
Para se justificar desta iniciativa, contou o enredo do filme que eu ia ver daí a umas horas, para explicar que essas injustiças, que ainda há poucos anos se verificavam nos Estados Unidos, e a perseguição a pessoas baseada na sua orientação sexual (sim ele disse orientação e não opção, mostra que está informado!), não se podiam continuar a verificar em sociedades civilizadas tal como se passa ainda hoje um pouco por toda a parte. Ainda aproveitou para elogias a carácter e a coragem do primeiro homossexual assumido, eleito para um cargo público na América. Contou que a história se baseava em factos reais da vida de um político que acabou assassinado depois de uma vida a lutar pelos direitos da comunidade a que pertencia.
Mas tinha que falar do filme para se justificar? Terá por acaso medo que alguém duvide da sua hetrossexualidade? Pensará que nós não sabemos que a iniciativa desta proposta e a autoria de todo o programa é do António Costa e não sua? O seu colega Sapateiro, logo no primeiro mandato à frente do governo fez aprovar esta lei em Espanha e ninguém pôs em causa a sua sexualidade. Porque não fizeram os socialistas portugueses o mesmo? Os socialistas portugueses, depois de afrontados com propostas semelhantes vindas até de dentro do seu próprio partido e da JS, vão agora finalmente ter coragem de abordar o tema. Será que não vão já tarde? Eles que, tendo maioria, chumbar a lei, irão ser capazes de convencer alguém que, se não perderem as eleições, a vão aprovar agora? Cheira-me a Regionalização. Está sempre nos programas, mas depois, nunca se faz. A conjuntura é sempre desfavorável.
Sócrates sabia a história do filme de trás para a frente e quase o contava toda para quem o quisesse ouvir, coisa que eu não vou fazer aqui para não desfazer o interesse de quem o tencionar ver. Mas quase que desisti de ir ao cinema, o Secretário-geral do PS quase desfazia o meu, de tão pormenorizadamente que o contou. Mas no final, quando se referiu a seu título, o Zezito (é assim que ele é tratado em família) disse: “Acho que o filme se chama Milk”. Acha Sr. Engenheiro? Não tem a certeza? Qual é o seu problema? Não consegue fazer uma mnemónica com a palavra Milk? Ou o seu Inglês técnico não chega para tanto? A palavra Milk não lhe diz nada? Ainda por cima é o apelido da personagem principal, Harvey Bernard Milk. Há, já sei, ainda não teve oportunidade de ver o filme, nem tenciona fazê-lo! O Zezito não gosta dessas paneleirisses. Isso são coisas do Costa, ele é que fez o programa e que escreveu esse texto! Ele é que é . . . o cinéfilo. O Zé, até tem amigos que também são mas, ele não gosta de frequentar salas escuras!
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O mesmo Costa, que na Quadratura do Circulo fala das campanhas negras que atingem o seu camarada sempre que há eleições à vista. E enumerando-as, começa por referi-las por ordem cronológica, lembrando que a primeira foi o boato que relacionava o então candidato a primeiro-ministro com um actor. Com um actor Costa? Porque não se diz o nome desse actor? Estarão, por acaso com medo que, ao dizê-lo, nos lembremos que, à época, o Diogo Infante era um actor de telenovelas e que passados três anos já estava a dirigir o Teatro nacional D. Maria II?
Pelos vistos a dissimulação tornou-se uma disciplina e uma técnica fundamental da arte política. Um bom exemplo disto, é ver a forma como o Sócrates fala do primo Freeport, referindo-se a ele como o “filho do tio”. Será que isto faz com que nas nossas cabeças surja um distanciamento tal que não nos deixa concluir que é do primo que está a falar. Se é verdade, então o n.º 1 dos socialistas ainda tem muito que aprender para dominar esta técnica. Senão vejamos: se a dominasse realmente, nunca se teria referido ao tio como “tio”, deveria ter dito o “irmão da minha mão” ou melhor, no seu caso pessoal, o “meio-irmão da minha mãe”, também seria possível dizer o “filho do meu avó com a sua segunda mulher” que não lhe é nada. Sim, porque o termo avozastra não existe, só madrasta! Isto evitaria a utilização de qualquer pronome possessivo e logo, alcançar o efeito pretendido
Assim, para ficar politicamente correcto e mostra o domínio absoluto d@s nov@s tic’s políticos, que se baseiam em exacerbar a dissimulação ao extremo, e para criar o distanciamento pertendido de um parente (primo neste caso) que é abusador de confiança, o homem deveria ter dito “o filho do meio-irmão da minha mãe” ou então “o filho do filho do meu avo com a sua segunda mulher, que não me é nada”. Se a moda pega, vamos passar a ver os nossos políticos todos no emicírculo e nos debates que animarão os serões televisivos de 2009 a chamarem-se todos uns aos outros, “filho disto”, “filho daquilo” e “filho do outro”.
Bueno: Eu prefiro chamar os filhos pelos nomes!
Nota: A propósito do filme, Sean Penn no papel de Milk vai ser um forte candidato aos Óscares deste ano, tal como Gus Van Sant, agora que enveredou por coisas mais convencionais e menos experimentais.
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2 comentários:
O homem é um reformista e um futurista! E a prova que ele não está lá para promover os amigos é o distanciamento que mantém em relação à família. Diz-se mesmo, que passara a usar a terceira pessoas quando se referir a si próprio, para que não pensem que ele usa os cargos políticos para se beneficiar...
Esse apetite do tempo... do Zezito e outros...
Se só desejassem aquilo que é necessário e, depois amassem aquilo que é desejado já se lhe acabavam as paneleirices...
Amor fati, ama o teu destino. Só assim se aprende a superar o desespero.
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