Tenho andado muito ocupado a travar uma guerra solitária, embora com a solidariedade de alguns amigos/colegas, contra a indisciplina que graça na minha escola. Como tal, não me tem sobrado muito tempo para me envolver nos problemas que atingiram o nosso colega Vinagre. Mas, tenho dado algum contributo nessa luta aqui, em particular nos últimos textos, embora os anteriores fossem já preparatórios pois, relacionados com a indisciplina, estão necessariamente relacionados com este caso de que hoje falo.
Agora, que disparei e gastei todas as minhas munições ligeiras no alvo da indisciplina (vou guardar o armamento pesado para alguma emergência), quero dedicar algum do meu tempo a essa causa mais que justa, que sei, que também já muitos abraçaram, com um valor que me surpreendeu. Desde já os meus parabéns, que vão em particular para a professora Graça Maia que, teve a louvável iniciativa de redigir o texto que aqui publico, com o assentimento da sua autora. É o texto que esteve colocado na sala de professores, por breves momentos, e que logo se providenciou para que fosse retirado mesmo antes de eu o poder ler. Dele, só ouvi alguns elogios muito abonatórios, mas infelizmente de muito poucas pessoas. Provavelmente há muitas mais a pensar o mesmo mas não têm coragem de se manifestar. Pode ser que aqui tenham…
Também eu, há exactamente um ano a trás, me vi envolvido numa situação injusta, quando regressei da minha Licença sem Vencimento e, na altura, apreciei a solidariedade demonstrada por alguns colegas e amigos, bem como a sua ajuda para ultrapassar esta situação. Por isso, como calculam, não poderia ficar indiferente a tamanha injustiça como aquela que se está, mais uma vez, a passar na nossa escola e que não deixa de estar relacionada com a causa por que eu me tenho batido – a Disciplina.
Agora, que disparei e gastei todas as minhas munições ligeiras no alvo da indisciplina (vou guardar o armamento pesado para alguma emergência), quero dedicar algum do meu tempo a essa causa mais que justa, que sei, que também já muitos abraçaram, com um valor que me surpreendeu. Desde já os meus parabéns, que vão em particular para a professora Graça Maia que, teve a louvável iniciativa de redigir o texto que aqui publico, com o assentimento da sua autora. É o texto que esteve colocado na sala de professores, por breves momentos, e que logo se providenciou para que fosse retirado mesmo antes de eu o poder ler. Dele, só ouvi alguns elogios muito abonatórios, mas infelizmente de muito poucas pessoas. Provavelmente há muitas mais a pensar o mesmo mas não têm coragem de se manifestar. Pode ser que aqui tenham…
Também eu, há exactamente um ano a trás, me vi envolvido numa situação injusta, quando regressei da minha Licença sem Vencimento e, na altura, apreciei a solidariedade demonstrada por alguns colegas e amigos, bem como a sua ajuda para ultrapassar esta situação. Por isso, como calculam, não poderia ficar indiferente a tamanha injustiça como aquela que se está, mais uma vez, a passar na nossa escola e que não deixa de estar relacionada com a causa por que eu me tenho batido – a Disciplina.
Abaixo-assinado
Os abaixo assinados vêm deste modo manifestar a sua solidariedade com o professor José Carlos Vinagre e a funcionária Maria José Almeida a quem foram aplicados uma pena de repreensão por despacho da Senhora Presidente do Conselho Executivo datado de 19 de Janeiro de 2009 na sequência das ocorrências do dia 19 de Setembro de 2008 na aula de Português leccionada pelo Professor acima referido;
Tendo em conta que os factos apurados no inquérito instaurado reforçam a ideia de que o professor procurava a todo o custo impor a ordem dentro da sala de aula como é seu dever no âmbito das atribuições que lhe competem;
Tendo em conta que o professor José Carlos Vinagre é respeitado pelos colegas e alunos pela sua competência pedagógica e humana de que tem dado sobejas provas;
Tendo em conta também que a funcionária Maria José Almeida goza de estima e consideração por parte dos colegas, professores e alunos desta Escola;
Considerando desmedida a pena aplicada a um facto que se revelou ser circunstancial - decorreu no início do ano escolar (3 dias após o início das aulas) -, quando a escola ainda vivia um clima de turbulência generalizado que todos sabem ser característico dos inícios de ano;
Considerando desproporcionadas as consequências da aplicação de uma mesma pena a Professor, Funcionária e Alunos, os primeiros mais agravados do que os segundos dado estar em causa a sua carreira profissional enquanto que para os Alunos a pena aplicada não tem consequência de maior para o seu percurso escolar;
Em face do exposto, solicitam os abaixo-assinados que o Conselho Executivo, na pessoa da Presidente Maria Armanda Côdea, releve as penas de repreensão registada aplicadas ao professor José Carlos Vinagre e à funcionária Maria José Almeida e que os alunos envolvidos nos distúrbios apresentem um pedido de desculpas formal ao Professor José Carlos Vinagre.
