sábado, 18 de abril de 2009

Susan Boyle - A Irmã de Florence Foster Jenkins ou não Julgues pelas aparências

Introdução

Para quem nunca tenha ouvido falar de Florence Foster Jenkins, deixo aqui este vídeo para depois de o verem continuarmos a falar:




Pois é, esta excêntrica milionária americana, cantava como uma cachorra mas, tinha dinheiro suficiente para editar os seus próprios discos e montar os seus espectáculos – alugando salas de teatro e contratando orquestras completas. Também tinha influencia social suficiente, ou quanto baste, para obrigar a fina flor da sociedade a comprar-lhe os discos e assistir aos espectáculos que ele montava. No final nunca tinha prejuízo e em muitos casos até chegava a obter grandes lucros. Tudo muito semelhante à nossa Natalina de Sousa, aquela que o Herman gostava muito de imitar no Tal Canal; que cantava a área “VERDE, O MEU AMOR É VERDE”; lembram-se? Igual, mas em grande, à americana! A nossa Natalina não chegava a ser um sucedâneo da Florence, nem conseguia desafinar com a mesma categoria. Não lhe chegava aos calcanhares.

I Capítulo - De morrer a rir

Agora que esta introdução ilustrada e audível está feita, para que os menos melómanos também possam entender do que falo, vamos ao que interessa:
Recebi um e-mail dizendo “Vale a pena ouvir” seguido de um endereço do Youtube onde eu carreguei de imediato, para ver do que se tratava, dado conhecer o bom gosto do remetente.
Devo confessar que o que se seguiu ultrapassou todo o que eu poderia estar à espera, em particular porque fiz juízos precipitados, julgando apenas pelas aparências do que me foi mostrado nos primeiros segundos: aquele lanchinho, aqueles esgares, aquele meneio de cintura, aquela roupa, aqueles sapatinhos, aquele penteado...enfim... aquela figura recheada de tudo aquilo que nos serve de (más)referências!
Ao ver a personagem que apareceu nas imagens a falar com os entrevistadores, pensei logo para comigo: Ai vem outra Florence, isto deve ser de morrer a rir – dai a introdução que tive que fazer. E quando percebi que ia cantar uma das minhas músicas favoritas "I Dreamed a Dream", ainda mais se me tornou presente o ruído da voz da Florence a cantar "Der Hölle Rache" da Die Zauberflöte de Mozart ("A Rainha da Noite" da Fláuta Mágica) outro top 10 das minhas preferências.

II Capítulo - De ir às lágrimas

Eu podia já escrever agora a conclusão mas isso iria estragar a surpresa que vos aguarda por isso vamos deixar as conclusões para o final e antes vejam o vídeo que se segue.
Apenas adianto que é de ir as lágrimas, e não deve ser visionado por gente em período de sensibilidade mais acentuado. Também não é aconselhável a homens lamechas nem a mulheres menstruadas ou grávidas.
Bom visionamento e tenham muitos lenços de papel à mão e não deixem de reparar no sorriso que ela faz antes de começar a cantar; de certo que ela já sabia o que nos ia oferecer e a estupefacção que iria provocar em todos nós, se não, não teria rido daquela maneira... riu de quem? De nós e riu-se muito bem!

Desculpem não poder apresentar aqui o vídeo pois, a incorporação foi desactivada mediante solicitação dos autores do programa, por isso, vão ter que ir vê-lo ao youtube no link abaixo – mas vão antes de continuar a ler e no final façam retroceder porque saíram desta pagina, não se esqueçam.
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Choraram?
Houve lagrimazinhas traiçoeiras?
Não sei se lhes aconteceu o mesmo que a mim mas, quando ela fez soar as primeiras notas, senti-me um idiota de um preconceituoso. Como podemos andar por aí julgando as pessoas que não conhecemos de parte alguma só pela sua aparência?
Eu comovi-me bastante; e depois? Não posso, não?
Não choram também os homens?
Deve ser muito lamechas ou estar a atravessar um período de maior sensibilidade, pensam os mais machos e machas. Não me importo: Há quem goste de mim assim como sou… e nem são assim tão poucas pessoas!
Consola-me ver que, também o júri, sentiu o mesmo e não teve vergonha de traduzir muito bem todos estes sentimentos: Incredulidade de início, espanto e estupefacção depois e engolindo em seco - Rendeu-se, tal como todo o público que, também pensava da mesma maneira e que teve que se vergar a tão enorme talento e maravilhosa voz que vendo-se obrigado a render-lhe homenagem começando e acabando a aplaudir de pé.
Mas também devo confessar, para ser totalmente honesto, que parte das lágrimas foram de raiva e de desgosto por pertencer a esta categoria de primatas que se deixa rasteirar a todo o momento por um cérebro que pensa... de mais?… mas só pensa, nunca aprende nada!
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Bueno: Por gente como nós é que à mulher de César não basta ser honesta, tem que parece-lo.
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P.S: Para quem nunca foi a Londres ver Les Miserable deixo aqui este video para poderem comparar com o original - "I Dreamed a Dream" cantado por Gunilla Backman no papel de Fantine:

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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Canção dos Xutos transformada em manifesto contra Sócrates

XUTOS os nossos Ray Fernandez à Portuguesa




A letra do tema

Sem eira nem beira

Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou-bem

Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar/Despedir
E ainda se ficam a rir
Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor

Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir/Encontrar
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer

É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir
Ainda espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar/A enganar
o povo que acreditou

Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a foder

Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão


Bueno: E a música ainda só está no Youtube

terça-feira, 14 de abril de 2009

LI MUITO E ESCREVI MUITO POUCO NESTAS FÉRIAS

Tirei estas Férias para ler mais do que para viajar. O tempo ajudou; nem praia nem passeios. Uma das muitas vantagens da leitura é que se viaja e descansa ao mesmo tempo. Já quando se viaja, descansa-se muito pouco, normalmente, quando voltamos, chegamos a precisar de férias. Contudo, não li tanto como tinha planeado.

Nem todo o que leio é de interesse público, mas desta vez faço questão que conste. Comecei por acabar de ler o último do Richard Zimler, “Confundir a Cidade com o Mar”; Umas quantas historietas, piores ou melhores engendradas mas, nada que se compare à saga da Família Zarco, em especial o primeiro - “O Último Cabalista de Lisboa” e muito em particular o último – “A Sétima Porta”, que se passa todo em Berlin do pré e pós guerra. Depois fui reler as “Memórias de Adriano” que nunca o tinha feito e quando as li por primeira vez ainda não era um homem feito e como tal incapaz de abranger tanta profundidade, sabedoria, cultura e humanismo; Quando acabei conclui que ainda tenho que crescer muito para me poder considerar essa coisa a que se chega com maior facilidade quando se vai à tropa; Mas eu não fui e assim, fico na dúvida, se serei sempre um homem por fazer?

A primeira vez que li este romance histórico não tinha tanta informação ao meu dispor e com a facilidade com que hoje se obtém: não havia net. Por isso, por mais que quisesse e me interessasse, era difícil informar-me e aprofundar o tema. Hoje, à distância de um clique, foi possível, saber mais em dois dias, do que na época, em vinte anos de pesquisa dedicada: Marguerite que o diga, precisou de quase toda uma vida.

Por isso, apesar de não ter viajado muito estas férias, este livro fez-me fazer planos para uma próxima viagem… A Cidade Eterna… of cuorse mas, desta vez, com um objectivo bem diferente dos das outras em que lá estive. Não vou desaproveitar os dias desfrutando das noites como na última, nem vou mortificar a carne em vigílias e procissões de Domingo de Ramos em redor do Coliseu como na primeira. A minha sinusite já não suporta uma exposição solar prolongada em S. Pedro, assistindo a missas intermináveis, para vibrar de emoção ao ouvir o Papa dizer umas palavras em português. E deste Papa, não quero ouvir grande coisa: já ouvi o suficiente. Ainda se desse para lhe ver os sapatos, da mesma grife que veste o diabo. Até o Museu do Vaticano está visto e revisto, devo ser dos poucos privilegiados que já viram a Capela Sistina antes e depois do restauro.

Por isso, os meus planos para quando voltar a Roma, estão dirigidos à campaña nos arredores da cidade. Talvez volte a Villa D’Este e aos Jardins de Tivoli mas, quando para ai me dirigir, o meu objectivo, e o que eu vou querer mesmo visitar com toda a profundidade, é a Villa Adriano, ou melhor, o que resta dela - as suas ruínas. Mas, mesmo em ruínas, vai valer a pena; Não é só o grande lago e as estátuas de gesso que lá foram postas para dar uma ideia do original, é tudo o que nos últimos anos tem sido posto a descoberto nas sucessivas campanhas de escavações, mesmo que isso ainda as deixe muito aquém das ruínas de Pompeia ou de Herculano a quem o Vesúvio eternizou, mas que nunca terão as mesmas memórias. Que se saiba, Antinoo nunca desfrutou dos encantos da costa Amalfitana nem participou das lascividades de Tiberius na sua Villa Jovis na Península de Sorrento em Capri.

Estas leituras, com a preciosa ajuda da net, levaram-me a descobrir muita coisa que, há vinte cinco anos atrás, nem sequer imaginava que existiam, mesmo já admirando Pessoa e devorar Sá-Carneiro. Nunca podia ter imaginado que o primeiro tivesse escrito, em inglês, este poema de que deixo aqui algumas estrofes para aguçar a curiosidade de quem gostar e quiser aprofundar o tema.

