domingo, 1 de fevereiro de 2009

IMPUNIDADE

Diante do aumento da violência no nosso país, a população em geral sente-se cada vez mais vulnerável ao poder dos marginais e à inoperância da polícia e do Estado também, no que diz respeito à segurança pública. A verdadeira guerra não está nos campos de batalha ou em Gaza, tampouco no Iraque, mas aqui, bem próxima de nós, nas ruas das inúmeras cidades Portuguesas, especialmente na zona da Grande Lisboa.

Mas, pasme-se, não só nas ruas, também nas escolas a violência impera.
No pais inteiro, escolas estão sendo covardemente tomadas pela violência e, não obstante, alunos estão tornando-se criminosos e agem de forma brutal, devido à sensação de impunidade que impera e que as novas leis têm vindo a fomentar.

São alunos com medo de saírem das suas casas, são estudantes com medo, pavor de irem às escolas, pois nunca sabem se vão para aprender ou serão, mais uma vez, espectadores ou vítimas da violência. E, por incrível que pareça, haverá quem diga que, no país está tudo sob controlo.

Mesmo depois da polémica gerada à volta do vídeo do telemóvel?
Será que não deu para entender que aquilo era só a ponta do iceberg?

Mas, na minha escola, agora ultrapassou-se todos os limites. Aos Ganges que por lá andam, e que fazem do seu covil o bar da escola, deu-lhes para começar a agredir também os professores. Na 2ª feira, uma colega quando entrava no bar, foi agredida e, apesar de no momento não ter sentido grande dor, acabou num centro de saúde com uma forte dor de cabeça, e ficou de atestado o resto da semana. Penso que não foi pela lesão mas, antes, pelo pânico em que entrou, só de pensar em voltar aquela escola. E como está à beira de se reformar, até calculo que não volte a por mais lá os pés. Nem para participar a agressão, deixando assim que o agressor fique, mais uma vez, impune. Ou porque talvez ache que isso não iria adiantar muito …
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Na 5ª feira tocou-me a mim. Fui eu, enquanto estava de costas a falar com um aluno que se encontrava encostado à parede do bar, que fui agredido cobardemente, à traição, por um aluno que eu nunca vi. Só que comigo as coisas não vão ficar assim e, como acredito pouco na justeza dos Processo Disciplinares daquela escola, grande responsável pela impunidade que os alunos desfrutam, já activei vários mecanismos para que, mais uma vez, os alunos não se fiquem a rir. E desta vez, vou levar isto até às últimas consequências, doa a quem doer, para que a mim não me volte a doer.
Também eu fiquei com dor de cabeça mas, o que mais me doeu foi a alma, ao sentir na pele, para que lamaçal, a negligência de alguns, arrastou o respeito e a dignidade devida aos professores.

O primeiro passo já está dado aqui, embora saiba que tenho uma longa caminhada à minha frente, não me atemorizo!

A guerra, de facto, não está a ser travada da melhor maneira mas, se assim é, talvez a culpa também seja um pouco nossa, de todos aqueles que perante situações de indisciplina, fazem como a avestruz, às vezes mesmo dentro da sua sala de aula. Mas, isto não pode mais continuar assim, com risco de nos tornar-mos todos vítimas desta violência, que aumenta todos os dias de forma exponencial. Temos que trazer de volta, às nossas escolas, os valores éticos e morais, contra a violência e imoralidade reinante.

Bueno: Enquanto formos coniventes com tamanha desordem que se instaurou nas escolas, estaremos a educar os marginais de amanhã que, farão das nossas ruas e das nossas cidades o palco para a sua guerra civil.

30 comentários:

antonio ganhão disse...

Ora! Não dramatizemos, afinal trata-se do percurso normal de um professor. Os professores precisam de se actualizar e até de melhorar a sua forma física. Acreditas que na Baixa da Banheira um professor que levou com uma cadeira no toutiço, atirada pela mãe de um aluno, ficou desmaiado? Desmaiado! Em vez de ter logo iniciado um processo de auto-critica e de promoção de interacção com a realidade social circundante, ficou no chão a dormir!

Anónimo disse...

Não posso imaginar como reagiria a uma situação dessas mas, se bem me conheço, posso garantir que o aluno não se ficava a rir.
Imagino que alguém com a tua experiência e sabedoria, se consiga controlar fazendo uso de bastante sangue frio mas, um novato como eu acho que me teria desgraçado.
Parabéns pela forma inteligente como actuas e parabéns pela forma e coragem como escolheste denunciar as vilezas que acontecem naquele antro a que alguns ainda chamam escola.

Anónimo disse...