Lisboa, 5 de Fevereiro de 2009
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Bueno: Quem ficar indiferente e não falar agora, então que se cale para sempre.
Mas depois não se queixe…
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30 comentários:
Não conheço o caso, mas as novas dinâmicas assertivas que se desenvolvem numa sala de aulas não são compatíveis com atitudes castradoras e reducionistas com que certos professores tentam "todo o custo impor a ordem dentro da sala de aula".
Deviam de pensar nisto quando escrevem os vossos objectivos individuais.
Não suporto viver com medo. E sou incapaz de me calar, perante situações que, se não interferissem na felicidade e no bem estar das pessoas concretas, seriam por mim ignoradas e consideradas cómicas ou ridículas. Vou reler " O Processo " de Kafka, pois o que se está a passar com a minha "punição" tem muitas analogias com aquela magistral ficção. Na escola onde ensinamos, o acusado ( sobretudo se é professor não alinhado ) está condenado de antemão e, se a lei não se ajustar à vontade da juíza, esta, qual Deus todo poderoso, adapta a lei à sua vontade de fel e vinagre. Como sabem, pedi uma certidão do processo onde fui condenado. Se a certidão pedia alhos, a direcção da escola respondeu com bugalhos. Agora, como não respondeu a bem, irá ser intimada para dar os documentos pedidos. A minha finalidade é impugnar o inconsistente Despacho. Espero conseguir. Não por mim, mas pela instituição escola e por todos os seus agentes humanos. Mas mesmo que não conseguisse, o facto de ter sentido tanta solidariedade, já me dá por satisfeito. Agradeço pois ao João, à Adelaide, à Graça e a todos os colegas que não menciono, embora sabendo quem são, porque temo serem vítimas daquele ambiente sufocante. Como muita gente ali vive fora do real, cheios de um medo incompreensível, o vosso gesto responde ao meu pedido: " Um pouco de realidade, senão sufoco!... "
Maiakovski, poeta russo "suicidado" após a revolução de Lenine, escreveu, ainda no início do século XX :
Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e conhecendo nosso medo, arranca-nos a garganta.
E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.
Bertold Brecht (1898 -1956) disse:
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
Martin Niemoler, 1933 ( símbolo da resistência aos nazis) disse:
Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
Já não havia mais ninguém para reclamar....
