segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A ÍNDIA ESTÁ NA MODA E AS VACAS SAGRADAS TAMBÉM

Costumo ir ao cinema todos os Sábados à sessão da meia-noite e ontem fui ver o filme do ano, há muito que não via um filme que me enche-se tanto as medidas. “Quem quer ser bilionário?” foi o filme que obteve mais nomeações para os Óscares – dez no total, fora os vários prémios que já leva ganhos, incluindo o da Academia Inglesa e dos Globos de Ouro para melhor filme. Vai-se conhecer esta noite a quem vão ser atribuídos e eu vou ficar acordado a ver em directo. Espero que este filme ganhe boa parte dos Óscares para que está nomeado pois, convenceu-me, e não é fácil um filme conseguir essa proeza. Especialmente não sendo de David Lynch ou de Tarantino e não tendo nenhum dos meus actores fetiche. Pena não ter nomeações para melhor actriz e melhor actor. Apesar de jovens inexperientes, eles até mereciam umas nomeações, todos talentos prometedores, em particular o actor que faz o papel do protagonista em novo, que é impagável, e as orelhas do mais velho também.

Este filme, para além de um elenco fantástico e de um argumento que nos faz revisitar o crescimento recente e vertiginoso das economias asiáticas emergentes, em particular da cidade de Bonbain/Mumbai capital económica da Índia recentemente palco de sangrentos atentados, tem também de interessante a confirmação de que este país e a sua cultura estão definitivamente na moda. Em Portugal, já vamos na segunda telenovela que nos leva até à Índia, a primeira nacional da TVI e agora a Brasileira da SIC “Caminho das Índias” o que confirma que o fenómeno não é apenas local nem se deve a motivos saudosistas. Também o Equador, começa nessas paragens, e se isto é assim na produção nacional, quem é que já se esqueceu de “A jóia da coroa” com a qualidade das series britânicas? Pena não chegar até nós o que se faz por lá. Da vasta produção de Bollywood certamente haveria muita coisa interessante que poderia ser vista nas nossas salas de cinema e na nossa televisão.

A moda ainda não chaga a tanto mas, enquanto esperamos, podemos ir deliciando os outros sentidos. O paladar, já tão familiar a muitos, e a audição, também já apreciada por tantos. Sim, porque esta moda inclui, cada vez com mais intensidade, entre outras coisas, a música que já ouço há algum tempo e que aprecio, muito para além do seu folclore. Fui uma aluna minha, que trabalhava numa loja indiana, que me iniciou, e depois veio o interesse pelo tema, pelos intérpretes e as pesquisas no youtube onde existe um manancial inesgotável sobre música Indiana. E o gosto tem se vindo a contagiar por muitos dos que estão ao meu redor, em particular pelas alunas, mas é interessante verificar que é um fenómeno generalizado e que a reacção é sempre muito semelhante – primeiro estranha-se e depois entranha-se - e acabo invariavelmente a passar-lhes as músicas para os seus MP3. Há uma aluna que, ficou de tal modo fascinada que, até já ensaia as coreografias.

Foi através do youtube que pude descobrira a materialização da música indiana nas imagens dos maravilhosos vídeos clips de produção bollyoodesca que nos deixam pregados à cadeira tal como acontece no final do filme, em que quem já estava de pé se voltou a sentar para assistir aquela coreografia hilariante, embora num cenário muito mais modesto que o dos vídeos que acompanham as versões oficiais das músicas. É um desses vídeos que quero aqui divulgar, com a esperança de que através deles, um dia, possamos ter cinema Indiano de boa qualidade ao nosso alcance. Até lá, recomendo a todos este filme, mesmo aqueles que não querem ser bilionário que, apesar de ser uma produção ocidental, serve muito bem para ir abrindo o apetite.
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Óscares para Quem quer ser bilionário:
- Melhor Argumento Adaptado
- Melhor Fotografia
- Melhor Som
- Melhor Montagem
- Melhor Direcção
- Melhor Realização
- Melhor
e… … … … … …
- Melhor Filme
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Bueno: E quanto às vacas sagradas, já me esqueci o que queria dizer. Só me vem à cabeça uma que, de sagrada não tem nada.
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sábado, 21 de fevereiro de 2009

Não é com moscas (mortas) que se apanha Vinagre

Não foi só por falta de tempo que fiquei mais de uma semana sem postar nada aqui. Também foi mas, mesmo que não tivesse tido uma semana alucinante de trabalho escolar e reuniões que me rebentaram com a cabeça (com actas à mistura, montagem de exposições e discussão de Objectivos Individuais), acho que não teria escrito nada na mesma. Já tinha decidido que não iria escrever nada durante algum tempo, para não retirar peso e importância ao último post, que passaria a descer na página e perder protagonismo. Achei que necessitava de ficar a marinar uns dias no topo do caldeirão para que os comentários pudessem ir sendo cozinhados em lume brando para alimentar todos aqueles que estivessem com apetite.

Toda a gente tem alguma coisa a dizer sobre a injustiça que acontece neste mundo, em particular por aquela que atinge os que nos estão mais próximos, aqueles que estão no lugar em que um dia poderemos estar nós. Não só as pessoas com responsabilidade mas, também todos os indivíduos, os simples cidadãos, de dentro e fora dos sistemas, têm alguma coisa a dizer sobre este assunto. Numa carta escrita, desde a cadeia de Birminghan, Martin Luther King disse: “A injustiça particular é uma ameaça à justiça universal. Estamos encurralados numa rede iniludível de reciprocidade, unidos num único destino. O que afecta a uma pessoa directamente, afecta a todas indirectamente”.

Isto acontece em relação ao que se passa no nosso planeta, que cada vez é mais global – guerras, poluição, destruição de recursos, opressão e perseguição de populações pela sua raça, credo ou (in)cultura… mas, também a um nível mais doméstico – Casa, Família, Trabalho, Bairro, Cidade e País. Por isso, temos que ter o enorme valor de reconhecer que, também nestes casos, que nos são mais próximos, existem práticas constantes e não justificadas de violação dos direitos que nos são devidos pela nossa constituição, pretensamente democrática.



