Tirei estas Férias para ler mais do que para viajar. O tempo ajudou; nem praia nem passeios. Uma das muitas vantagens da leitura é que se viaja e descansa ao mesmo tempo. Já quando se viaja, descansa-se muito pouco, normalmente, quando voltamos, chegamos a precisar de férias. Contudo, não li tanto como tinha planeado.
Nem todo o que leio é de interesse público, mas desta vez faço questão que conste. Comecei por acabar de ler o último do Richard Zimler, “Confundir a Cidade com o Mar”; Umas quantas historietas, piores ou melhores engendradas mas, nada que se compare à saga da Família Zarco, em especial o primeiro - “O Último Cabalista de Lisboa” e muito em particular o último – “A Sétima Porta”, que se passa todo em Berlin do pré e pós guerra. Depois fui reler as “Memórias de Adriano” que nunca o tinha feito e quando as li por primeira vez ainda não era um homem feito e como tal incapaz de abranger tanta profundidade, sabedoria, cultura e humanismo; Quando acabei conclui que ainda tenho que crescer muito para me poder considerar essa coisa a que se chega com maior facilidade quando se vai à tropa; Mas eu não fui e assim, fico na dúvida, se serei sempre um homem por fazer?
A primeira vez que li este romance histórico não tinha tanta informação ao meu dispor e com a facilidade com que hoje se obtém: não havia net. Por isso, por mais que quisesse e me interessasse, era difícil informar-me e aprofundar o tema. Hoje, à distância de um clique, foi possível, saber mais em dois dias, do que na época, em vinte anos de pesquisa dedicada: Marguerite que o diga, precisou de quase toda uma vida.
Por isso, apesar de não ter viajado muito estas férias, este livro fez-me fazer planos para uma próxima viagem… A Cidade Eterna… of cuorse mas, desta vez, com um objectivo bem diferente dos das outras em que lá estive. Não vou desaproveitar os dias desfrutando das noites como na última, nem vou mortificar a carne em vigílias e procissões de Domingo de Ramos em redor do Coliseu como na primeira. A minha sinusite já não suporta uma exposição solar prolongada em S. Pedro, assistindo a missas intermináveis, para vibrar de emoção ao ouvir o Papa dizer umas palavras em português. E deste Papa, não quero ouvir grande coisa: já ouvi o suficiente. Ainda se desse para lhe ver os sapatos, da mesma grife que veste o diabo. Até o Museu do Vaticano está visto e revisto, devo ser dos poucos privilegiados que já viram a Capela Sistina antes e depois do restauro.
Por isso, os meus planos para quando voltar a Roma, estão dirigidos à campaña nos arredores da cidade. Talvez volte a Villa D’Este e aos Jardins de Tivoli mas, quando para ai me dirigir, o meu objectivo, e o que eu vou querer mesmo visitar com toda a profundidade, é a Villa Adriano, ou melhor, o que resta dela - as suas ruínas. Mas, mesmo em ruínas, vai valer a pena; Não é só o grande lago e as estátuas de gesso que lá foram postas para dar uma ideia do original, é tudo o que nos últimos anos tem sido posto a descoberto nas sucessivas campanhas de escavações, mesmo que isso ainda as deixe muito aquém das ruínas de Pompeia ou de Herculano a quem o Vesúvio eternizou, mas que nunca terão as mesmas memórias. Que se saiba, Antinoo nunca desfrutou dos encantos da costa Amalfitana nem participou das lascividades de Tiberius na sua Villa Jovis na Península de Sorrento em Capri.
Estas leituras, com a preciosa ajuda da net, levaram-me a descobrir muita coisa que, há vinte cinco anos atrás, nem sequer imaginava que existiam, mesmo já admirando Pessoa e devorar Sá-Carneiro. Nunca podia ter imaginado que o primeiro tivesse escrito, em inglês, este poema de que deixo aqui algumas estrofes para aguçar a curiosidade de quem gostar e quiser aprofundar o tema.
Nem todo o que leio é de interesse público, mas desta vez faço questão que conste. Comecei por acabar de ler o último do Richard Zimler, “Confundir a Cidade com o Mar”; Umas quantas historietas, piores ou melhores engendradas mas, nada que se compare à saga da Família Zarco, em especial o primeiro - “O Último Cabalista de Lisboa” e muito em particular o último – “A Sétima Porta”, que se passa todo em Berlin do pré e pós guerra. Depois fui reler as “Memórias de Adriano” que nunca o tinha feito e quando as li por primeira vez ainda não era um homem feito e como tal incapaz de abranger tanta profundidade, sabedoria, cultura e humanismo; Quando acabei conclui que ainda tenho que crescer muito para me poder considerar essa coisa a que se chega com maior facilidade quando se vai à tropa; Mas eu não fui e assim, fico na dúvida, se serei sempre um homem por fazer?