Hoje, a minha aula com os meus meninos "mecatrónicos", do curso de Mecatrónica, decorreu de forma mais calma do que é habitual. Não estavam presentes dois meninos que foram suspensos esta semana (Toancha e Suleimane). Alguns meninos foram chamados ao C.E. durante esta aula para serem interrogados. Estava a decorrer uma investigação... de cariz disciplinar... Um deles, quando voltou, disse: "Talvez venha a ser suspenso também e talvez a professora também venha a ser suspensa!" E, eu continuei,... envolvida, profundamente inspirada..., dedicada e comprometida com a minha aula e com os meus meninos ali presentes. Mais tarde pensei: ao professor José Vinagre foi aplicada uma repreensão registada na sequência de fenómenos de indisciplina relacionados com esta turma... Diz o colega que não conhece as causas da sanção que lhe foi aplicada... Não havia matéria para procedimento disciplinar, segundo li em documentos que o colega afixou na sala de professores, e,...no entanto, foi sancionado... Não percebo!...Continuo a pensar que nem a obra de Michel Foucault, "Vigiar e Punir", contemplava e conseguia prever tantos mecanismos de repressão, de vigilância e de punição... Não me sinto totalmente tranquila embora me sinta com a consciência lavada. De qualquer forma, queria, também neste espaço, expressar o meu mais profundo sentido de solidariedade para com o colega sancionado. Merece-me muito respeito e consideração pela exaustiva vigilância que tem exercido em relação aos comportamentos dos alunos, pelo elevado número de participações disciplinares que tem apresentado junto do C.E., pelo seu veemente contributo, na nossa Escola, para o combate ao fenómeno que nela está ancorado- a indisciplina. Obrigado colega pela colaboração apresentada com vista a tornar plena a integração dos nossos alunos e o desenvolvimento do seu sentido de responsabilidade relativamente às aprendizagens, ao cumprimento de regras e ao cultivo/manutenção do respeito para com todos os intervenientes no processo educativo. É com orgulho que o enalteço pelo esforço demonstrado para o exercício pleno desta profissão, pela segurança que transmite no combate à indisciplina, sempre que nela percebemos uma vertente da educação enraizada e ampliada não apenas na teoria, na ciência, mas também, no afecto, na lucidez, na prática quotidiana do respeito, na exigência de rigor e correcção comportamental dos nossos meninos (e meninas).
Iria Castanheira
Estou triste e perplexa com o radicalismo e caricato da situação. Não era preciso chegar aqui. Lamentável.
Por mais que pense, continuo sem perceber como é que as conclusões dum inquérito aberto às atitudes dos alunos conduziram à aplicação das penas de repreensão escrita : ao professor, à auxiliar de accção educativa, e aos alunos. Todos em pé de igualdade e com a mesma pena e no mesmo despacho !?
Interrogo-me sobre quais terão sido, afinal, as conclusões do inquérito...
Que comunidade exemplar ! Boas práticas não haja dúvida...
Os miúdos prevaricam, insultam e agridem ; e os profs, funcionários e executivo é que andam à estalada e são castigados !?
Os miúdos devem estar a rir-se dos adultos que não sabem educar nem sabem qual é o seu papel numa organização escolar.Tudo ao contrário.
Uma escola kafkiniana in'did!
Estou apavorado(a)... Será que nessa escola os professores também podem ser suspensos ou, até mesmo, expulsos? E, também têm tipo seguranças de discoteca? Nos orgãos de direcção? Meu Deus!... E, os marginais não assassinam os seguranças?... Estou confuso!...isto é, confusa!... Assim, de repente, lembrei-me de "O Último dos Homens" de F.W.Murnau. Nesse filme tão pessimista o porteiro confiante e exemplar de um Hotel luxuoso acabou os seus dias a estender toalhas aos clientes que utilizavam a casa-de-banho. Num Mundo agitado e célere como o do Hotel não havia lugar para os velhos ou os menos ágeis. Murnau retrata, nesse filme, uma das aplicações da lei do mais forte nas sociedades modernas. O Último Homem morreu sozinho na casa-de-banho escura e abjecta. Que expressionismo tão trágico!...
Marginal Feminino
Eu não entendo essa escola. Então o Conselho Pedagógico não se pronunciou sobre um caso tão grave ? E não recomendou nada ?
Deixaram, assim, ser sacrificados a funcionária e o professor ?
Esse Conselho Pedagógico anda a dormir na forma, está - me a parecer... Reúne ao menos?
E a Assembleia de Escola não abordou o assunto? Os senhores conselheiros não se pronunciaram sobre a justeza das penas atribuídas pelo executivo ?
Está nas suas competências fiscalizar as decisões do executivo.
Mas onde fica essa escola? Em que comarca?
Está - me a parecer que vivem todos no reino da Bela Adormecida, ex - Branca de Neve. Comeram a maçã dada pela Rainha Má, e estão há sete anos a dormir o sono dos justos!
Benza-os Deus.
Numa breve análise do que li, parece-me que :
1. Essa comunidade está com sintomas de doença. Atacam-se uns aos outros. São antropofágicos. Terão tendência a desaparecer como os antigos habitantes da ilha da Páscoa, no pólo sul. Restarão apenas estátuas para os antropólogos estudarem e interrogar-se sobre quem eram.
