à pressa para a reunião que se estava a realizar no horário em que deveria ter sido realizada a minha, a qual, teve que ser anticipada por estar marcada num dia e numa hora demasiado tardia para o congestionado tráfego que há lá para os lados da rotunda do Relógio.
Mas, prometeram-me que, quando o aeroporto passar para o Montijo, estas coisas não voltam a acontecer. Isto é: Lá para 2099.

Bueno…a vida de professor tem destas coisas, sempre cheia de grandes emoções, para não se cair na monotonia das aulas assistidas.

domingo, 16 de março de 2008

Já é de noite. Bueno...

Não sei porque me meti nisto.
Acho que vai dar grande asneira.
Bernarda da grossa.
Foi culpa da filha de uma amiga.
Ok, estás perdoada miga e a tua menina também, pois nem se chama Vanessa.
Mas como gosto de desafios e de fugas p’rá frente, agora não vou recuar.
Não é que eu ache que não se deva recuar, o governo agora não nos dá outro exemplo.
Será que é do signo caranguejo?
Não é certamente, os caranguejos não são tão porcos feios e maus, antes pelo contrário, são gente do bem, do lar e da família. Acreditem que sei do que falo, em matéria de Caranguejos sou Doutorado. E logo eu que nem sou grande apreciador de frutos do mar … só os da Guillian.

Mas, signos à parte, para já, vou em frente com as minhas botas cardadas, porque me sinto pronto e com fôlego suficiente para palmilhar muitas ciber léguas de caracteres arrumados em linhas horizontais. E para muito, muito mais…
E se um dia, por qualquer razão, maior ou menor, ou se me cansar, ou for preciso, ou der pró torto, eu acabo com isto num ápice, sou daqueles que, in extremis, acha que desistir é um acto de coragem mas, só quando não há outra saída possível, não vão ficar a pensar que desisto por dá cá aquela palha. Isso é prós fracos, deixo isso p’ró governo.

Agora acho que se impõe uma mensagem de boas vindas:
Para tod@s aqueles que me lerem, que espero que sejam pelo menos, deixa ver?
Quatro!!!!!
Talvez cinco.
E se a minha mãe aprender a mexer nestas coisas será mais um com certeza.
Portanto, seis, num futuro longínquo.
Prometo-vos a tod@s muito divertimento e muita palhaçada, mas feita por um verdadeiro artista circense que sabe rir e chorar, e que domina na perfeição a técnica de rir por fora e chorar por dentro e ainda melhor, a de rir por dentro sem mostrar para fora.
Isto fez-me lembrar um verso da música de Gardel, da famosíssima Milonga Sentimental:
Otros se quejan llorando, yo canto por no llorar. Assim sou eu…
Mas, rir por rir, devemos 1º saber rir de nós mesmo, sem nunca nos levarmos muito a sério.


Sei que quem me ler, me entende, aprecia o meu humor negro pálido, a atirar pró feijão carioca, que é uma cor ébanence como não existe outra no mundo.
Mas não será só caracteres que quero partilhar com tod@s vós.
Prometo que não serei egoísta e partilharei muito mais:
Gosto de partilhar, desde que não sejam partilhas familiares ou íntimas, pois essas não devem sair do aconchego do lar.
As primeiras, porque são sempre acompanhadas de dor ou/e discórdia.
As segundas, (o que é que já estão a pensar, emntes preversas?) porque é o lar o sitio adequado para se partilhar tudo que temos de mais íntimo.
Para já, é melhor ficarmos por aqui, que isto está a ficar morninho...
Se puderem e quiserem, divirtam-se.
Se gostarem, recomendem e divulguem aos amigos.
Se não, lembrem-se dos inimigos dos que nos odeiam, para aqueles que têm a felicidade dos ter.

P.S. Quem nos odeia, são aqueles que querem ser como nós mas não conseguem, por isso fiquem felizes por serem odiados, por terem inimigos, e quanto mais melhor.