Esta violação, expressa-se nos medos, e cada vez são mais notórias e nas mais diversas situações: Expressão, Informação, Pensar e Opinar, que se traduzem em limitações aos mais diversos níveis, para não falar em questões mais pessoais ou intimas como a liberdade politica, religiosa e de orientação sexual, também elas garantidas por lei. Não reconhecer esta realidade, em nada favorece a nossa vida em sociedade e faz-nos perder o respeito por nós mesmos, aos nossos olhos e aos olhos dos outros, amigos e inimigos. Calar e consentir é meio caminho para a destruição do nosso semelhante e, por arrastamento, de nós próprios - mais cedo ou mais tarde.

Por isto tudo, quero deixar aqui o meu reconhecimento a todos os inconformados com as injustiças que se manifestaram solidários com o colega José Vinagre. Nunca pensei que fossem tantos e que o meu Blog, nos comentários de alguns Posts, se transforma-se no Fórum da ASED. Mesmo aos que o fizeram sob pseudónimo. Admiro-vos a todos, e em particular aos que elevaram a discussão a um altíssimo nível intelectual, que até consigo entender o alcance dessa estratégia dialéctica, pena que ela não seja acessível a todos os seus destinatários. Tendes que ser menos imodestos para fazer passar as vossas mensagens; Diria mesmo, mais curtos e grosso: que isto “para quem é – bacalhau basta!”

Mas, houve muitos mais que tentaram, que não ficaram indiferentes, que quiseram mostrar a sua solidariedade, e por falta de domínio das TIC’s e outras dificuldades nestes circuitos, não conseguiram enviar os seus comentários. Para estes também um grande obrigado, em meu nome e do colega Vinagre. Para todos os outros que por MEDOS se mantiveram nas sombras e de boca fechadinha os meus sentidos pêsames. Temos pena mas, dos fracos não reza a história. Se chegámos onde chegámos, foi porque os mais fortes venceram e os mais fracos ficaram pelo caminho, é a lei da natureza: elementar meu caro Darwin. Há ainda os que ainda não tiveram tempo, os que para quem este assunto não é prioritário, pode esperar, e quanto mais tarde melhor, até puder cair em esquecimento e dormir de noite na mesma. Não sei se não se acabarão por diluir nos anteriores mas, com uma vantagem: sem consciência disso! Achando-se diferentes e melhores; Será que não são moscas ainda piores a esvoaçar o mesmo fedor?


Bueno: Como diz o meu amigo Alberto Vaz (comentador brazuca de serviço):

Sabedoria não ocupa lugar mas burrice é muito espaçosa.

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

UM POR TODOS - TODOS POR UM ou Tanto Fel e Vinagre é Demais

Tenho andado muito ocupado a travar uma guerra solitária, embora com a solidariedade de alguns amigos/colegas, contra a indisciplina que graça na minha escola. Como tal, não me tem sobrado muito tempo para me envolver nos problemas que atingiram o nosso colega Vinagre. Mas, tenho dado algum contributo nessa luta aqui, em particular nos últimos textos, embora os anteriores fossem já preparatórios pois, relacionados com a indisciplina, estão necessariamente relacionados com este caso de que hoje falo.

Agora, que disparei e gastei todas as minhas munições ligeiras no alvo da indisciplina (vou guardar o armamento pesado para alguma emergência), quero dedicar algum do meu tempo a essa causa mais que justa, que sei, que também já muitos abraçaram, com um valor que me surpreendeu. Desde já os meus parabéns, que vão em particular para a professora Graça Maia que, teve a louvável iniciativa de redigir o texto que aqui publico, com o assentimento da sua autora. É o texto que esteve colocado na sala de professores, por breves momentos, e que logo se providenciou para que fosse retirado mesmo antes de eu o poder ler. Dele, só ouvi alguns elogios muito abonatórios, mas infelizmente de muito poucas pessoas. Provavelmente há muitas mais a pensar o mesmo mas não têm coragem de se manifestar. Pode ser que aqui tenham…

Também eu, há exactamente um ano a trás, me vi envolvido numa situação injusta, quando regressei da minha Licença sem Vencimento e, na altura, apreciei a solidariedade demonstrada por alguns colegas e amigos, bem como a sua ajuda para ultrapassar esta situação. Por isso, como calculam, não poderia ficar indiferente a tamanha injustiça como aquela que se está, mais uma vez, a passar na nossa escola e que não deixa de estar relacionada com a causa por que eu me tenho batido – a Disciplina.

Abaixo-assinado


Os abaixo assinados vêm deste modo manifestar a sua solidariedade com o professor José Carlos Vinagre e a funcionária Maria José Almeida a quem foram aplicados uma pena de repreensão por despacho da Senhora Presidente do Conselho Executivo datado de 19 de Janeiro de 2009 na sequência das ocorrências do dia 19 de Setembro de 2008 na aula de Português leccionada pelo Professor acima referido;
Tendo em conta que os factos apurados no inquérito instaurado reforçam a ideia de que o professor procurava a todo o custo impor a ordem dentro da sala de aula como é seu dever no âmbito das atribuições que lhe competem;
Tendo em conta que o professor José Carlos Vinagre é respeitado pelos colegas e alunos pela sua competência pedagógica e humana de que tem dado sobejas provas;
Tendo em conta também que a funcionária Maria José Almeida goza de estima e consideração por parte dos colegas, professores e alunos desta Escola;
Considerando desmedida a pena aplicada a um facto que se revelou ser circunstancial - decorreu no início do ano escolar (3 dias após o início das aulas) -, quando a escola ainda vivia um clima de turbulência generalizado que todos sabem ser característico dos inícios de ano;
Considerando desproporcionadas as consequências da aplicação de uma mesma pena a Professor, Funcionária e Alunos, os primeiros mais agravados do que os segundos dado estar em causa a sua carreira profissional enquanto que para os Alunos a pena aplicada não tem consequência de maior para o seu percurso escolar;
Em face do exposto, solicitam os abaixo-assinados que o Conselho Executivo, na pessoa da Presidente Maria Armanda Côdea, releve as penas de repreensão registada aplicadas ao professor José Carlos Vinagre e à funcionária Maria José Almeida e que os alunos envolvidos nos distúrbios apresentem um pedido de desculpas formal ao Professor José Carlos Vinagre.

