terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

À ESPERA QUE A TTT CHEGUE ou Não me matem a esperança

Este fim-de-semana tive que me debater com a depressão causada por uma das piores desilusões dos últimos tempos - A morte da esperança de mudar de escola para os próximos quatro anos ou, quem sabe, se para o resto da vida!

Depois de se anunciar a possibilidade de existir um concurso que permitisse a mobilidade dos professores titulares, alimentei a secreta esperança de, se isso viesse a acontecer, haveria vagas em número suficientes e em escolas que me agradassem, de modo a que pudesse finalmente abandonar a escola em que me encontro paralisado há alguns anos.

Quando o concurso finalmente saiu, para além de um prazo diminuto para concorrer, trazia também a desagradável surpresa das vagas postas a concurso. No caso do meu grupo, em todo o Distrito de Lisboa, existiam somente três vagas: Uma em Alenquer, outra na Ramada e a última num sítio qualquer, também do concelho de Loures, que já nem me lembro do nome.

Fiquei, até sexta-feira sem saber o que fazer, enquanto toda a gente à minha roda dizia que era desta que ia dali para fora … E levei esse dia todo a contar os minutos que faltavam para que ainda pudesse tomar a minha decisão, mas não me decido. Ou melhor, decidi que não me ia decidir a concorrer. E agora, tenho no horizonte, dos meus próximos quatro ano, as turbulências próprias de um céu negro e deprimente.

Agora digam-me: Que esperança me resta com a tempestade que se adivinha?
Nenhuma?
Não!
Nego-me a pensar que estou condenado a passar mais quatro anos num covil desgovernado.
Mais quatro anos a dar aulas numa sala de “desenho” em que o lavatório não funciona, em que temos que carregar água a baldes e em que as alunas, quando precisam de lavar as mãos os pincéis ou os godés, têm que utilizar as instalações sanitárias das funcionárias. E isto dura desde que me transferiram da sala sete onde as condições logísticas eram minimamente aceitáveis, apesar do frio ser o mesmo. No Inverno a temperatura chega a ser cinco graus mais baixa que na rua e este ano por várias vezes as alunas recusaram-se a entrar e permanecer lá dentro noventa ou ainda mais minutos.

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Nego-me a continuar a fazer um esforço enorme para exercer a minha profissão com um mínimo de qualidade didáctica, a ter que continuar a fazer omeletas sem ovos e estas serem comidas por quem não mexe um dedo para as merecer e depois nem dá nenhum elogio ao cozinheiro. Não quero reconhecimento. Queria dignidade. Mas agora já me cansei! Agora já não quero mais nada. Já não espero que possa vir nada de bom daquelas bandas. Agora o que eu queria mesmo era sair dali para fora.

Mas ainda me resta alguma esperança de não ter que cumprir quatro anos de pena, num sistema onde o bom comportado não vale de nada. Não é reconhecido. O mau talvez? Sim, existe a esperança da nova ponte poder vir a amnistiar a minha pena. Existe sim, a possibilidade da ponte chegar antes que os quatro anos se cumpram na íntegra. E como a esperança é a última a morrer…

Bueno: Era contra a TTT (Terceira Travessia do Tejo), agora já sou a favor. E que venha logo!
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11 comentários:

Anónimo disse...

Mas, que dramas...A Ramada fica já ali...aqui, junto de mim, e é tão perto. Bom, resta-te a arte como consolação metafísica para a vida. Desdramatiza...Na revelação mística que se dá no artista criador ou na alma do poeta lírico, o génio demiúrgico, criador do mundo, vem sempre à presença, desoculta-se. A verdade como desvelamento está para o herói trágico e para o verdadeiro artista como o lirismo está para o poeta inspirado. Do trágico brota sempre a alegria primordial. Tem calma... Procura a força unificadora do Todo na música trágica, do primeiro Wagner, no 3º acto de Tristão e Isolda, por exemplo. Convida as tuas meninas a pintarem os seres hibrídos do Hieronymus Bosch. Sei lá... Desenrasca-te... Vai à luta que se faz tarde!...

antonio ganhão disse...