Antínoo (trechos)
Oh mãos que já apertaram as de Adriano quentes,
Cuja frieza agora as sente frias!
Oh cabelo antes preso pelo penteado justo!
Oh olhos algo inquietantemente ousados!
Oh simples macho corpo feminino
qual o aparentar-se um Deus à humanidade!
Oh lábios cujo abrir vermelho titilava
os sítios da luxúria com tanta arte viva!
Oh dedos que hábeis eram no de não ser dito!
Oh língua que na língua o sangue audaz tornava!
Oh regência total do entronizado cio
Na suspensão dispersa da consciência em fúria!
Estas coisas que não mais serão.
A chuva é silenciosa, e o Imperador descai ao pé do leito.
A sua dor é fúria,
Porque levam os deuses a vida que dão
e a beleza destroem que fizeram viva.
Chora e sabe que as épocas futuras o fitam do âmago do vir a ser;
O seu amor está num palco universal;
Mil olhos não nascidos choram-lhe a miséria.

Antínoo é morto, é morto para sempre,
É morto para sempre, e os amores todos gemem.
A própria Vénus, que de Adónis foi amante,
Ao vê-lo então revivo, ora morto de novo,
Empresta renovada a sua antiga mágoa
Para que seja unida à dor de Adriano

(...)
 
(poesia originalmente escrita em inglês, tradução de Jorge de Sena)

Bueno: Não é difícil entender porque o Imperador te amou tanto. Ou não?

P.S. Já comecei outro livro, que também estou a devorar, mas que me está a ser muito indigesto “ O Quarto de Hospedes” – depois falo dele.
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domingo, 12 de abril de 2009

Ray Fernandez

Entrevista a Ray Fernandez

H.
En tu canción El librero, después de hacer una selección exquisita de autores y libros dices "..a mí los libros no me enseñaron ná" ¿Qué es para ti la literatura?

R. Chico, la literatura me apasiona, y mi canción "El Librero" es un juguete, una paradoja, pongo en boca de un personaje de ficción muchas de mis contradicciones. A veces uno encuentra en los libros cosas que intuía desde siempre, pero que nunca las había aprehendido, funciona entonces el libro como una suerte de espejo. Soy muy pusilánime, de eso esta impregnado también el librero, pero ya te dije antes que ese tema es un juguete, disfruto mucho cantándolo y escuchando luego a las personas cuando se me acercan preguntando: - pero ven acá compadre, como es posible que los libros no te hayan enseñado ná si te pasas la canción entera presumiendo y hablando de cosas que solo un lector compulsivo puede saber- y eso es lo que me gusta a mi, que la gente se cuestione cosas y se me acerque.



El trovador cubano Ray Fernández canta y toca la guitarra en el bar Fresa y Chocolate de La Habana

Tradução:

H. Na tua canção El librero, depois de fazer uma selecção esquisita de autores e livros “…a mí los libros no me enseñaron ná"; O que é para ti a literatura?


R. Rapaz, a literatura apaixona-me, e a minha canção “El Librero” é um jogo, um paradoxo, ponho na boca de uma personagem de ficção muitas das minhas contradições. Às vezes uma pessoa encontra nos livros coisas que intuía desde sempre, mas que nunca as tinha apreendido, funciona então o livro como uma forma de espelho. Sou muito pusilânime, disso está impregnado também o livro, mas já te disse antes que esse tema é um jogo, desfruto muito cantando-o e escutando depois as pessoas quando se aproximam perguntando: - mas vem cá compadre, como é possível, que os livros não te tenham ensinado nada se passas a canção inteira a presumir e falando de coisas que só um leitor compulsivo pode saber? – e isso é o que ma agrada a mim, que as pessoas se questionem coisas e se me aproximem.


Preguntas: Hugo Torres Hernández
Respostas: Ray Fernández
Tradução: Minha; lol


Bueno: Ainda há música para além da Revolução
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El Librero

A pedido de muitas famílias – Finalmente o vídeo que tinha desaparecido do Youtube… já está aqui...
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O LIVREIRO

O que sei… o que sei não o aprendi na rua
O que sei foi estudando, e que vá
Foram tantas e tantas leituras
Que a larga medida total
Foram tantos e tantos os livros
A mim os livros me confundiram mais
Eu lhes dou este são conselho
A todo aquele que gosta de ler
Quem pretenda chegar a velho
Que aprenda a desconfiar do papel
Porque o Papel … O papel de nobreza aparente
Que o inventa sem tinta e sem tonga
Evito o tom que é tão resistente
Suporta todo o que se lhe ponha
Façam fila, estou oferecendo
A minha literatura universal
Há Goethe, Victor Hugo, Cervante
Dostoievki, Nietzsche e Thomas Mann
Façam fila para literatura
Vem mais quentinho que o pão
Mário Puzo (...)
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Bueno: Amanhã traduzo o resto... a melhor parte ainda está para vir.
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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Sem caroço

E assim chegámos à Pascoa.
Sem ovos nem galinhas... sim... sim, nem galinhas!
As poucas que havia eram de água,
atravessaram o tejo a nado.
Só voltam quando construirem a nova ponte e o TGV.
Esqueceram-se de nós
Lembrar para que?
Só sobraram más recordações.



Bueno: Amendoa a amendoa enchem as coelhinhas o papo...

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