domingo, 18 de outubro de 2009

Não vou bater mais na ceguinha


Tenho lido várias respostas à reportagem que Maitê Proença fez sobre Portugal e os "esquisitos" Portugueses e todas elas bastante pertinentes e de um nível elevadíssimo que se a destinatária alguma vez as chegar a ler, duvido que as compreenda.

Não é para lhe responder ao para a “chingar” que estou aqui. Para vos ser sincero, nada do que vi naquele vídeo sobre nós me chocou ou me ofendeu para além do aceitável. Como sabem, tenho como lema que não nos ofende quem quer mas apenas quem pode… se tem sido uma Italo-Francesa – a Carla Bruni por exemplo – a fazer aquilo, pela sua herança histórica, cultural e até patrimonial, talvez me ofendesse agora, uma brasileira a cuspir no prato que comeu não pode ser ofensa para nenhum português que conheça o verdadeiro valor do povo a que pertence.

Sem dar mais importância ao primeiro vídeo, estou aqui para compartilhar com todos o confrangimento que senti quando vi o segundo vídeo de desculpas que, pretende “limpar a barra” da desavisada, para que as aguas serenem deste lado do Atlântico e possa voltar, ou mesmo até emigrar para Portugal, para fazer alguns trabalhinhos e ganhar alguns €uros, tão apreciados do outro lado.


Neste segundo vídeo, ao invés de melhorar as coisas, ainda piorou mais mas, para o seu lado, continuando a mostrar uma total falta de bom senso, pretendendo justificar o injustificável, alegando a falta de humor dos portugueses. Humor?
Então qualquer coisa serve para fazer humor?
Segundo a actriz, parece que sim!
Eles lá brincam com tudo!
Ela até faz brincadeirinhas com a própria mãe, espante-se!
Embora eu não consiga entender que tipo de brincadeiras ela possa fazer?
Brincará com o fato de a mãe continuar morta?
Ou com o fato de a mãe ter sido assassinada?
Ou com o fato de essa tragédia ter acontecido quando ela era uma adolescente?
Ou com o fato do móbil do crime ter sido o ciúme?
Ou com o fato do assassino ter sido o próprio pai?

Em resumo, não estou a ver onde possa estar a graça de Maitê fazer piadas com a própria mãe, nem a graça das piadas que ela fez connosco mas, isso deve ficar a dever-se ao facto de nós, portugueses, não termos nenhum sentido de humor. Mesmo assim, não consigo ver os bons humoristas brasileiros a conseguir fazer alguma piada inteligente com uma mãe assassinada ou com uma escarradela numa fonte Património da Humanidade.


Bueno: Culta, ela até é! Pena a leitura fazer-lhe tanto calor…
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https://www.youtube.com/watch?v=1cNvmetXEh8

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Madrid dará ao Professor o estatuto de autoridade pública

«Ou de professor e louco, todos temos um pouco»

“Os docentes serão autoridade pública na Comunidade de Madrid. É uma das medidas que introduzirá a futura «Lei de Autoridad del Profesor» que a presidente madrilena, Esperanza Aguirre, vai anunciar amanhã na câmara regional, segundo fontes do seu Executivo, e cujo texto levará ao hemiciclo nas próximas semanas.

A iniciativa de elevar o estatuto dos professores já foi assumida, no ano passado, pela Comunidad Valenciana e existe também, apenas só para os directores dos estabelecimentos de ensino, na Cataluña, desde há uns meses. Neste caso de Madrid, persegue o objectivo de reforçar a figura do professor.

Ao serem reconhecidos como autoridade pública, os professores, do mesmo modo que os polícias, médicos ou os pilotos e marinheiros ao comando de naves, contam com uma protecção especial.
A agressão a qualquer deles, está tipificada pelo Código Penal como atentado contra a autoridade nos Artigos 550 a 553, que prevêm penas de prisão de dois a quatro anos (…)”




Bueno: Aqui somos tratados como criminosos loucos...

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sábado, 2 de maio de 2009

SABOR CUBANO… OU SERÁ CHEIRO ORGÂNICO?

