domingo, 8 de fevereiro de 2009

TUDO O QUE É BOM TEM UM FIM ou Não há bem que sempre dura e mal que se não acabe!

Hoje faz exactamente um ano em que eu retomei as minhas actividades lectivas depois de um mês de Licença sem Vencimento e de mais de quarenta dias longe de Portugal e sem pôr os pés na escola.

Devo-vos confessar que, nos últimos dias da minha longa ausência, até já estava com algumas saudades - de casa, de conduzir o meu carro, de comer coisas cozinhadas por mim, deste rectângulo, da Família e d@s amig@s, das minhas alunas e, pasme-se, de voltar à escola e voltar a ensinar. Acho que nunca tinha chegado tão cedo à escola como nessa manhã. Também não admira, com o jet lag que se apossou de mim, aquele desconforto que é sentido quando se fazem viagens mais longas, com grandes mudanças de fuso horário.

Mas, tirando a apoteótica recepção que as minhas alunas me fizeram (tinham ficado desconsoladas quando souberam que as abandonaria por uma longa temporada) e alguns colgas/amig@s, tudo o resto, que envolveu a milha volta, foi um terramoto de surpresas e posso-vos garantir que nem todas foram das boas. Foram revelações boas e outras muito más.

Arrependi-me logo de ter voltado, lógico! Mas, o que aconteceu de mau, não foi nada que deixa-se marcas profundas, a não ser a revelação de algumas verdades, que sempre estiveram alí e que muitas vezes nós não queremos ver. Mas agora, a um ano de distância, posso-vos garantir que só das boas já me lembrava, não fosse alguns acontecimentos recentes terem-me trazido à memórias as amarguras passadas.

Tenho que deixar aqui um profundo e sincero agradecimento a todos aqueles que estiveram a meu lado, animando-me e apoiando-me, naqueles momentos sinistros que, de tão surrealistas, pareciam tirados de um filme de David Lynch. Só não os nomeio aqui, porque teria que pedir a sua autorização, o que me daria uma trabalheira pois ainda foram bastantes e el@s sabem que são. Aliás, todas as pessoas que souberam desta história se mostraram bastante solidárias (da nossa e de outras escolas) e ficaram escandalizadas com tamanho excesso de zelo. Em particular, porque este excesso não se aplica a todos de forma isenta, porque ele estava a ser selectivo, tendencioso e imparcial.

Porquê? Acho que sei mas, não me vou alongar com acessórios.
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Legenda: É referente ao Brasil – Podia ser cá!

A mensagem que eu quero passar aqui, é que temos de deixar de olhar só para o nosso umbigo, temos que ver o que se passa ao nosso redor, com os nossos semelhantes. Insisto, ainda somos todos colegas. E se não o fizermos, corremos o risco de um dia nos tocar também a nós (espero que o que me tocou a mim já tenha sido suficiente). Talvez nesse dia não tenha soprado ninguém para nos ajudar. Não podemos ficar indiferentes à injustiça e muito menos à arbitrariedade sem nexo. Que, a ter justificação, prefiro nem pensar qual seja, pois não vejo nenhuma válida que a torne racional.

A justiça é um valor absoluto, não pode ser um valor subjectivo, feita à medida das conveniências de quem está no poder.
Pelo menos em democracia deveria sê-lo.
Ou querem lá ver que nós agora estamos no Brasil ou em Cuba!
Quem está com o poder, esquece-se facilmente que a vida é como os interruptores: umas vezes para cima outras vezes para baixo; E se agora pode, seja porque "méritos" forem, amanhã arreia…
Um dia é do caçador o outro é da caça e não há mal que sempre dure …


Bueno: .Felizmente, consola-me acreditar na justiça divina que, não é cega, nem muda e muito menos surda e que não é só do domínio celeste, também já a vi se feita cá na terra.


P.S. Mais uma vez este texto não saiu com a data pretendida, já foi colocado depois das 00:00h, logo a data a que me refiro no início é Quinta-feira - 7 de Fevereiro de 2008.
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4 comentários:

antonio ganhão disse...

"A justiça é um valor absoluto, não pode ser um valor subjectivo, feita à medida das conveniências de quem está no poder."

Mas afinal ao fim de um ano ainda não percebeste que estás em Portugal?
Vejo que só referes as alunas... os meninos são mal comportados, prof?

João P. P. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
João P. P. disse...

Eu esclareço: Não tenho meninos, ou por outra, no ano lectivo passado não tinha nenhum e no início deste tinha três mas, dois já desistiram e o terceiro vai lá muito pouco. Dou a disciplina de Expressão Plástica ao Curso Profissional de Técnico de Apoio à Infância – Duas turmas de 2º ano (as minhas meninas) e um turno da turma de 1ºano, num total de 20 horas lectivas semanais.

Estás-me a obrigar a vir cá a baixo com muita frequência.

Anónimo disse...

Conta comigo para as Boas Práticas nem que seja com o recurso à violação das Boas Maneiras. As baixelas reais também se desgastam! Às vezes torna-se necessário e urgente partir a loiça toda.

ps. Vou ver se arranjo tempo, disponibilidade afectiva, mental, ética e deontológica, para escrever também sobre os meus meninos(???) mecatrónicos, de manutenção industrial, e outros. Também os tenho e em grande quantidade!

semideusa do teatro (e do caos)