2. Os graus de moral social e de ética profissional, atingidos na análise dos problemas e nas decisões, são baixos. Confrangedores para os estudiosos.
Recomendo: Elaboração de um código deontológico que os oriente na profissão quando não souberem que rumo tomar.
Não sei porquê ocorre - me este poema:
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder
Como o que o fogo - fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
( Que ânsia distante perto chora ? )
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a hora!
Fernando Pessoa
Oi Querido
Eu nem queria acreditar, fui na Espanha uma semana e fiquei sem entrar na net e agora quando retornei venho no seu blog e nem queria acreditar… como vc arranja tempo pra escrever isso tudo? A próxima vez que chamar vc de intelectual n vai me poder dementir e n adianta mais tirar os oculos.
Gente - e tem muito comentário ilogioso pra vc, como fico orgulhoso de ser seu amigo.
Em especial por ver a sua coragem neste texto… Pra alem da rectidão da pra entender que vc é daqueles que esta sempre do lado de seu amigo e em particular quando ele mais esta precisando
Me concidero um sortudo p+or ter conhecido vc qd xeguei em portugal
Não sou grande leitora deste blog, mas sou grande amiga do Zé Carlos, e isso leva-me a que escreva algumas palavras aqui.
Fui colega do Vinagre na Faculdade de Letras de Lisboa e contactei com ele em outros contextos que não os académicos. O que se pode dizer dele é que é um Homem justo, simples, sincero,honesto,lutador,
que ama a liberdade e não tem medo de se afirmar,mesmo quando sabe que é o elo mais fraco e pode perder. O Zé Carlos é, como diria Sá de Miranda, 'homem de uma só fé de um só parecer, antes quebrar do que torcer', porque com ele está a sua consciência tranquila e a certeza do dever cumprido.O Zé Carlos pode ter apenas um pedaço de pão, mas o amigo que está ao seu lado e nada tem, sabe que ele lho vai dar, pois para ele em 1º. lugar vêm os outros e dos outros vêm sempre aqueles que mais precisam. É isto que distingue os Homens com H Grande, é isto que o Zé Carlos faz.
Não sei os pormenores do que se passou com o Zé Carlos, e também não são necessários para o efeito, pois todos nós sabemos, se formos realistas e sinceros, como é a indisciplina nas salas de aula. Será só aí? Não! Não é certamente, mas a solidariedade com o professor deve ser o 1º. passo para que o aluno entenda que tem regras e limites,e que a fronteira que separa a aula do prolongamento do recreio, ou do professor, é bem clara e tem que estar bem definida nas suas cabecinhas.
A escola não pode, não deve, e não tem que ser o terreno onde o aluno age impunemente contra as regras traçadas. E o aluno tem que saber, desde o 1º.dia de aulas, que o professor é para ser respeitado como tal, que ele é a autoridade máxima dentro da sala de aula e que por isso não pode ser desrespeitado por quem quer que seja. Por isso eu não tenho dúvidas que o Zé Carlos está a sofrer muito neste momento, não pelo que os alunos lhe possam fazer, ou ter feito, mas pelos adultos que sentem medo - coisa que ele como Homem independente não consegue assimilar. Por isso eu estou aqui, onde nunca pensei estar, a manifestar-lhe o meu apoio e a minha solidariedade, e a dizer-vos, a todos os meus queridos
colegas, que o Zé Carlos é mesmo isso - um colega fabuloso em quem qualquer um de nós pode confiar e contar, pois o Zé Carlos revolverá montanhas se for necessário para ajudar os outros. E, meus saudosos amigos,numa sociedade do 'professor
porreirinho', professores como o Zé Carlos são aqueles que ficam para a história, são aqueles que os alunos um dia mais tarde reconhecem e dão razão.
É só uma questão de tempo, só que às vezes o tempo não chega e como dizia Lopes Graça 'os nossos heróis morrem em currais'.
Mas força, Zé Carlos, os que lutam uma vida inteira, são os imprescindíveis, o resto é fogo de artifício. Espero que continues a ser aquele colega fabuloso que um dia eu conheci e com quem gostei de trabalhar nas aulas do Osório Mateus. (e o que dirá ele, se é que de lá de cima nos está a ver, do trabalho dos nossos alunos? Pobre professor, deve sentir-se muito mal). Um abração.