(Como vai dar para entender, pelo que vão ler de seguida, este post já deveria ter sido publicado há muito tempo mas, faltou-me a coragem, tive medo de também levar com um processo em cima; mas agora pensei: “ Se isso acontecer, faço como a Felgueiras, fujo para o Brasil e só volto quando a ala penitenciária de luxo, para os criminosos do caso Freeport, estiver construída. Para o Brasil não, para a Argentina que é mais civilizada que o Brasil e mesmo que Portugal”. E pensando assim, decidi-me a postar!)
A lei da rolha e a censura estão de volta…
Na melhor tradição Judaico-cristã, na Pascoa há que sacrificar um carneiro e libertar um criminoso:
- O rei Herodes, não vê, não ouve e não fala… é natural, na praia da Coelha é tudo muito limitado! Tive lá e pode confirmá-lo in loco agora nas férias da Pascoa;
- Pilatos, sai de Palmela, para ir chafurdar as mãos nas águas poluídas do Tejo, lá para as margens de Alcochete… e vai deitando areia para os olhos do povo e tentando não sujar muito as mãos com possíveis casos de pressão – Arterial – deve ser? Não há pressão alta para ninguém.
- O Criminoso, desta vez, não vai ser libertado, porque continua à solta… nunca chegou a ser preso ao contrário dos do caso Casa Pia que foram soltos e nunca mais voltaram a ser presos, (sabem-me dizer se o julgamento já acabou? Se para além do Carlos Silvino vai haver mais algum culpado?). Esqueçam isto agora não interessa nada…
- E salva-se João Miguel Tavares, se não, não tínhamos carneiro e não tínhamos tido Pascoa… ele é o cordeiro levado ao matadouro… diante dele se volto o rosto… E podia continuar com a letra tirada da Bíblia que prossegue dizendo “maltratado, escória dos homens, Barão das dores, conhecedor de todas as misérias…” que, e apesar de se referir a Jesus, poderia perfeitamente aplicar-se a este, e a muitos outros jornalistas que, os dirigentes governamentais portugueses, querem silenciar por fazerem investigação e saberem podres demais. Tudo muito parecido com o modos operandi na terra dos Castros. Aqui não há um Raul irmão de um Fidel, mas há um Zezito, primo do filho de um tio e irmão dum filho da mãe. E quem se lixa, ao igual de na ilha caribenha, são todos os que querem fazer uso de um direito que lhe está consagrado na constituição – A Liberdade de expressão. Ficar calados era a obrigação desses jornalistazinhos de meia tigela… e se não se calam levam com o PS, é bom que se habituem como diz o Coelho (não o da pascoa), pois no PS há muitos cujo hobby favorito é malhar. Malhar à esquerda, malhar à direita e levar tudo por diante quando se trata de informação relevante para o caso da desanexação da Reserva de Alcochete.

E depois acusam-nos de quebrarem o segredo de justiça. Que culpa têm eles que quem trabalha com a Justiça, dê com a língua nos dentes. Também se não fosse assim, ainda estava tudo por vir à baila e possivelmente os tribunais estariam vazios à custa de tantos paninhos quentes para abafar casos escaldantes. Ou ainda pior, de não poderem opinar. À semelhança de Cuba, onde as liberdades e garantias não são respeitadas, agora também, em Portugal, os jornalistas que pretenderem escrever artigos de opinião, dizendo de sua justiça, o que lhes vai na alma, vão para o paredão. O que me assusta nisto tudo, é que com a chegada de Obama à Casa Branca, o problema Cubano parece estar em vias de se resolver, ao passo que o nosso, está cada vez mais, em vias de se agravar. Passo a passo, vamos ficando cada vez mais limitados no que podemos escrever e qualquer dia, também, no que podemos pensar. Para nos limitar estão aí as maiorias… e as eleições à porta!

Mas, afinal o que é que João Miguel Tavares disse de tão especial?
Foi ter começado o seu artigo com a lapidar verdade de que “Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina.”? Se foi, então vou ter que concordar com Miguel Portas quando diz que “o primeiro-ministro comete um erro táctico, um erro político, um erro pessoal e - acima de tudo - um erro moral.” Mas, se foi pelo que o jornalista diz em todo o seu artigo e nomeadamente quando lembra a Sócrates que nem sempre o povo legitimisa e inocenta o seu líder, lembrando para tal os casos de Fátima Felgueiras e Valentim Loureiro e Isaltino (acrescento eu), vou ter que concordar outra vez com o irmão do Paulo quando acaba o seu artigo dizendo: “Seja como for, neste caso entre um Sócrates e um Tavares, eu não poderia deixar de estar do lado do Tavares. E não é por nepotismo: ele não é meu primo, nem filho do meu tio”.