A primeira vez que li este romance histórico não tinha tanta informação ao meu dispor e com a facilidade com que hoje se obtém: não havia net. Por isso, por mais que quisesse e me interessasse, era difícil informar-me e aprofundar o tema. Hoje, à distância de um clique, foi possível, saber mais em dois dias, do que na época, em vinte anos de pesquisa dedicada: Marguerite que o diga, precisou de quase toda uma vida.
Por isso, apesar de não ter viajado muito estas férias, este livro fez-me fazer planos para uma próxima viagem… A Cidade Eterna… of cuorse mas, desta vez, com um objectivo bem diferente dos das outras em que lá estive. Não vou desaproveitar os dias desfrutando das noites como na última, nem vou mortificar a carne em vigílias e procissões de Domingo de Ramos em redor do Coliseu como na primeira. A minha sinusite já não suporta uma exposição solar prolongada em S. Pedro, assistindo a missas intermináveis, para vibrar de emoção ao ouvir o Papa dizer umas palavras em português. E deste Papa, não quero ouvir grande coisa: já ouvi o suficiente. Ainda se desse para lhe ver os sapatos, da mesma grife que veste o diabo. Até o Museu do Vaticano está visto e revisto, devo ser dos poucos privilegiados que já viram a Capela Sistina antes e depois do restauro.
Por isso, os meus planos para quando voltar a Roma, estão dirigidos à campaña nos arredores da cidade. Talvez volte a Villa D’Este e aos Jardins de Tivoli mas, quando para ai me dirigir, o meu objectivo, e o que eu vou querer mesmo visitar com toda a profundidade, é a Villa Adriano, ou melhor, o que resta dela - as suas ruínas. Mas, mesmo em ruínas, vai valer a pena; Não é só o grande lago e as estátuas de gesso que lá foram postas para dar uma ideia do original, é tudo o que nos últimos anos tem sido posto a descoberto nas sucessivas campanhas de escavações, mesmo que isso ainda as deixe muito aquém das ruínas de Pompeia ou de Herculano a quem o Vesúvio eternizou, mas que nunca terão as mesmas memórias. Que se saiba, Antinoo nunca desfrutou dos encantos da costa Amalfitana nem participou das lascividades de Tiberius na sua Villa Jovis na Península de Sorrento em Capri.
Estas leituras, com a preciosa ajuda da net, levaram-me a descobrir muita coisa que, há vinte cinco anos atrás, nem sequer imaginava que existiam, mesmo já admirando Pessoa e devorar Sá-Carneiro. Nunca podia ter imaginado que o primeiro tivesse escrito, em inglês, este poema de que deixo aqui algumas estrofes para aguçar a curiosidade de quem gostar e quiser aprofundar o tema.
Antínoo (trechos)Oh mãos que já apertaram as de Adriano quentes,
Cuja frieza agora as sente frias!
Oh cabelo antes preso pelo penteado justo!
Oh olhos algo inquietantemente ousados!
Oh simples macho corpo feminino
qual o aparentar-se um Deus à humanidade!
Oh lábios cujo abrir vermelho titilava
os sítios da luxúria com tanta arte viva!
Oh dedos que hábeis eram no de não ser dito!
Oh língua que na língua o sangue audaz tornava!
Oh regência total do entronizado cio
Na suspensão dispersa da consciência em fúria!
Estas coisas que não mais serão.
A chuva é silenciosa, e o Imperador descai ao pé do leito.
A sua dor é fúria,
Porque levam os deuses a vida que dão
e a beleza destroem que fizeram viva.
Chora e sabe que as épocas futuras o fitam do âmago do vir a ser;
O seu amor está num palco universal;
Mil olhos não nascidos choram-lhe a miséria.
Antínoo é morto, é morto para sempre,
É morto para sempre, e os amores todos gemem.
A própria Vénus, que de Adónis foi amante,
Ao vê-lo então revivo, ora morto de novo,
Empresta renovada a sua antiga mágoa
Para que seja unida à dor de Adriano
(...)
Chora e sabe que as épocas futuras o fitam do âmago do vir a ser;O seu amor está num palco universal;
Mil olhos não nascidos choram-lhe a miséria.
Antínoo é morto, é morto para sempre,
É morto para sempre, e os amores todos gemem.
A própria Vénus, que de Adónis foi amante,
Ao vê-lo então revivo, ora morto de novo,
Empresta renovada a sua antiga mágoa
Para que seja unida à dor de Adriano
(...)
Bueno: Não é difícil entender porque o Imperador te amou tanto. Ou não?
P.S. Já comecei outro livro, que também estou a devorar, mas que me está a ser muito indigesto “ O Quarto de Hospedes” – depois falo dele.
.


2 comentários:
Talvez sejamos mais interessantes como o homem incompleto.
Muito bem Príncipe! Não sabia que era tão grande a tua sabedoria... Já não pareces um comum mortal!Desta vez já não vou parar de ler-te...
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