Que a minha solidariedade se estenda à D. Mª. José, pois de todas as funcionárias eu tenho saudades, sobretudo do lado bom e humano de todas elas.
No marasmo anti-intelectualizante e clânico em que esta sociedade em toda a sua estrutura e redes sociais edificadas se encontra actualmente poupem-me as análises sociológicas, éticas e deontológicas superficiais. Apesar de na estrutura da classe docente muito de bizarro existir não generalizemos e sejamos mais analíticos. Tudo neste blog e na esmagadora maioria dos que nele têm participado transpira virtudes morais próprias dos que sabem que rumo tomar, deixando transparecer uma perspectiva cognitivo-desenvolvimentista acerca da educação. Refiro-me à justiça, solidariedade, verdade, bondade, temperança, honestidade, rigor de raciocínio, prudência, coragem, responsabilidade, autodisciplina e humildade. Sem o conhecimento e a prática destas nenhuma virtude intelectual poderá ser manifestada ou adquirida. Os graus de moral social e de ética profissional aqui revelados são, na globalidade, respeitáveis e idóneos. Denotam respeito em relação ao objecto sociológico e em relação à alteridade, ao irredutivelmente Outro. A análise das situações e dos contextos aqui identificados será sempre condicionada pela percepção social da realidade em causa, o que dependerá, por sua vez, da interpretação e da postura dialógica desenvolvida pelos e com os intervenientes no processo analisado. Mais respeito, portanto...
Estátua sem Ética?!...
Em homenagem ao Zé Vinagre
( Um professor justo e amigo dos seus alunos que neste momento está a ser sacrificado por uma comunidade, de professores e funcionários, que não sabe lidar com o fenómeno da indisciplina escolar)
Dedico -lhe este poema do nosso querido e tão actual Zeca Afonso;
(Ai, Zeca, fazes cá tanta falta!)
A Formiga no Carreiro
A formiga no carreiro
Vinha em sentido contrário
Caiu ao Tejo
Ao pé dum septuagenário
Lerpou trepou às tábuas
Que flutuavam nas águas
E de cima duma delas
Virou-se prò formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro
A formiga no carreiro
Vinha em sentido diferente
Caiu à rua
No meio de toda a gente
Buliu buliu abriu as gâmbias
Para trepar às varandas
E de cima duma delas
Virou-se prò formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro
A formiga no carreiro
Andava a roda da vida
Caiu em cima
Duma espinhela caída
Furou furou à brava
Numa cova que ali estava
E de cima duma delas
Virou-se prò formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro...
Zeca Afonso
Queria dizer ao Senhor Atchim que o Departamento de Línguas da ESAD, na altura (Outubro?), tomou conhecimento dos acontecimentos ocorridos, com o professor em causa que é do departamento de línguas, e tomou posição sobre os mesmos, solidarizando - se com o professor e solicitando que se abrisse um inquérito à confusão do caso. A nossa posição foi levada pela Coordenadora de Departamento ao Conselho pedagógico mas, estranho ??? , não me lembro do que este orgão disse ou recomendou...
Como se vê, os níveis de moral social, na nossa comunidade, não são assim tão baixos, Sr. Sociólogo. Ainda há um departamento de andorinhas que faz a Primavera.
Pedido de eslarecimento:
Sr. Sociólogo,
uma vez que o seu estatuto epistemológico, antroplógico, sociológico e moral/ético lhe permitem -perceber que a comunidade é antropofágica,
-aferir os seus níveis de moral e de ética e ainda
- fazer recomendações para que ela possa acertar o rumo, solicito-lhe que me esclareça as seguintes dúvidas, provocadas pelo seu iluminado texto:como se atingem níveis superiores de moral social e de ética profissional pela análise de problemas?
essa possibilidade é extensiva à análise de decisões?
a que se refere com "moral social"?
e com "ética profissional"?