Já todos entendemos onde se quer chegar com este tipo de atitudes; os professores já o sabem desde que este governo começou a pensar que “reina” em regime absoluto. Que cobardia é esta de se atacar os mais frágeis, por delito de opinião, utilizando armas desproporcionalmente inadequadas. É só para fazer uma demonstração de poder? Não! Nós sabemos que não! Nós sabemos qual é o objectivo. E pior do que sabermos, estamos a começar a convencer-nos de que estes meios são eficazes para atingir os respectivos fins. Vale tudo, como Maquiavel ensinou ao seu príncipe Cesar Borgia. Até o Mário Crespo já guarda as suas crónicas na carteira… com todas as cautelas, e inventa ministérios com nomes de paz e amor. Vejam como até já ele acha que ninguém está a salvo: "Estava um dia frio e límpido de Abril e os relógios batiam treze badaladas" e eu dei comigo a pensar: 'Se calhar o melhor é passar um pano encharcado em creolina sobre isto tudo e deixarmo-nos de coisas porque a melhor política é o trabalho e qualquer dia… toca-me a mim'.”

E mesmo assim pouco se compromete, preferindo usar frases de outros pois, no “PS” final explica-nos que "As frases entre aspas, mais inspiradas, são do 1984 de George Orwell. As menos inspiradas são de 2009". Já não chama os bois pelos nomes mas, ainda vai dizendo o que pensa para depois rematar com uma máxima do Capital de Marx: "muda-lhes os nomes e esta é a tua história".

Agora que a lei da rolha impera, e que os jornalistas pensam várias vezes antes de opinar, (se acontece com eles, não havia de ter acontecer comigo?) vamos ver se se salvam os músicos de intervenção. O que não lhes falta são motivos que estimulem a sua criatividade… como antigamente! Voltem que já temos saudades de vos ouvir! Voltem que já estão reabilitados! E enquanto não aparecem, e começam a fazer rimas com o Harry Potter, contentemo-nos com Rui Veliso…

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Bueno: Ainda há imaginação que baste para nos recordar tanta mentira junta, tanta promessa descaradamente falsa.
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sábado, 18 de abril de 2009

Susan Boyle - A Irmã de Florence Foster Jenkins ou não Julgues pelas aparências

Introdução

Para quem nunca tenha ouvido falar de Florence Foster Jenkins, deixo aqui este vídeo para depois de o verem continuarmos a falar:




Pois é, esta excêntrica milionária americana, cantava como uma cachorra mas, tinha dinheiro suficiente para editar os seus próprios discos e montar os seus espectáculos – alugando salas de teatro e contratando orquestras completas. Também tinha influencia social suficiente, ou quanto baste, para obrigar a fina flor da sociedade a comprar-lhe os discos e assistir aos espectáculos que ele montava. No final nunca tinha prejuízo e em muitos casos até chegava a obter grandes lucros. Tudo muito semelhante à nossa Natalina de Sousa, aquela que o Herman gostava muito de imitar no Tal Canal; que cantava a área “VERDE, O MEU AMOR É VERDE”; lembram-se? Igual, mas em grande, à americana! A nossa Natalina não chegava a ser um sucedâneo da Florence, nem conseguia desafinar com a mesma categoria. Não lhe chegava aos calcanhares.

I Capítulo - De morrer a rir

Agora que esta introdução ilustrada e audível está feita, para que os menos melómanos também possam entender do que falo, vamos ao que interessa:
Recebi um e-mail dizendo “Vale a pena ouvir” seguido de um endereço do Youtube onde eu carreguei de imediato, para ver do que se tratava, dado conhecer o bom gosto do remetente.
Devo confessar que o que se seguiu ultrapassou todo o que eu poderia estar à espera, em particular porque fiz juízos precipitados, julgando apenas pelas aparências do que me foi mostrado nos primeiros segundos: aquele lanchinho, aqueles esgares, aquele meneio de cintura, aquela roupa, aqueles sapatinhos, aquele penteado...enfim... aquela figura recheada de tudo aquilo que nos serve de (más)referências!
Ao ver a personagem que apareceu nas imagens a falar com os entrevistadores, pensei logo para comigo: Ai vem outra Florence, isto deve ser de morrer a rir – dai a introdução que tive que fazer. E quando percebi que ia cantar uma das minhas músicas favoritas "I Dreamed a Dream", ainda mais se me tornou presente o ruído da voz da Florence a cantar "Der Hölle Rache" da Die Zauberflöte de Mozart ("A Rainha da Noite" da Fláuta Mágica) outro top 10 das minhas preferências.