Lisboa, 5 de Fevereiro de 2009
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Bueno: Quem ficar indiferente e não falar agora, então que se cale para sempre.
Mas depois não se queixe…
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

ESTÁ BEM... FAÇAMOS DE CONTA Ou Mário Crespo no seu melhor

Ontem, deparei-me com este artigo de opinião espantoso, escrito pelo jornalista mais competente da actualidade, que para além desta qualidade, entre muitas outras, agora demonstrou também ser um homem de enorme coragem e uma isenção irrepreensível. Se tudo o que este artigo resume e relembra (às memórias mais selectivas), for obras de campanhas negras, então vamos ter que acreditar que existe muita gente que não faz outra coisa se não conspirar. Ou será obra de magia negra?, Olho gordo? (inveja), bruxaria ou feitiçaria?

Se estas suspeitas (suspeitas?) todas recaísse sobre mim, não pregaria o olho de noite mas, como recaem só sobre o primeiro-ministro do meu país, penso que todos os portugueses podem dormir descansados. Ele é um homem impoluto, devemos acreditar na sua honestidade política e honra pessoal, na sua, na dos seus ministros e amigos políticos e na de toda a sua família, até na do filho do meio-irmão da mãe, como se de um dogma se tratasse. Quem não acreditar será considerado traidor à pátria por Decreto-lei. É para isso que existem as maiorias, para aprovar leis e Zonas de Protecção Especiais, quer sejam más, quer sejam péssimas.

Então está bem, façamos como Mário Crespo!


ESTÁ BEM... FAÇAMOS DE CONTA

2009-02-09

Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.

Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda).



Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal.* Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.
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Bueno: Eu não acredito, pêro que las ay, las ay!
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* Deve ter sido por isto que o Mário lhe soltou os cachorros em cima e lhe mordeu as canelas quando o avisou: “e o Senhor não brinque comigo com palavras”. Aquilo correu mal ao Pedrito!
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NOTIFICAÇÕES ou A Alegria de fazer os meus Objectivos Individuais

Hoje não vou postar nada de jeito mas, quero informar os meus seguidores, aqueles que me acompanham como se de uma telenovela se tratasse, que estive ocupadíssimo a definir os meus Objectivos Individuais. Deram-me uma trabalheira e, com eu sou alentejano … Mas o trabalho, não pensem que foi fazê-los. Eles fazem-se com uma perna às costas. O trabalho maior, foi mesmo, decidir se os fazia ou se, em vez disso, entregava um outro documento a pedir uma avaliação justa que valorizasse as minhas verdadeiras funções de docente, coisa que esta, como já ficou claro, não o faz.

Sim; Teve que ser! Acabei por me decidir a fazer só para ver no que vai dar mas, mesmo depois de feito, ainda tenho dúvidas sobre se os devo entregar ao não. Amanhã logo veremos! Em particular porque tenho a certeza de que não serão aceites pois, para ser coerente, eu coloquei como Objectivos, aquilo que eu considero estar relacionado com a actividade principal da função de docente e isso não é valorizado neste sistema de avaliação e como tal não é suposto constar nos Objectivos a atingis. Em particular na minha escola onde se vive a obsessão do mensurável e quantificável.

E isto tudo porque, na segunda-feira, tinha uma notificação à minha espera, a dar-me o prazo de três dias para os entregar (não sei se a segunda já contava ou não?), se não, corria o risco, do período sem avaliação não ser considerado para os efeitos da evolução da minha carreira. Continuo a ter grandes dúvidas que ninguém me sabe esclarecer: Qual Carreira? Qual Período? O Biénio? Só este ano lectivo?
Ao revelar isto, julgo não estar a cometer nenhuma inconfidência, uma vez que esta Notificação, na minha escola, foi praticamente pública. Ela foi-me entregue por uma funcionária e estavam, na sua secretária, junto das outras seis, à vista de todos para que quem quisesse ficasse a saber quem eram os sete magníficos marginais, para se deixar atemorizar com elas.

Foi isto que aconteceu a uma colega que, tendo visto a minha, entrou na sala de professores a benzer-se repetidamente, e a proferir o meu nome “Ai Paio; Ai Paio; Ai Paio”, também repetidamente como se tivesse acabado de se cruzar com o diabo e ele lhe tivesse dito que vinha no meu encalce. Quando soube o porquê da sua aflição, que afinal só tinha visto uma Notificaçãozinha, tive o cuidado de a esclarecer que, não se tratava de nenhuma condena a arder eternamente no fogo dos infernos, para que ela ficasse mais tranquila, já que a sua saúde, nos últimos tempos tem sofrido alguns precauces e a sua cabeça grandes traumatismos.

Bueno: Vai ser para o lado dos Objectivos Individuais que eu vou dormir esta noite, é para o lado que eu durmo melhor.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

À ESPERA QUE A TTT CHEGUE ou Não me matem a esperança

Este fim-de-semana tive que me debater com a depressão causada por uma das piores desilusões dos últimos tempos - A morte da esperança de mudar de escola para os próximos quatro anos ou, quem sabe, se para o resto da vida!

Depois de se anunciar a possibilidade de existir um concurso que permitisse a mobilidade dos professores titulares, alimentei a secreta esperança de, se isso viesse a acontecer, haveria vagas em número suficientes e em escolas que me agradassem, de modo a que pudesse finalmente abandonar a escola em que me encontro paralisado há alguns anos.