Atendendo a que o autor não gosta muito de vir cá abaixo, onde a conservação e higiene em geral é digna de uma escola pública no centro da nossa capital quase imperial, não vou colocar nenhuma questão.

Mas entre meninas e godés seguramente que se consegue encontrar alguma esperança, e para o ano tens nova ministra! (mesmo primero ministro)

antonio ganhão disse...

Informo que instalei um upgrade para primeira classe na minha zona de comentários... podes ir comentar.

Anónimo disse...

Acho que fizeste muito mal em não concorrer à Ramada. Uma óptima escola, uma optima autarquia- apoia imenso as escolas- e ias ao contrário do trânsito. Meia hora, se tanto. Conheço uma pessoa que era muito maltratada, numa escola de Lisboa, resolveu concorrer para a Ramada e diz que vale a pena o sacrifício da distancia. Tratam-na muito bem e reconhecem o valor que trouxe à escola.E depois, essas escolas são novas, têm pessoas que falam a tua linguagem e são da tua idade. Na ESAD és um incompreendido. Insuficientemente amado, pouco aproveitado pelas chefias. E, no fim de conta, por debaixo de toda essa tua rebeldia e irreverência és tão amigo, doce e dedicado.Mas é preciso descobrir-te. Dá trabalho.
Em qualquer escola serias acarinhado, aproveitado ao centímetro.

Anónimo disse...

Nesta época do relativismo ético e não querendo parecer ser trabalhóloga, hoje, mudei de ideias...Acho que vou concorrer à ESAD, no próximo concurso... Há por lá muito "trabalhinho-higienização" a desenvolver por pessoas com convicções profundas, inspiradas e dedicadas. São as grandes causas defendidas que nos dão ampla visão e vontade de mudança dos contextos.

Deusa da Rectidão (a casa que o amor construiu).

Anónimo disse...

bem...realmente ate tem a sua razaum... as condições naquela "salinha" n são as melhores pois nós alunas e que nos lixamos...

axu k u problema deste pais e existirem professores do seu nivel... vai ter que se aguentar mais 4aninhus.. e esperar por um futuro melhor numa escola sem grande futuro a vista...

Anónimo disse...

Deusa... és uma verdadeira brincalhona. Lol
Gostas de ironia, não é ? Concorrer à ESAD... Bom, com os teus poderes mágicos ainda lá vais parar. Já vi que gostas de dar aulas com os pés de molho, nas oficinas, e pregar no deserto. Interessam-te os terrenos pantanosos... evangelizar os ímpios...as causas perdidas. És uma deusa de armas. Atena?
Os deuses não se molham nem queimam, mas podem estar loucos. Lol

Anónimo disse...

Deusa, deusa, és uma brincalhona...
Concorrer à Esad ... Lol ... quando toda a gente quer de lá fugir, inclusivé os ratos do refeitório !!! Tens poderes mágicos que te tornam auto-imune às sete pragas?

(Ou então és amante da ironia nas horas vagas...)

Já vi que aprecias causas dificeis, terrenos pantanosos, pregar no deserto, converter os ímpios...
Os deuses não se molham nem queimam , mas podem estar loucos ! LOL

Anónimo disse...

Façam um esforço e irão concluir que aquilo é uma ilha exótica e a vida é uma verdadeira selva cá fora e não lá dentro...

"É só sorrir e acenar, rapazes!",
como no "Madagáscar"...

De:
Medusa (não se esqueçam que com a cabeça dela Perseu petrificou os mortais todos...)

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Anónimo disse...

Olá professor, daqui quem fala e a Ana Rodrigues do PTAI2B
o seu blogger está muito engraçado…lalalala
eu sei que você não gosta de mim mas mesmo assim vim escrever-lhe uma mensagem!
beijinhos da sua aluna Ana.