II Capítulo - De ir às lágrimas

Eu podia já escrever agora a conclusão mas isso iria estragar a surpresa que vos aguarda por isso vamos deixar as conclusões para o final e antes vejam o vídeo que se segue.
Apenas adianto que é de ir as lágrimas, e não deve ser visionado por gente em período de sensibilidade mais acentuado. Também não é aconselhável a homens lamechas nem a mulheres menstruadas ou grávidas.
Bom visionamento e tenham muitos lenços de papel à mão e não deixem de reparar no sorriso que ela faz antes de começar a cantar; de certo que ela já sabia o que nos ia oferecer e a estupefacção que iria provocar em todos nós, se não, não teria rido daquela maneira... riu de quem? De nós e riu-se muito bem!

Desculpem não poder apresentar aqui o vídeo pois, a incorporação foi desactivada mediante solicitação dos autores do programa, por isso, vão ter que ir vê-lo ao youtube no link abaixo – mas vão antes de continuar a ler e no final façam retroceder porque saíram desta pagina, não se esqueçam.
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Choraram?
Houve lagrimazinhas traiçoeiras?
Não sei se lhes aconteceu o mesmo que a mim mas, quando ela fez soar as primeiras notas, senti-me um idiota de um preconceituoso. Como podemos andar por aí julgando as pessoas que não conhecemos de parte alguma só pela sua aparência?
Eu comovi-me bastante; e depois? Não posso, não?
Não choram também os homens?
Deve ser muito lamechas ou estar a atravessar um período de maior sensibilidade, pensam os mais machos e machas. Não me importo: Há quem goste de mim assim como sou… e nem são assim tão poucas pessoas!
Consola-me ver que, também o júri, sentiu o mesmo e não teve vergonha de traduzir muito bem todos estes sentimentos: Incredulidade de início, espanto e estupefacção depois e engolindo em seco - Rendeu-se, tal como todo o público que, também pensava da mesma maneira e que teve que se vergar a tão enorme talento e maravilhosa voz que vendo-se obrigado a render-lhe homenagem começando e acabando a aplaudir de pé.
Mas também devo confessar, para ser totalmente honesto, que parte das lágrimas foram de raiva e de desgosto por pertencer a esta categoria de primatas que se deixa rasteirar a todo o momento por um cérebro que pensa... de mais?… mas só pensa, nunca aprende nada!
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Bueno: Por gente como nós é que à mulher de César não basta ser honesta, tem que parece-lo.
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P.S: Para quem nunca foi a Londres ver Les Miserable deixo aqui este video para poderem comparar com o original - "I Dreamed a Dream" cantado por Gunilla Backman no papel de Fantine:

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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Canção dos Xutos transformada em manifesto contra Sócrates

XUTOS os nossos Ray Fernandez à Portuguesa




A letra do tema

Sem eira nem beira

Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou-bem

Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar/Despedir
E ainda se ficam a rir
Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor

Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir/Encontrar
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer

É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir
Ainda espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar/A enganar
o povo que acreditou

Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a foder

Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão


Bueno: E a música ainda só está no Youtube

terça-feira, 14 de abril de 2009

LI MUITO E ESCREVI MUITO POUCO NESTAS FÉRIAS

Tirei estas Férias para ler mais do que para viajar. O tempo ajudou; nem praia nem passeios. Uma das muitas vantagens da leitura é que se viaja e descansa ao mesmo tempo. Já quando se viaja, descansa-se muito pouco, normalmente, quando voltamos, chegamos a precisar de férias. Contudo, não li tanto como tinha planeado.