é possiível atingir um elevado nível de "moral social" e um baixo nível de "ética profissional" (e vice-versa)em simultâneo, ou realizando uma mesma tarefa?
elaborou já algum código deontológico que os srs.profs. desta "escola criminosa" possam ler e assim melhorar a sua formação?
Como é que um sociólogo tão iluminado trabalha numa "escola criminosa"? Beneficia com os crimes, é refém deles, é deles colaborador? Ou é o superior justiceiro, o que irradicará o mal da sua face?
Degladiem-se. Degladiem-se...Assim acabou o império romano.
Quando eu mandar o TGV atravessar-vos nem as estátuas se aproveitam !
Vejo que, o nível do debate tem aumentado exponencialmente à medida que a seriedade dos assuntos sobe de tom. Este Blog tornou-se, definitivamente, por mérito do seu autor e dos temas que ele lança para a discussão, o Fórum ESAD - onde se começam a partilhar ideias, preocupações e mesmo a contrapor opiniões de elevadíssimo nível. Mas, também se tornou, numa porta aberta para fazer as denúncias, tão necessárias, do que corre mal na nossa escola – que é praticamente tudo. Por isso, ao João, não faltará matéria-prima, para a fabricação de futuros textos, que nós iremos comentar com todo o agrado e empenho.
Já vimos nos comentários a outros posts que, naquela escola, a vida só corre bem aos que prevaricam, sempre e só quando se trate de alunos e “criados de servir”. Ficou claro, que a incompetência é premiada pelos dirigentes, desde que seja praticada pelos “lambe pés” de serviço, que depois se empenham em mostra-la (desculpa-la) como eficiência frustrada por culpa de entidades ocultas. Está na moda! São as campanhas negras! Eles até seriam competentes, se não fossem as forças de bloqueio, os boicotadores de serviço, que passam os dias a congeminar conspirações! Coitados, a importância que se atribuem a eles próprios! Não entendem que já só estamos todos à espera de sair dali para fora. Que, os nossos dias, são preenchidos com coisas bem mais interessantes, que nos alimentam a alma e o espírito e que conjuram o sugador de energias, existente na ESAD e que tudo absorve ou mata.
Veja-se o que acontece com os mais fracos e que, ainda não estando imunes ao vírus da mediocridade, tentam resistir à vertiginosa atracção destruidora de intelectos. Se activam as suas defesas e fabricam anticorpos para combater esta maleita para evitar acabarem vergados aos interesses estabelecidos, isto é, a supremacia dos marginais e da incompetência dos dirigentes e ainda dos interesses estabelecidos, sofrem na pele as represálias despóticas de mentes desiluminadas.
Este blog está cheio de insectos, formigas e andorinhas. Que porcaria de bicharada !
Chamem um entomólogo e biólogo para vos tratar da saúde, porque eu sou um sociólogo diplomado em Oxford : analiso as organizações dos humanos. Olha, se vou falar com os insectos !
Recuso-me a viver somente a estação do Inverno! Também gosto da Primavera! O meu Departamento também gosta de andorinhas e também tem consciência de que "o maior cego é apenas aquele que não quer ver". Lembram-se do filme: "Primavera, Verão, Outono e Inverno"? Inspirem-se na harmonia do local em que decorre o filme, naquela casa flutuante no meio de um lago e nos ensinamentos budistas que aí se prestavam. Se tentarem ser monges budistas não se descontrolarão nas aulas dos "mecatrónicos" ou outros e, então, não vos serão aplicadas nenhuma repreensão registada ou outra qualquer forma de punição, vigilância ou repressão. Acreditem nas quatro verdades nobres do budismo: toda a existência é "dukkha", insatisfatória e cheia de sofrimento; a "dukkha" brota da "tanha", um desejo ardente ou apego, que significa um esforço constante para encontrar algo de eterno e estável num mundo transitório e, por fim, a "dukkha" pode cessar na totalidade e isso é o nirvana seguindo o Caminho das Oito Vias. Esses oito passos não têm de ser seguidos por vós por uma ordem estabelecida. Cada um é descrito como «certo» ou "samma": compreensão certa, pensamento dirigido certo, discurso certo, acção certa, vida certa, esforço certo, atenção certa, concentração certa. A compreensão certa inclui o entendimento vital da «Ascensão Condicionada» ou «Causa Dependente», um tema fulcral na sabedoria budista...