Obrigado João pela Coragem demonstrada no teu testemunho do que se anda a passar na nossa Escola. Muito me Honra saber, na qualidade de tua colega, que ainda há pessoas de Bem, Homens com carácter e professores com Tomates.

IRIA CASTANHEIRA.

Anónimo disse...

Eu já não acreditava, pero que los hay, los hay, e o João têm-os no sitio.
Quando for grande quero ser como tu!

Anónimo disse...
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Anónimo disse...

PCE: Um processo disciplinar ao aluno?
Adj PCE: Nem Pensar!
PCE: Quem foi a besta do Prof? (abanando as saias)
Adj PCE: Não sei, mas procuro já nos meus papeis... (enquanto cogita como vai compensar a falta de afecto deste aluno)
PCE: Então? quem é esse porfessor(zeco)?
Adj PCE: olha, olha! é um daqueles que está sempre do contra...
PCE: Então aplico uma repreensão registada ao professor, e vou pensar se também ao aluno.
Adj PCE: Pois, tens razão já abrimos o precedente. ( enquanto chupa um rebuçado)
PCE: já me sinto Director(a)! (sentando-se na cadeira)

A cena termina quando entra o criado de servir.

Anónimo disse...

De que escola está a falar? A denúncia pública do que sucede tem de ser clara e objectiva.
Pelo que oiço contar a amigos meus que são professores, há escolas que promovem a marginalidade e a criminalidade, pela ausência de regras, pela vitimização dos criminosos, pela tolerância dos comportamentos disruptivos e desviantes, pela capitulação face à barbárie, pela aniquilação da dignidade da comunidade escolar para manter o poder, ou tão simplesmente para não ter de mudar de escola.
Uma escola que defende, promove e provilegia os criminosos é uma escola criminosa- um absurdo gigantesco e insuportável.

João P. P. disse...

Insecto - Falo das escolas em geral mas, a que melhor conheço, é aquela onde lecciono . a ASED (Escola Secundárias de Afonso Domingues), fica ali para os lados de Chelas, isso dis-te alguma coisa?

Anónimo disse...

Aqueles marginais, aquela escola e aquela direcção de turma deixam-me um bocadinho histérica.

DT à beira de um ataque de nervos

Anónimo disse...

Eu naõ sabia que havia uma escola assim,carago!! E onde é isso?Chelas?Em que parte de Portugal? Batem na cabeça dos profs? E eles ficam com dor de cabeça? quem bate? Os alunos ou o executivo? E os profs choram? E os alunos choram ou riem-se? E a ministra não diz nada? Mas que bandalheira,carago! E essa escola não aparece nos rankings ,carago?!

Anónimo disse...
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Anónimo disse...

Caro Colega,
Eu ficaria preocupado por si se pudesse, mas não posso!
Eu trabalho(?) numa escola onde acontece exactamente o mesmo. Mas no meu caso o orgão de gestão funciona... Os alunos são punidos quando ultrapassam os limites. Na minha escola os professores são responsáveis e vigiam, controlam, e responsabilizam a gestão e os alunos.
O orgão de gestão da minha escola ouve os professores, toma as necessidades destes como se fossem as suas próprias.
Na minha escola respeitam-se as leis, as normas da escola e sobretudo, o bom-senso.
Na minha escola as escolhas são transparentes, e visam sempre a melhoria das condições dos alunos e dos professores.
Na minha escola essa bandalheira não seria possivel!
Na minha escola vive-se a realidade, e não a alucinação dos laboratórios...
E não posso preocupar-me com a sua situação, porque a minha escola é a sua.

Anónimo disse...

O problema da Escola Afonso Domingues são as lideranças.Estão doentes.
Fraco é o rei que faz fraca a sua forte gente, meus amigos.

Anónimo disse...

Tenho as minhas dúvidas sobre se a "alucinação dos laboratórios..." que alguns julgam ser e/ou confundem com a realidade escolar não constitui o palco e/ou a plataforma para a congeminação com vista à criação de "absurdos gigantescos e insuportáveis"...
Isto sou eu a pensar...,só a pensar..., uma vez que vivo numa democracia estável, e portanto com o direito de fazer uso da liberdade de expressão.
Para quem me conhece, também cultivo o hábito de trabalhar e é exactamente por isso que me preocupo bastante com a situação.

ps. não sei se é possível testar esta hipótese literária, de natureza humanitária, com base em alguma experiência de laboratório, nalgum tubo de ensaio, com alguma substância perigosa...
IRIA CASTANHEIRA

Anónimo disse...

Caro Colega,

Venho finalmente ler a sua denuncia. Curiosamente ou talvez não, esta semana tomei conhecimento de mais outra "agressão" a um professor. E vão 3!
Também recordo aquele aluno que andou a passear pela escola com uma pedra (elemento geologico) para agredir outro aluno (ou professor). uma professora participou e ... e...
Pois nada acontece.