Nem todo o que leio é de interesse público, mas desta vez faço questão que conste. Comecei por acabar de ler o último do Richard Zimler, “Confundir a Cidade com o Mar”; Umas quantas historietas, piores ou melhores engendradas mas, nada que se compare à saga da Família Zarco, em especial o primeiro - “O Último Cabalista de Lisboa” e muito em particular o último – “A Sétima Porta”, que se passa todo em Berlin do pré e pós guerra. Depois fui reler as “Memórias de Adriano” que nunca o tinha feito e quando as li por primeira vez ainda não era um homem feito e como tal incapaz de abranger tanta profundidade, sabedoria, cultura e humanismo; Quando acabei conclui que ainda tenho que crescer muito para me poder considerar essa coisa a que se chega com maior facilidade quando se vai à tropa; Mas eu não fui e assim, fico na dúvida, se serei sempre um homem por fazer?

A primeira vez que li este romance histórico não tinha tanta informação ao meu dispor e com a facilidade com que hoje se obtém: não havia net. Por isso, por mais que quisesse e me interessasse, era difícil informar-me e aprofundar o tema. Hoje, à distância de um clique, foi possível, saber mais em dois dias, do que na época, em vinte anos de pesquisa dedicada: Marguerite que o diga, precisou de quase toda uma vida.

Por isso, apesar de não ter viajado muito estas férias, este livro fez-me fazer planos para uma próxima viagem… A Cidade Eterna… of cuorse mas, desta vez, com um objectivo bem diferente dos das outras em que lá estive. Não vou desaproveitar os dias desfrutando das noites como na última, nem vou mortificar a carne em vigílias e procissões de Domingo de Ramos em redor do Coliseu como na primeira. A minha sinusite já não suporta uma exposição solar prolongada em S. Pedro, assistindo a missas intermináveis, para vibrar de emoção ao ouvir o Papa dizer umas palavras em português. E deste Papa, não quero ouvir grande coisa: já ouvi o suficiente. Ainda se desse para lhe ver os sapatos, da mesma grife que veste o diabo. Até o Museu do Vaticano está visto e revisto, devo ser dos poucos privilegiados que já viram a Capela Sistina antes e depois do restauro.

Por isso, os meus planos para quando voltar a Roma, estão dirigidos à campaña nos arredores da cidade. Talvez volte a Villa D’Este e aos Jardins de Tivoli mas, quando para ai me dirigir, o meu objectivo, e o que eu vou querer mesmo visitar com toda a profundidade, é a Villa Adriano, ou melhor, o que resta dela - as suas ruínas. Mas, mesmo em ruínas, vai valer a pena; Não é só o grande lago e as estátuas de gesso que lá foram postas para dar uma ideia do original, é tudo o que nos últimos anos tem sido posto a descoberto nas sucessivas campanhas de escavações, mesmo que isso ainda as deixe muito aquém das ruínas de Pompeia ou de Herculano a quem o Vesúvio eternizou, mas que nunca terão as mesmas memórias. Que se saiba, Antinoo nunca desfrutou dos encantos da costa Amalfitana nem participou das lascividades de Tiberius na sua Villa Jovis na Península de Sorrento em Capri.

Estas leituras, com a preciosa ajuda da net, levaram-me a descobrir muita coisa que, há vinte cinco anos atrás, nem sequer imaginava que existiam, mesmo já admirando Pessoa e devorar Sá-Carneiro. Nunca podia ter imaginado que o primeiro tivesse escrito, em inglês, este poema de que deixo aqui algumas estrofes para aguçar a curiosidade de quem gostar e quiser aprofundar o tema.

Antínoo (trechos)
Oh mãos que já apertaram as de Adriano quentes,
Cuja frieza agora as sente frias!
Oh cabelo antes preso pelo penteado justo!
Oh olhos algo inquietantemente ousados!
Oh simples macho corpo feminino
qual o aparentar-se um Deus à humanidade!
Oh lábios cujo abrir vermelho titilava
os sítios da luxúria com tanta arte viva!
Oh dedos que hábeis eram no de não ser dito!
Oh língua que na língua o sangue audaz tornava!
Oh regência total do entronizado cio
Na suspensão dispersa da consciência em fúria!
Estas coisas que não mais serão.
A chuva é silenciosa, e o Imperador descai ao pé do leito.
A sua dor é fúria,
Porque levam os deuses a vida que dão
e a beleza destroem que fizeram viva.
Chora e sabe que as épocas futuras o fitam do âmago do vir a ser;
O seu amor está num palco universal;
Mil olhos não nascidos choram-lhe a miséria.

Antínoo é morto, é morto para sempre,
É morto para sempre, e os amores todos gemem.
A própria Vénus, que de Adónis foi amante,
Ao vê-lo então revivo, ora morto de novo,
Empresta renovada a sua antiga mágoa
Para que seja unida à dor de Adriano

(...)
 