Estátua com Ética (em movimento na Roda da Lei, do "dharma")...
Ordem! Ordem no gueto! Ou pensam que são a mansão de Marvila ?!
Os bichos já para o quintal. Os insectos no tecto. Quietos! tudo em fila. Calados. As pessoas ficam na sala que eu quero dar-lhes uma palavrinha. Os engenheiros do Técnico, em primeiro lugar, depois os diplomados pela faculdade de ciências. Os artistas e os poetas caladinhos. São gente perigosa. Subversivos. Dizem e pintam a manta.
Mas, afinal o que são estas intervenções? Que fórum é este? Bichos, insectos, pessoas, estátuas, tubos, deusas, bonecos animados, sociólogos, psicólogos, engenheiros! Tudo misturado! Tudo em amena cavaqueira? A trocar ideias. A esgrimir. A terçar armas. A produzir pensamentozinho sobre o gueto e sobre ética e deontologia profissionais!
A falar de filmes eróticos e das estações do ano.
Mas que promiscuidade intelectual é esta, afinal?
Ordem no fórum Sr.Paio. Nunca ouviu falar de cenzurazinha. Lápis azul em cima. É muito novo, realmente! Os lápis de cera não são do seu tempo.O senhor é mais do acrílico , plasticina, legos.
Ponha ordem no gueto e censure -lhes a prosa. Onde já se viu?
Liberdade de expressão? Não tarda querem afixar despachos, abaixo - assinados de solidariedade. Cacete! Bordoada! Pensam que estão em Cuba, talvez. Ou na Venezuela. É censurá-los, senhor Paio, senão onde é que o gueto vai parar! Ordem! Ordem!
Já no quintal, a Dona Rainha Má diz:-Bichos desordeiros e desalinhados desapareçam do meu horizonte. Quero ficar só com a nata da minha mansão. -Meninas dos Cursos CEF de Acompanhantes de Crianças e dos Cursos Profissionais de Técnicas de Apoio à Infância, cantem comigo, por favor. A mansão é nossa e agora até já está toda pintadinha de cor de rosa. Cantemos, minhas queridas anjinhas:
Pintinho, pintinho, pintinho, piu
subiu a uma árvore e depois caiu
a D. galinha ficou zangada
pegou no pintinho deu-lhe uma palmada.
Pintinho, pintinho, pintinho, piu
comeu a sopa toda nem sequer fugiu
a D. galinha ficou contente
pegou no pintinho e deu-lhe um presente.
E, agora:
Eu tenho uma vaca leiteira
não é uma vaca qualquer
dá leitinho e manteiguinha
mas que vaca tão fofinha
dlim, dlão, dlim, dlão.
Um badalo eu lhe comprei
e, a minha vaquinha gostou
dá passeios pelo prado
mata moscas com o rabo
dlim, dlão, dlim, dlão.
Só mais uma, vamos lá!:
Todos os patinhos
sabem bem nadar(bis)
cabeça para baixo
rabinho para o ar.
Quando estão cansados
da água vão sair(bis)
depois em grande fila
p'ro ninho querem ir.
Na hora da papa
todos querem comer(bis)
atrás da mamã pata
vão todos a correr.
Gostaram? O que seria desta mansão sem vós? Minhas queridas meninas anjinhas...
Para todos nós, mas em especial para a minha amiga Adelaide.
Ela "faz como a formiga, fura, fura/ Fura sem parar /"
ALEXANDRE O'NEILL Poeta: 1924 - 1986
Não precisamos de inventar nada. Apesar de se referir a outros sufocos,relemos os poemas do O’Neill e está lá tudo. Está lá o medo que se perfilava e que (ainda?) se perfila:
Perfilados de medo, agradecemos
o medo que nos salva da loucura.
Decisão e coragem valem menos
e a vida sem viver é mais segura.
Aventureiros já sem aventura,
perfilados de medo combatemos
irónicos fantasmas à procura
do que não fomos, do que não seremos.
Perfilados de medo, sem mais voz,
o coração nos dentes oprimido,
os loucos, os fantasmas somos nós.