Temos o que merecemos! Quem cala consente.

Anónimo disse...

Essa escola parece um cortiço...
Muitas abelhas operárias (ex-comunistas), uma rainha reinante!
Reinante !? Sim, Reinante!
Reina para os seus!
E anda reinar com outros!

antonio ganhão disse...

Calma nas hostes. Lembram-se da menina dos sete olhos?

No nosso tempo era normal levarmos umas reguadas, isso fazia parte do estímulo à nossa aprendizagem. Depois veio o tempo em que não se podia bater nos alunos. Agora vivemos o tempo em que se pode bater nos professores... é tudo uma questão de evolução.

O país deixou de estar estagnado!

E no fundo, todos os tempos têm a sua menina de sete olhos.

Anónimo disse...

Na Escola Secundária Afonso Domingues, além de vivermos num clima de completa impunidade, onde os alunos praticam diariamente actos de indisciplina grave e, como temos verificado, actos de grande violência, agora também estamos sujeitos à lei da rolha. A Sra. Presidente, que não tem nenhuma autoridade perante os alunos, retira também sistematicamente autoridade aos professores. Sua Exa., tão pronta a desculpabilizar e a ser cúmplice dos alunos, tornou-se muito "enérgica" a mandar calar as queixas de um professor vítima dos seus desvarios e da indisciplina escolar. Mas, para além do abuso de poder da Sra., temos também de reconhecer que, a anarquia que ali vigora só é possível devido ao conformismo social - à demissão pedagógica e cívica - instalado na maioria dos docentes e no Conselho Pedagógico. Por outro lado, esta situação também prova que as instâncias superiores, ou desconhecem aquela triste realidade ou pura e simplesmente não existem. Está nas mão de todos nós, pormos um ponto final naquela deprimente situação. O meu abraço solidário ao João e a todos os professores desautorizados quotidianamente nesta "Escola?".

Anónimo disse...

Como você, que não tem nenhuma necessidade de passar por isso tudo, aguenta tamanha bagunça?
Com o seu dinheiro, no Brasil esses pivetinhos já estariam fazendo tijolo, como os da Candelária mas, se quiser fala comigo que tem aqui muito brasileiro que pode dar uma mãozinha para você.

Anónimo disse...

Recordo o momento,longínquo,da entrada na ESAD e da estranheza que senti perante uma escola,enorme,séria mas julgava eu:uma escola!Logo nos primeiros dias um aluno,que não conhecia,ameaçou-me,ameaçou-me sómente...no dia seguinte tinha ido 10 dias para casa(a mando do Conselho Executivo). Quando voltou, pediu desculpa!
Passaram-se só seis anos e o que aconteceu à Escola?! Há dias um colega disse-me; "Isto já não é uma escola!" concordo e subscrevo. E nós que "vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar"

Continuas a escrever muito bem!
Um Beijo

Arménia

Anónimo disse...

Que tristeza, a Afonso Domingues! Vivemos no reino da impunidade?! Já não bastava a indisciplina, o barulho, os assobios estridentes, o lixo, os corredores cuspidos( um verdadeiro nojo),a sistemática desautorização dos professores, nos casos em que participam; etc, etc...
Agora fazem tiro ao alvo( cabeça dos profs) no Bar!!!Ao que chegámos. E ninguém lhes põe cobro?Ninguem lhes move processos? Não chamam a escola segura? Não os mandam imediatamente para casa?
Mas zurzir nos professores, vale???? Como tu dizes, joão: Bueno!!!Bueno!! Bueno!!!

Anónimo disse...

OLÁ!


cão Descendente?, cão Bisbaixo?, cão Fuso?
Com tantos cães também eu, agora, de repente, fiquei cãofusa ao ler os comentários, e já lá vão 20!
Este é um fenómeno muito interessante..., no teu blog.
Será que existe alguma relação de semelhança entre aquela escola e um canil onde há muito
canito sem Dono??
Gosto de cães que parecem muito disciplinados como os de algumas fotografias...Também não tenho nada contra os cães que ladram mas não mordem..., em princípio.
O sonho dos meus filhos é ter um cão aqui apesar de se tratar de um apartamento. Nem pensar...

Têm muitos na casa da avó... Os cães verdadeiros devem estar no campo. É mais higiénico, vivem em total liberdade, e não necessitam de um Dono(a)/Rainha com uma presença tão forte.
A propósito de animais: também achei muito interessante o comentário do Insectokafkiano...Tenho a impressão de que já o conheço há cerca de 20 anos, de cor e salteado, portanto. Deu um belo e sério contributo e até conhece Chelas!...