(poesia originalmente escrita em inglês, tradução de Jorge de Sena)

Bueno: Não é difícil entender porque o Imperador te amou tanto. Ou não?

P.S. Já comecei outro livro, que também estou a devorar, mas que me está a ser muito indigesto “ O Quarto de Hospedes” – depois falo dele.
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domingo, 12 de abril de 2009

Ray Fernandez

Entrevista a Ray Fernandez

H.
En tu canción El librero, después de hacer una selección exquisita de autores y libros dices "..a mí los libros no me enseñaron ná" ¿Qué es para ti la literatura?

R. Chico, la literatura me apasiona, y mi canción "El Librero" es un juguete, una paradoja, pongo en boca de un personaje de ficción muchas de mis contradicciones. A veces uno encuentra en los libros cosas que intuía desde siempre, pero que nunca las había aprehendido, funciona entonces el libro como una suerte de espejo. Soy muy pusilánime, de eso esta impregnado también el librero, pero ya te dije antes que ese tema es un juguete, disfruto mucho cantándolo y escuchando luego a las personas cuando se me acercan preguntando: - pero ven acá compadre, como es posible que los libros no te hayan enseñado ná si te pasas la canción entera presumiendo y hablando de cosas que solo un lector compulsivo puede saber- y eso es lo que me gusta a mi, que la gente se cuestione cosas y se me acerque.



El trovador cubano Ray Fernández canta y toca la guitarra en el bar Fresa y Chocolate de La Habana

Tradução:

H. Na tua canção El librero, depois de fazer uma selecção esquisita de autores e livros “…a mí los libros no me enseñaron ná"; O que é para ti a literatura?


R. Rapaz, a literatura apaixona-me, e a minha canção “El Librero” é um jogo, um paradoxo, ponho na boca de uma personagem de ficção muitas das minhas contradições. Às vezes uma pessoa encontra nos livros coisas que intuía desde sempre, mas que nunca as tinha apreendido, funciona então o livro como uma forma de espelho. Sou muito pusilânime, disso está impregnado também o livro, mas já te disse antes que esse tema é um jogo, desfruto muito cantando-o e escutando depois as pessoas quando se aproximam perguntando: - mas vem cá compadre, como é possível, que os livros não te tenham ensinado nada se passas a canção inteira a presumir e falando de coisas que só um leitor compulsivo pode saber? – e isso é o que ma agrada a mim, que as pessoas se questionem coisas e se me aproximem.


Preguntas: Hugo Torres Hernández
Respostas: Ray Fernández
Tradução: Minha; lol


Bueno: Ainda há música para além da Revolução
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El Librero

A pedido de muitas famílias – Finalmente o vídeo que tinha desaparecido do Youtube… já está aqui...
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O LIVREIRO

O que sei… o que sei não o aprendi na rua
O que sei foi estudando, e que vá
Foram tantas e tantas leituras
Que a larga medida total
Foram tantos e tantos os livros
A mim os livros me confundiram mais
Eu lhes dou este são conselho
A todo aquele que gosta de ler
Quem pretenda chegar a velho
Que aprenda a desconfiar do papel
Porque o Papel … O papel de nobreza aparente
Que o inventa sem tinta e sem tonga
Evito o tom que é tão resistente
Suporta todo o que se lhe ponha
Façam fila, estou oferecendo
A minha literatura universal
Há Goethe, Victor Hugo, Cervante
Dostoievki, Nietzsche e Thomas Mann
Façam fila para literatura
Vem mais quentinho que o pão
Mário Puzo (...)
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Bueno: Amanhã traduzo o resto... a melhor parte ainda está para vir.
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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Sem caroço

E assim chegámos à Pascoa.
Sem ovos nem galinhas... sim... sim, nem galinhas!
As poucas que havia eram de água,
atravessaram o tejo a nado.
Só voltam quando construirem a nova ponte e o TGV.
Esqueceram-se de nós
Lembrar para que?
Só sobraram más recordações.



Bueno: Amendoa a amendoa enchem as coelhinhas o papo...