Quando o concurso finalmente saiu, para além de um prazo diminuto para concorrer, trazia também a desagradável surpresa das vagas postas a concurso. No caso do meu grupo, em todo o Distrito de Lisboa, existiam somente três vagas: Uma em Alenquer, outra na Ramada e a última num sítio qualquer, também do concelho de Loures, que já nem me lembro do nome.

Fiquei, até sexta-feira sem saber o que fazer, enquanto toda a gente à minha roda dizia que era desta que ia dali para fora … E levei esse dia todo a contar os minutos que faltavam para que ainda pudesse tomar a minha decisão, mas não me decido. Ou melhor, decidi que não me ia decidir a concorrer. E agora, tenho no horizonte, dos meus próximos quatro ano, as turbulências próprias de um céu negro e deprimente.

Agora digam-me: Que esperança me resta com a tempestade que se adivinha?
Nenhuma?
Não!
Nego-me a pensar que estou condenado a passar mais quatro anos num covil desgovernado.
Mais quatro anos a dar aulas numa sala de “desenho” em que o lavatório não funciona, em que temos que carregar água a baldes e em que as alunas, quando precisam de lavar as mãos os pincéis ou os godés, têm que utilizar as instalações sanitárias das funcionárias. E isto dura desde que me transferiram da sala sete onde as condições logísticas eram minimamente aceitáveis, apesar do frio ser o mesmo. No Inverno a temperatura chega a ser cinco graus mais baixa que na rua e este ano por várias vezes as alunas recusaram-se a entrar e permanecer lá dentro noventa ou ainda mais minutos.

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Nego-me a continuar a fazer um esforço enorme para exercer a minha profissão com um mínimo de qualidade didáctica, a ter que continuar a fazer omeletas sem ovos e estas serem comidas por quem não mexe um dedo para as merecer e depois nem dá nenhum elogio ao cozinheiro. Não quero reconhecimento. Queria dignidade. Mas agora já me cansei! Agora já não quero mais nada. Já não espero que possa vir nada de bom daquelas bandas. Agora o que eu queria mesmo era sair dali para fora.

Mas ainda me resta alguma esperança de não ter que cumprir quatro anos de pena, num sistema onde o bom comportado não vale de nada. Não é reconhecido. O mau talvez? Sim, existe a esperança da nova ponte poder vir a amnistiar a minha pena. Existe sim, a possibilidade da ponte chegar antes que os quatro anos se cumpram na íntegra. E como a esperança é a última a morrer…

Bueno: Era contra a TTT (Terceira Travessia do Tejo), agora já sou a favor. E que venha logo!
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

MILK ou A Arte de Bem Dissimular a Toda a Sela

Ontem fui ao cinema - Sábado (tenho que dizer, não vá este texto também só ficar acabado depois da meia-noite). E já eu tinha tomado essa decisão, e também que película ia ver, quando ouço (só ouço, nego-me a ver aquela coreografia de gestos e esgares alucinados e sem maneiras) o Sr. Sócrates no Jornal das 10 da “SIC Notícias” em campanha pelo Norte do país a anunciar as bandeiras do seu novo programa com que se vai apresentar às próximas legislativas. Entre outras bandeiras, anunciou a da legalização das uniões entre pessoas do mesmo sexo.

Para se justificar desta iniciativa, contou o enredo do filme que eu ia ver daí a umas horas, para explicar que essas injustiças, que ainda há poucos anos se verificavam nos Estados Unidos, e a perseguição a pessoas baseada na sua orientação sexual (sim ele disse orientação e não opção, mostra que está informado!), não se podiam continuar a verificar em sociedades civilizadas tal como se passa ainda hoje um pouco por toda a parte. Ainda aproveitou para elogias a carácter e a coragem do primeiro homossexual assumido, eleito para um cargo público na América. Contou que a história se baseava em factos reais da vida de um político que acabou assassinado depois de uma vida a lutar pelos direitos da comunidade a que pertencia.

Mas tinha que falar do filme para se justificar? Terá por acaso medo que alguém duvide da sua hetrossexualidade? Pensará que nós não sabemos que a iniciativa desta proposta e a autoria de todo o programa é do António Costa e não sua? O seu colega Sapateiro, logo no primeiro mandato à frente do governo fez aprovar esta lei em Espanha e ninguém pôs em causa a sua sexualidade. Porque não fizeram os socialistas portugueses o mesmo? Os socialistas portugueses, depois de afrontados com propostas semelhantes vindas até de dentro do seu próprio partido e da JS, vão agora finalmente ter coragem de abordar o tema. Será que não vão já tarde? Eles que, tendo maioria, chumbar a lei, irão ser capazes de convencer alguém que, se não perderem as eleições, a vão aprovar agora? Cheira-me a Regionalização. Está sempre nos programas, mas depois, nunca se faz. A conjuntura é sempre desfavorável.

Sócrates sabia a história do filme de trás para a frente e quase o contava toda para quem o quisesse ouvir, coisa que eu não vou fazer aqui para não desfazer o interesse de quem o tencionar ver. Mas quase que desisti de ir ao cinema, o Secretário-geral do PS quase desfazia o meu, de tão pormenorizadamente que o contou. Mas no final, quando se referiu a seu título, o Zezito (é assim que ele é tratado em família) disse: “Acho que o filme se chama Milk”. Acha Sr. Engenheiro? Não tem a certeza? Qual é o seu problema? Não consegue fazer uma mnemónica com a palavra Milk? Ou o seu Inglês técnico não chega para tanto? A palavra Milk não lhe diz nada? Ainda por cima é o apelido da personagem principal, Harvey Bernard Milk. Há, já sei, ainda não teve oportunidade de ver o filme, nem tenciona fazê-lo! O Zezito não gosta dessas paneleirisses. Isso são coisas do Costa, ele é que fez o programa e que escreveu esse texto! Ele é que é . . . o cinéfilo. O Zé, até tem amigos que também são mas, ele não gosta de frequentar salas escuras!
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O mesmo Costa, que na Quadratura do Circulo fala das campanhas negras que atingem o seu camarada sempre que há eleições à vista. E enumerando-as, começa por referi-las por ordem cronológica, lembrando que a primeira foi o boato que relacionava o então candidato a primeiro-ministro com um actor. Com um actor Costa? Porque não se diz o nome desse actor? Estarão, por acaso com medo que, ao dizê-lo, nos lembremos que, à época, o Diogo Infante era um actor de telenovelas e que passados três anos já estava a dirigir o Teatro nacional D. Maria II?