Rebanho pelo medo perseguido,
já vivemos tão juntos e tão sós
que da vida perdemos o sentido...
Obrigada, Zé. Não era preciso, mas adorei o poema do O,Neill. Todos agradecemos um pouco de poesia.
Os poetas falam por nós e falam mais alto, quando não nos deixam falar.
Lamento imenso a embrulhada em que te viste metido, mas, às vezes, são os agentes exteriores que vêm mostrar, às comunidades fechadas sobre elas próprias, como o rei vai nú...
Bem hajas
Salvé, Musa inspiradora ou Deusa Atena. Não sei qual é a que está hoje de serviço...
Queria perguntar-vos se conhecem, dos vossos books de tarólogas ( ou de Sociólogas doutas ) algum texto sobre o Preconceito. Sim. PRECONCEITO. Disse bem. Algum autor deve ter escrito sobre isso.
Se encontrarem, gostaria que o enviassem ao Sr. Paio, que ele o fará chegar a mim, através do blog.
Grata pela Atenção, vossa eterna admiradora...
Rainha Má
Também sou tua eterna admiradora revendo-te no papel de Rainha Má e espero que o teu amor-próprio, o mais terrível dos teus demónios, para além do preconceito, te permita conviver bem e viver em absoluta harmonia com o Sociólogo de Oxford. Eu prefiro os Artistas Plásticos ou, até mesmo, os InsectosKafKianos. Claro que entre a arte plástica ou apolínea e a arte sem formas ou musical que é a arte dionisíaca mantenho-me a conviver com esta última, por uma questão de preconceito. O Sociólogo logicista e pretensioso é entediante. A Rainha Má é muito criativa, dionisíaca, maquiavélica, infinitamente boa e infinitamente má. A questão do preconceito é uma falsa questão. É tudo uma questão de luz e de sombra, de cor e de ausência dela. Quando rasgamos o véu de "Maya" o milagre metafísico acontece e a embriaguez/comunhão dos dois ou mais corpos também. É tudo uma questão de perspectiva, de superação de si e da "incerteza de conduta". Como diria Roland Barthes, na obra "Fragmentos de um Discurso Amoroso", "Nós somos os nossos próprios demónios. O sujeito apaixonado julga, por vezes, estar possuído de um demónio da linguagem que o impele a ferir-se a si próprio e a expulsar-se - no dizer de Goethe - do paraíso que, noutros momentos, constitui para si a relação de amor".
Deusa Multifacetada (em princípio, sem preconceitos)
Não terei muito mais a dizer sobre o terrível facto que ocorreu na escola,atingindo o professor Zé Carlos...sómente dizer-vos a TRISTEZA que vai tomando conta do meu coração,dia a dia,por viver numa escola ,que pensei um dia ser"a minha escola".O Zé refere a palavra FELICIDADE,claro que necessitamos ser felizes na nossa vida profissional e quando não nos deixam ...então procuremos até encontrarmos( porque existem)a escola onde possamos sê-lo!
a escola onde possamos sÊ-lo!"Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito...quem não muda de marca ...quem não arrisca o certo pelo incerto..."Ao colega Zé reitero a minha solidariedade.Arménia
PCE: Hum!??
Adj PCE: Que se passa?
PCE: Isto dos bólogues é muito desagradavel!
Adj PCE: Que Bólogues?
PCE: estas coisas na nete...
Adj PCE: AAAH!! Blogs!
PCE : Ou isso...
Adj PCE: o que se passa?
PCE: Não se pode acabar com eles?
Adj PCE:Não sei...
(Entra o criado de servir)
PCE e Adj PCE: Ainda bem que chegaste!
Criado de Servir:-Sim, eu já sei o que fazer! Já encomendei um servicinho àquele meu amigo! Esses patetas alegres, ignorantes e inválidos da cabeça pensam que estão na casa deles. Isto é uma casa de respeito. É uma escola, a minha escola, não é o pardieiro da mãe deles... Fiquem descansadas. Não se preocupem.
PCE e Adj PCE:- O que seria de nós sem a tua preciosa ajuda... Ajudas-nos a vestirmos, ou seja, a despirmos o casaco... Obrigada Tarzan!
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