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segunda-feira, 16 de março de 2009

Mais Índia, Mais Filmes e Mais Óscares e tudo à moda dos Estates


Como sempre, no Sabado à noite voltei ao cinema. Fui ver Casamento de Raquel, não estava à espera de nenhum filmaço, nem de nada dialecticamente transcendente. E não fui surpreendido. O filme dói um bocado a ver, em especial a parte em que entra a música de baile para animar a festa. Nunca dá bom resultado em cinema, querer meter o Rossio na Rua da Betesga. A cena nem começa mal; Tem a abrir um Bloco de Samba Brasileiro, que me trouxe logo à memória o meu Carnaval de 2008 no Rio de Janeiro e de como o Bloco de Ipanema é divertido com as suas Caricatas. Esta cena inicial, surpreende pela espontaneidade e a alegria de ser dançada e tocada por verdadeiros artistas - emigrantes brasileiros - nada de imitações americanizadas. O pior vem logo a seguir e mostra-nos bem quão a cultura norte-americana é vertiginosa e está pelas ruas da amargura. Um pouco de mais critério nas músicas e menos velocidade nas transições teria sido bem melhor e dava-nos tempo a reconhecer o que tocabam. E a ver como na parte norte do continente se dança mal. Se calhar foi de propósito para não termos tempo de nos aperceber desse detalhe. Mas isso, toda a gente sabe.
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Muito pior que esta cena, é a da discussão das irmãs na véspera do casamento – mete dó de tão forçada e irrealista, seria compreensível depois de um enterro, mas nunca na véspera de um casamento tendo como protagonista a própria noiva. E os diálogos deveriam ter sido escritos por um qualquer autor francês que teriam sido bem mais interessantes. Quando é que os norte-americanos se vão convencer que, eles só sabem escrever bem discursos políticos para pôr o povão em êxtase, e que no que diz respeito a cenas intimistas só levam algum jeito se forem trágico-comicas? Diálogos tipo Woody Allen no seu melhor, que nunca foi o meu melhor estilo cinematográfico. Só comecei a gostar dele depois da Rosa Púrpura do Cairo.



O elenco não era mau … nem bom, e a Academia, desta vez, também foi desta opinião e para isso contribuiu em muito o mau desempenho geral do filme. A actriz principal, o melhor que conseguiu, foi uma nomeação para melhor actriz coadjuvante (modernice que este ano se começou a utilizar para designar o que antes se chamava actriz secundária), e como era de esperar não ganhou a estatueta. Anne Hathaway até que se aguenta bem num papel tão pesadamente trágico, que vai marcar de certeza a sua carreira, que ainda é tão curta aos vinte seis anos. Não é um mau princípio para ela, mas é um mau final para a arte de bem representar. Já a conhecia de dois bons filmes marcantes e até me tinha sido simpática mas, quer em Brokeback Mountain (2005), quer em O Diabo veste Prada (2006), a sua presença era quase invisível.

Fiquei sem saber quem era a actriz principal do filme - isto é: qual das atrizes participantes teria merecido esta nomeação - mas, quando acabou, a minha alegria foi tal que, também já não me importava nada o facto de o filme só ter actrizes secundárias. Nada mau para um filme de quinta categoria, que traduz o pior do espirito tacanho dos Estados Unidos suburbano e da sua cinematografia. Em particular daquela que a academia reconhece e promove.

A única coisa que me animou no filme foi ver que a indumentária e a decoração escolhida para a cerimónia do casamento era de inspiração indiana. Ao igual que as escolas de Samba que, através de um sistema de espionagem sofisticado, descobrem e copiam o enredo umas das outras o que fez com que no ano passado no Carnaval do Rio dominavam os temas em torno dos 200 anos da chegada da corte Portuguesa à cidade, ao passo que em São Paulo eram os 100 anos das primeiras vagas de emigrantes Japoneses que serviram de inspiração. Parece que em Hollywood acontece o mesmo e os 008 que, infelizmente não estão ao serviço de Sua Magestade, não descançaram, o que faz com que este ano Cinewoodesco vá ficar para sempre lembrado como o ano do enredo Indiano. Se esta inspiração temática não passar rapidamente, então façam as coisas como devem ser feitas e filmem as proximas peliculas em estudios de Bollywood, onde a autenticidade está garantida e a possibilidade de ganhar vários nomeações aos Óscares será bem maior. O guarda-roupa nem era assim tão bom. Se não fosse a tenda e o Bolo de Noiva o filme era um autêntico deserto de emoções visuais, e os olhos também comem.