Pelos vistos a dissimulação tornou-se uma disciplina e uma técnica fundamental da arte política. Um bom exemplo disto, é ver a forma como o Sócrates fala do primo Freeport, referindo-se a ele como o “filho do tio”. Será que isto faz com que nas nossas cabeças surja um distanciamento tal que não nos deixa concluir que é do primo que está a falar. Se é verdade, então o n.º 1 dos socialistas ainda tem muito que aprender para dominar esta técnica. Senão vejamos: se a dominasse realmente, nunca se teria referido ao tio como “tio”, deveria ter dito o “irmão da minha mão” ou melhor, no seu caso pessoal, o “meio-irmão da minha mãe”, também seria possível dizer o “filho do meu avó com a sua segunda mulher” que não lhe é nada. Sim, porque o termo avozastra não existe, só madrasta! Isto evitaria a utilização de qualquer pronome possessivo e logo, alcançar o efeito pretendido


Assim, para ficar politicamente correcto e mostra o domínio absoluto d@s nov@s tic’s políticos, que se baseiam em exacerbar a dissimulação ao extremo, e para criar o distanciamento pertendido de um parente (primo neste caso) que é abusador de confiança, o homem deveria ter dito “o filho do meio-irmão da minha mãe” ou então “o filho do filho do meu avo com a sua segunda mulher, que não me é nada”. Se a moda pega, vamos passar a ver os nossos políticos todos no emicírculo e nos debates que animarão os serões televisivos de 2009 a chamarem-se todos uns aos outros, “filho disto”, “filho daquilo” e “filho do outro”.


Bueno: Eu prefiro chamar os filhos pelos nomes!


Nota: A propósito do filme, Sean Penn no papel de Milk vai ser um forte candidato aos Óscares deste ano, tal como Gus Van Sant, agora que enveredou por coisas mais convencionais e menos experimentais.
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domingo, 8 de fevereiro de 2009

TUDO O QUE É BOM TEM UM FIM ou Não há bem que sempre dura e mal que se não acabe!

Hoje faz exactamente um ano em que eu retomei as minhas actividades lectivas depois de um mês de Licença sem Vencimento e de mais de quarenta dias longe de Portugal e sem pôr os pés na escola.

Devo-vos confessar que, nos últimos dias da minha longa ausência, até já estava com algumas saudades - de casa, de conduzir o meu carro, de comer coisas cozinhadas por mim, deste rectângulo, da Família e d@s amig@s, das minhas alunas e, pasme-se, de voltar à escola e voltar a ensinar. Acho que nunca tinha chegado tão cedo à escola como nessa manhã. Também não admira, com o jet lag que se apossou de mim, aquele desconforto que é sentido quando se fazem viagens mais longas, com grandes mudanças de fuso horário.

Mas, tirando a apoteótica recepção que as minhas alunas me fizeram (tinham ficado desconsoladas quando souberam que as abandonaria por uma longa temporada) e alguns colgas/amig@s, tudo o resto, que envolveu a milha volta, foi um terramoto de surpresas e posso-vos garantir que nem todas foram das boas. Foram revelações boas e outras muito más.

Arrependi-me logo de ter voltado, lógico! Mas, o que aconteceu de mau, não foi nada que deixa-se marcas profundas, a não ser a revelação de algumas verdades, que sempre estiveram alí e que muitas vezes nós não queremos ver. Mas agora, a um ano de distância, posso-vos garantir que só das boas já me lembrava, não fosse alguns acontecimentos recentes terem-me trazido à memórias as amarguras passadas.

Tenho que deixar aqui um profundo e sincero agradecimento a todos aqueles que estiveram a meu lado, animando-me e apoiando-me, naqueles momentos sinistros que, de tão surrealistas, pareciam tirados de um filme de David Lynch. Só não os nomeio aqui, porque teria que pedir a sua autorização, o que me daria uma trabalheira pois ainda foram bastantes e el@s sabem que são. Aliás, todas as pessoas que souberam desta história se mostraram bastante solidárias (da nossa e de outras escolas) e ficaram escandalizadas com tamanho excesso de zelo. Em particular, porque este excesso não se aplica a todos de forma isenta, porque ele estava a ser selectivo, tendencioso e imparcial.

Porquê? Acho que sei mas, não me vou alongar com acessórios.
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Legenda: É referente ao Brasil – Podia ser cá!

A mensagem que eu quero passar aqui, é que temos de deixar de olhar só para o nosso umbigo, temos que ver o que se passa ao nosso redor, com os nossos semelhantes. Insisto, ainda somos todos colegas. E se não o fizermos, corremos o risco de um dia nos tocar também a nós (espero que o que me tocou a mim já tenha sido suficiente). Talvez nesse dia não tenha soprado ninguém para nos ajudar. Não podemos ficar indiferentes à injustiça e muito menos à arbitrariedade sem nexo. Que, a ter justificação, prefiro nem pensar qual seja, pois não vejo nenhuma válida que a torne racional.