Devo estar a ficar, também, alucinada e não dou aulas nos laboratórios!!...Fará se desse!!... Não ligues...

ps. Boa escrita! Vou continuar a ler-te...

Anónimo disse...
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Anónimo disse...

Storzinho querido
tava agora a acabar de ler os ultimmos textos do seu blog e quando ve este nem keria acreditar.
kem se atreveu a baterlhe?
Diga me k eu vou ter com ele e partolhe a cara e se for um daqueles escuros e grandes levo comigo uns amigos aqui do bairro.
Sei que aquela escola não o merece mas fique mais um ano para continuar a ser nosso profexor até nos irmos embora daquele xiqueiro tão porco k ate xeira mal

a sua fã nº1

Anónimo disse...

Up by Just Think

Anónimo disse...

Depois de vos ler a todos.
Não sei se me doi a alma de saber como as coisas estão nessa Quinta Orwelliana.
Ou se me doi a carteira de pagar impostos para sustentar caseiro(a) dessa courela.

Anónimo disse...

e pOntOs saO os dias da afOnsO... aquela escOla desde que entrei la ate agOra mudOu muitO esta cada vez piOr...e bar sujo, sem mesas nem cadeiras, repografia fechada 30min pOr causa de uma caneta,fecharem o bar as 5h (quando devia fechar as 6, mas ha aulas ate as 6.45) pke uma funcionaria nao foi e a outra ja nao tinha que tar ali, e chegar a uma hora e nao haver nada pa comer... e pontos tirando isto e mais umas quanta que aqui estao ditas,começarm0s uma aula 30min dps pke a sala onde deviamos tar a porta nao abre e depois tem de prokurar ota sala e ainda prokurar as xaves!!!tbm outra salas frias ate dixer xega e termos la 90min ou mais (agr ja puseram um akecedor nas salas de cima pk as do corredor d f0ra quase por detras da escola essas nem se lembram dlas!!! mas ofendem-se se veem os alunos a fumar num espaço ao ar livre na parte detras da escola!! "h porque vao la pra fora nao podem tar aki a fumar" e u ke tao smp a dixr na x de repararem noutras koisas!! mx p0ntx ja xega pa n axuxtarem ka afonso!!!

Paulo S Mendes disse...

a situação é lamentável! de lamentar, mas de corrigir depressa? mas depressa? bem, pelos vistos até pode ser tarde demais. a Afonso precisa de outro tipo de acção. sobretudo, para a bem de professores, funcionários e alunos que nada têm que ver com este tipo de escória. e ao fim e ao cabo só dou graças por este ano estar numa escola bem mais civilizada. sem essa conivência a que te referes. a Afonso devia ser assim! civilizada. ninguém aguenta o contrário.

votos de boa caminhada!

Anónimo disse...

É extraordinária a adesão que este Blog está a ter.
Deve estar a dar muito que pensar a algumas pessoas (sim pensar – não se riam, dêem-lhes o beneficio da dúvida).
E agora deparei-me com este comentário extraordinário da Gaby que, vou fazer questão de conhecer pessoalmente, assim que o João me disser de quem se trata.
Para além de outros méritos, o nosso colega, até consegue pôr os alunos a escrever. E é professor de pinturas, imaginem se fosse de línguas. Um bom professor é sempre um bom professor, até debaixo de água (à chuva claro). Proeza que para nós é difícil! Vou ter que lhe perguntar a receita mas, desconfio que tem qualquer coisa de empático e de inato - ensinar não é para quem quer, é para quem sabe.
Adoro ver como as alunas se referem a ele, transparece uma relação de verdadeira veneração pelo Mestre, como antes acontecia na nossa escola.
Alguém ainda se lembra?
Não!
Já poucos são do tempo em que a escola era conhecida por “Universidade de Xabregas” e em que os professores eram os mestres e os alunos os seus discípulos.
Agora só ficaram os Judas, e os Mestres nem vê-los!

Paio vai em frente – ensina-lhes como se faz!

Anónimo disse...

Li o relato da situação de violência em que te viste envolvido no bar da escola ...
Não sei que providências tomaste mas o caso parece-me muito grave (esse e o da colega de quem falas que não sei quem é. Mas, ouvi uns zuns zuns...) mas não percebi o desfecho da história. O aluno foi identificado e punido? é essencial que estes casos sejam do connhecimento público e que se perceba qual é a actuação da direcção da escola nas questões disciplinares... sinto que este ano há mais impunidade, menos processos disciplinares e não sei se há mais violência/indisciplina mas, pelo menos os casos que acontecem, não são devida e atempadamente controlados.
H.