A justiça é um valor absoluto, não pode ser um valor subjectivo, feita à medida das conveniências de quem está no poder.
Pelo menos em democracia deveria sê-lo.
Ou querem lá ver que nós agora estamos no Brasil ou em Cuba!
Quem está com o poder, esquece-se facilmente que a vida é como os interruptores: umas vezes para cima outras vezes para baixo; E se agora pode, seja porque "méritos" forem, amanhã arreia…
Um dia é do caçador o outro é da caça e não há mal que sempre dure …


Bueno: .Felizmente, consola-me acreditar na justiça divina que, não é cega, nem muda e muito menos surda e que não é só do domínio celeste, também já a vi se feita cá na terra.


P.S. Mais uma vez este texto não saiu com a data pretendida, já foi colocado depois das 00:00h, logo a data a que me refiro no início é Quinta-feira - 7 de Fevereiro de 2008.
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sábado, 7 de fevereiro de 2009

AVISO À NAVEGAÇÃO OU MANUAL DE BOAS-MANEIRAS



Nunca pensei que os meus desabafos viessem a motivar tanto interesse por parte de tantos colegas, amig@s e até alun@s ao ponto de, a secção de comentários, estar quase a virar um “FORUM ESAD” (Escola Secundária de Afonso Domingues). Mas, não vou cair na asneira de não resistir à tentação de comentar os comentários. Apenas utilizarei aquele espaço quando me forem feitas perguntas directas, como já aconteceu – tipo o site da DGRHE das perguntas e respostas mais frequentes, para que tudo fique devidamente esclarecido e validado. De resto, se tenho a hipótese de escrever na parte principal – equivalente à classe Executiva, com direito a ilustrar as palavras, dar-lhes som e movimento, para que vou utilizar um low cost sem serviço de bordo.

Quero que saibam que, apesar de todos os comentários terem que ser moderados e aceites por mim (dai não ficarem visíveis logo quando os escrevem), nunca deixarei de publicar nenhum, só por não concordar com o seu conteúdo. Respeito todas as opiniões, mesmo aquelas que tentam ficcionar uma realidade educativa inexistente na nossa escola ou no panorama educacional português. Também se for para me criticar, não ficará por publicar – experimentem se têm dúvidas e coragem, claro. Aprecio a liberdade de expressão e, desde que ela não colida com os direitos e liberdades dos outros, nunca poderá, nem deverá ser entendido como um acto ofensivo por ninguém.

Eu venero e admiro quem pratique essa liberdade com urbanidade, e em particular quando o faz sem rodeios, com frontalidade e dando a cara. Mas, mesmo escondido atrás de qualquer pseudónimo, todos temos o direito de nos expressar, e são óbvios e aceitáveis os motivos que levam alguns a ficar na sombra. Não considero, que por isso tenham menos valor, têm é um valor diferente dos que dizem o que têm a dizer e depois assinam em baixo. No Brasil, desde que apareceu a linha “disque denúncia” para denunciar, anonimamente, a vasta criminalidade existente no país, o seu combate ficou bem mais fácil por parte das autoridades.

Por isso quero dizer ao Criado de Servir (que até acho que sei quem é, embora muitos outros pudessem ter enfiado já esta carapuça mas, isso agora teríamos que perguntar ao Cão descendente a qual deles se estava a referir), que os seus textos e todos os outros serão sempre por mim publicados, mesmo quando a confusão reinante em algumas cabecitas se explique facilmente por no nosso edifício escolar, existirem duas escolas em funcionamento, e como se torna óbvio, não estarmos a falar da mesma – também eu gostava de dar aulas na Agostinho Roseta mas, a realidade da minha escola, colega, é bem diferente da sua – a todos os níveis e eu não posso fazer como os nossos alunos mais inteligentes – pedir transferência.

Agora não tentem fazer do meu Blog o escape das vossas frustrações, não deixarei que os vossos comentários o tornem num instrumento insultuoso e a apelar à violência, mesmo que seja só à verbal. Por isso recomendo que, não chamem a ninguém coisas que não gostariam de ouvir chamar às vossas mães, mesmo que as pessoas em causa o mereçam. Mas, se o insistirem em fazer, eu não me irei acobardar de publica-los, desde que vocês não se acobardem de os assinar. Se é para ofender, então penso que o ofendido tem todo o direito de se defender e saber de onde partiu a ofensa, para não se gerarem situações dúbias que só iriam contribuir para conturbar o mau clima que já se vive actualmente na nossa escola. Para acicatar e alimentar suspeitas, não contem comigo. Desconfiança, já temos quanto baste!

Não é isso que eu pretendo e acho que ninguém pretende. Bato-me pelo contrário. Luto para que haja um bom ambiente de trabalho entre todos os colegas (sim ainda somos todos colegas, ou já se esqueceram?) Os directores ainda estão para chegar e com @s alun@s sempre tive uma relação excelente. Quero entrar na sala de professores (apesar do cheiro nauseabundo que lá está às vezes), onde actualmente vou tão pouco, com a mesma alegria com que entro na minha sala de aula. Já me disseram que é por snobismo, por ser elitista e não querer dar confiança à ralé, que não a frequento. Isto era o que alguém pensava antes de me conhecer melhor mas, quando conheceu, logo mudou de opinião. Só quem ainda não me conhece bem poderá pensar tamanho disparate.


Mas voltando às boas maneiras, ou à inexistência delas; Por este motivo já me vi obrigado a não aceitar alguns comentários. Tudo se pode dizer mas, atenção!, o problema está na forma como se diz. Felizmente, isto não tem sido a grande generalidade. Muitos dos comnetários, pelo contrário, têm contribuído para elevar o nível do debate e fomentar a procura de soluções. Tenho, inclusive, tido algumas revelações agradáveis. Afinal a solidariedade existe em alguns corações. Afinal nem todos são de pedra dura.

Por isso, e para terminar, queria pedir alguma moderação na linguagem utilizada nos comentários pois, não quero continuar a ser obrigado a recusar mais nenhum e sentir-me mal na pele de sensor que eu tanto critico e abomino. Não quero silenciar ninguém, no meu Blog não se pratica a Lei da Rolha, mas convenhamos, tudo tem um limite! E eu não quero ver, o nível do meu Blog, baixar a índices equivalentes aos do piso térreo.

Obrigado pela paciência e pela vossa compreensão.

Bueno: Regra n.º 1 - Se não te sabes comportar, tenta imitar aqueles que o sabem!
Serve para todas as situações possíveis e até parece ser muito fácil.
O difícil é saber reconhecer quem se deve imitar.
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

DESDECUBA.COM_AMOR

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Como já referi, sou adito a um Blog escrito por uma Cubana, desde Maio de 2007. Uma mulher com uma coragem já mais vista, de quem eu já me tornei fã. A minha ídola – Yoani Sanchez - é uma mulher que soube pôr a sua inteligência e o seu dom literário ao serviço de uma revolução feita com palavras, e o reconhecimento chegou rápido.

Os seus artigos, actualmente, despertam tal interesse que chegam a ter mais de 4.000 comentários, e valeram-lhe, recentemente, o Prémio “Ortega y Gasset” 2008 na categoria de jornalismo digital (http://anarod.bloguepessoal.com/52116/Premio-Ortega-y-Gasset-2008-na-categoria-jornalismo-digital-foi-atribuido-a-uma-cubana/).
Tenho a felicidade de me corresponder com esta mulher que foi eleita uma das cem pessoas mais influentes do mundo pela revista “Time”, mas proibida, pelo governo do seu pais, de se deslocar a Madrid para receber o seu merecido prémio.

É seu desejo que o seu Blog ganhe a maior notariedade e amplitude possível, para que todos fiquem a conhecer a verdadeira realidade Cubana, e que os seus textos sejam bastante comentados, não se importando com os que ainda defende o indefensável. Espero, com este meu, corresponder ao seu apelo.

Os últimos tempos conturbados que vivemos, fizeram-me lembrar um texto que a Yoani escreveu e que eu li há algum tempo atrás. Fui à procura dele e deixo-o aqui traduzido para que todos possamos reflectir bem, sobre palavras tão introspectivas, que servem para todos em geral e para cada um de nós em particular. Coloquemos a mão na consciência.
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Os dilemas da inacção*



Cada vez se escuta com mais frequência aquilo de “não vás à luta” dito a todo o que queira fazer frente ao que não lhe agrada. As expressões de “vai-te dar um enfarte”, “não faças caso” ou “com isso não vais a conseguir nada” parecem ganhar os primeiros lugares na fraseologia popular. Um vasto apelo à inacção, em nome de uma suposta higiene mental – que não é tal – continua apossando-se do actuar dos cubanos.

Como um “bicho raro” parece quem se queixa ou demanda os seus direitos, enquanto atrás do silêncio se esconde o temor a arranjar problemas. Escasseia a solidariedade com o que protesta numa fila, pois o resto dos utentes temem perder a possibilidade de comprar ou adquirir o serviço que tanto tempo lhes tomou.

O mais irónico é que frequentemente o mesmo que te impede de fazer alguma coisa, procura a tua cumplicidade e o teu silêncio. Isso aconteceu-me há pouco quando tentei aceder à Internet desde um posto telefónico da ETECSA situado na Rua Obispo e o guarda me disse “Mami tú sabes muy bien que no te puedo dejar. No te me pongas bravita pero esto es pá turistas”. A oportuna voz do conformismo apareceu desta vez na boca de uma senhora que esperava para pagar a sua factura telefónica: “Ay mi´ja no te metas en problemas que al final no vas a cambiar nada”.
[Acho que os diálogos perderiam muito se fossem traduzidos]

Entre tantos apelos a “não te alterares”, os cubanos chegamos a pensar que a saúde cardíaca e a existência dos direitos devem estar de costas voltadas e que as esquémias cerebrais são o desenlace inevitável quando se pede um bom serviço. Imagino umas enormes fachas na estrada advertindo: “Criticar, exigir e pedir fazem mal à saúde”.


*Los lemas de la inacción
Escrito por: Yoani Sanchez en Generación Y , a 24 08 2007

Nota: Generación Y é um Blog inspirado em gente como eu (Yoani Sanches), com nomes que começam ou contêm um “y”. Nascida na Cuba dos anos 70’s e 80’s, marcados pela escolas no campo, os bonequinhos russos, as saídas ilegais e a frustração, Assim convido especialmente a Yanisleidi, Yoandri, Yusimí, Yuniesky e outros que arrastam os seus “Y” a que me leiam e me escrevam.
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Os paus de fósforo podem estragar-nos o dia ou Os ciganos não gostam de ver bons princípios aos filhos

Infelizmente, nos últimos dias, não tenho tido muito tempo para voltar a escrever aqui, da forma intensiva que consegui neste fim-de-semana. Se as coisas não me têm corrido tão mal, ontem até teria escrito qualquer coisinha como já tinha planeado. Que mais não fosse, um agradecimento a todos os que me tem felicitado pelos últimos textos e, em particular, aqueles que têm deixado comentários. “Ficam já agradecidos!”

Mas, a minha segunda e terça foram alucinantes. A primeira passou-se entre participações disciplinares, tentativas de imprimi-las em imaginárias impressoras, Cavalos de Tróia apanhados nos Pc ‘s da sala de DT’s, mezinhas para os matar que não resultaram e actas para as reunião de que tenho sido secretário – CCAD e CP. Já exausto, abandonei a escola e deixei que o carro, que já sabe o caminho sózinho, me levasse de volta a casa, onde se estacionou como pôde para não me incomodar mais e ali ficou parado e fiel. Resultado final Actas só 1, João 0.

A segunda, isto é, a terça-feira, que até teve uma breve primeira hora promissora, rapidamente me desiludiu, acabando com todos os meus planos e as minhas boas intenções, bem como com a determinação que normalmente me acompanha, não me deixando mais vontade para fazer o que quer que fosse de criativo o resto do dia, noite e madrugada.

Depois de suportar de forma estóica o som insuportável e entranhante do despertador verifiquei que estava a chover a cântaros, saltei da cama e a correr, comi, fumei, tomei banho, fumei, vesti-me, revesti-me - tinha parado de chover - fui passear os cães, tomei café e voltei a fumar. Quando voltava a casa começa de novo a chover, a cântaros, apertei o passo para pôr os cães em casa antes que ficassem ensopados e os ter que deixar todo o dia no secador. Tudo ao cronometro, igualando os meus melhores tempos. Até aqui tudo certo.



Eis se não quando, novamente a correr, porque continuava a chover a cântaros, vou para me meter no carro e deparo com um pneu furado. Normal, ainda não inventara pneus que não fure. Mas, quando o observei com mais atenção caiu-me tudo ao chão. Afinal o que tinha acontecido não era assim tão normal. Pois não é normal, estarem paus de fósforos metidos nas válvulas dos pneus. Esta invenção ainda não foi feita. Os pneus não vêm assim de fábrica, logo, alguém o pôs lá.

Eu até acho que sei quem foi, mas, infelizmente, não o posso provar e se participar de quem eu suspeito, possivelmente o processo vai ser inconclusivo, assim, o melhor a fazer é esperar que chova menos para não mudar o pneu debaixo de uma cascata. Depois disto, tive que voltar a casa, lavar-me e mudar a camada de roupa exterior mais encharcada e ir à bomba para encher e voltar a colocar o pneu (sim porque eu, e o meu carro, sentimo-nos ridículos a andar por ai com um pneu sobresselente daqueles pequenos do tipo trotineta), e ainda ficar quieto e calado, e tentar chegar à escola o quanto antes, para ver se só perco 90 minutos de aulas.

Pode parecer estranho, ter ficado tão chateado por um pneu vazio ou por perder uma aula de 90 minutos – consegui chegar à escola às 10:10h – e deixar que isto me estrague o dia mas, se vos disser que foi a minha primeira falta este ano lectivo, tirando as greves que fiz todas, vão entender o porquê da minha depressão.


Bueno: se alguém precisar palitar os dentes, eu guardei o pau de fósforo.

Nota: este texto que eu queria que entrasse com data de 4 de Fevereiro, só o consegui concluir à 01:25h de dia 5, mas vou dormir de consciência lavada.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

IMPUNIDADE

Diante do aumento da violência no nosso país, a população em geral sente-se cada vez mais vulnerável ao poder dos marginais e à inoperância da polícia e do Estado também, no que diz respeito à segurança pública. A verdadeira guerra não está nos campos de batalha ou em Gaza, tampouco no Iraque, mas aqui, bem próxima de nós, nas ruas das inúmeras cidades Portuguesas, especialmente na zona da Grande Lisboa.

Mas, pasme-se, não só nas ruas, também nas escolas a violência impera.
No pais inteiro, escolas estão sendo covardemente tomadas pela violência e, não obstante, alunos estão tornando-se criminosos e agem de forma brutal, devido à sensação de impunidade que impera e que as novas leis têm vindo a fomentar.

São alunos com medo de saírem das suas casas, são estudantes com medo, pavor de irem às escolas, pois nunca sabem se vão para aprender ou serão, mais uma vez, espectadores ou vítimas da violência. E, por incrível que pareça, haverá quem diga que, no país está tudo sob controlo.

Mesmo depois da polémica gerada à volta do vídeo do telemóvel?
Será que não deu para entender que aquilo era só a ponta do iceberg?

Mas, na minha escola, agora ultrapassou-se todos os limites. Aos Ganges que por lá andam, e que fazem do seu covil o bar da escola, deu-lhes para começar a agredir também os professores. Na 2ª feira, uma colega quando entrava no bar, foi agredida e, apesar de no momento não ter sentido grande dor, acabou num centro de saúde com uma forte dor de cabeça, e ficou de atestado o resto da semana. Penso que não foi pela lesão mas, antes, pelo pânico em que entrou, só de pensar em voltar aquela escola. E como está à beira de se reformar, até calculo que não volte a por mais lá os pés. Nem para participar a agressão, deixando assim que o agressor fique, mais uma vez, impune. Ou porque talvez ache que isso não iria adiantar muito …
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Na 5ª feira tocou-me a mim. Fui eu, enquanto estava de costas a falar com um aluno que se encontrava encostado à parede do bar, que fui agredido cobardemente, à traição, por um aluno que eu nunca vi. Só que comigo as coisas não vão ficar assim e, como acredito pouco na justeza dos Processo Disciplinares daquela escola, grande responsável pela impunidade que os alunos desfrutam, já activei vários mecanismos para que, mais uma vez, os alunos não se fiquem a rir. E desta vez, vou levar isto até às últimas consequências, doa a quem doer, para que a mim não me volte a doer.
Também eu fiquei com dor de cabeça mas, o que mais me doeu foi a alma, ao sentir na pele, para que lamaçal, a negligência de alguns, arrastou o respeito e a dignidade devida aos professores.

O primeiro passo já está dado aqui, embora saiba que tenho uma longa caminhada à minha frente, não me atemorizo!

A guerra, de facto, não está a ser travada da melhor maneira mas, se assim é, talvez a culpa também seja um pouco nossa, de todos aqueles que perante situações de indisciplina, fazem como a avestruz, às vezes mesmo dentro da sua sala de aula. Mas, isto não pode mais continuar assim, com risco de nos tornar-mos todos vítimas desta violência, que aumenta todos os dias de forma exponencial. Temos que trazer de volta, às nossas escolas, os valores éticos e morais, contra a violência e imoralidade reinante.

Bueno: Enquanto formos coniventes com tamanha desordem que se instaurou nas escolas, estaremos a educar os marginais de amanhã que, farão das nossas ruas e das nossas cidades o palco para a sua guerra civil.