Bueno: Eu também já comido uma fatia de um bom bolo…

E imoral da história - a bruxa má era a mãe! (Como na vida?)
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sexta-feira, 13 de março de 2009

MP fez buscas nos serviços do Ministério da Educação

Equipa de procuradores especializados no crime económico levou a cabo operação

04.03.2009 - 08h28 José António Cerejo


Uma equipa de procuradores da 9.ª secção do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, especializados na área da corrupção e do crime económico, efectuou no mês passado uma série de buscas nos serviços centrais do Ministério da Educação, na Av. 5 de Outubro.

Os magistrados, que não se fizeram acompanhar pela Polícia Judiciária, recolheram numerosos documentos e outros materiais relacionados com os dois contratos celebrados entre o Ministério da Educação e o jurista João Pedroso, em 2005 e 2007, no valor total de 287.980 euros. O objecto da contratação, feita por ajuste directo e decidida pessoalmente pela ministra Maria de Lurdes Rodrigues, residia na realização de um levantamento de toda a legislação publicada em matéria de educação e na sua sistematização.
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Questionada na imprensa e no Parlamento, nomeadamente com base na existência de numerosos juristas nos quadros do ministério capazes de fazer esse serviço, a iniciativa da ministra foi justificada no final de 2007 com a "especial aptidão técnica jurídica na área da educação" de João Pedroso - um juiz com licença sem vencimento desde 1990, que não tinha qualquer currículo em Direito da Educação, que era à época professor em regime de exclusividade na Universidade de Coimbra e que tinha ocupado altos cargos nos governos de António Guterres.
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A investigação em curso no DIAP, que foi ontem noticiada pelo Diá
rio Económico e confirmada pela Procuradoria-Geral da República, teve origem numa denúncia datada de Junho do ano passado. O PÚBLICO confirmou junto de várias fontes do Ministério da Educação que os procuradores do DIAP não se limitaram a levar documentos, tendo feito diversas outras diligências cujo conteúdo não foi revelado.Após a divulgação de várias notícias sobre a contratação de Pedroso, o Ministério da Educação exigiu-lhe, em Novembro passado, a devolução de 133.100 euros, do total de 287.900 que lhe tinha adiantado. Para rescindir o contrato, o ministério alegou que o jurista só tinha feito metade do trabalho, ao que este contrapôs ter feito 80 por cento, propondo-se devolver apenas 20 por cento do que recebera.
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O ministério manteve a posição inicial e acabou por aceitar que o antigo membro do Conselho de Jurisdição do PS e irmão do deputado Paulo Pedroso repusesse os 133.100 euros em 12 prestações mensais, com início em Janeiro passado.Além de João Pedroso, foram contratados inicialmente um antigo secretário-geral do ministério (António Landeira) e um jovem jurista que é actualmente adjunto do ministro da Justiça (José Vasconcelos Dias). Estes, porém, receberam apenas cerca de 1100 euros cada um durante 12 meses, ao abrigo do primeiro contrato.
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Bueno: Mais uma dorzinha de cabeça para a Sinistra, perdão S.rª Ministra.
Cabeça?
Eu disse cabeça?
Onde é que eu estava com a cabeça quando disse cabeça!
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domingo, 1 de março de 2009

O Último Domingo de Férias ou A Depressão Pós-Carnaval

Hoje ainda me devia sentir em férias mas, como é Domingo, não consigo já ter essa sensação. Fiz um interregno na pausa lectiva carnavalesca, na 5ª Feira, para dar uma mão cheia de aulas a tarde toda, até reposições fiz mas, como não me tive que levantar às sete da manhã e não tive nenhuma reunião, daquelas que duram a tarde inteira e me deixam com dor de cabeça, isso não conta. Até foi um prazer poder passar a tarde toda a fazer o que gosto com sol e numa sala já menos gelada e sair ainda com alguma claridade no horizonte; Não confundir com luz ao fundo do túnel, que essa foi desligada para poupar devido aos tempos de crise. Mas já havia no ar um cheiro a Primavera.
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Mas, com a proximidade de uma semana cheia de madrugadas, o tempo estragou-se no sábado e hoje caiu do céu aquela dêpre de Domingo. E ainda tenho que acertar os sonos esta noite, que é o mesmo que dizer, fazer uma directa talvez a ler pois o meu fígado nega-se a sair mais uma noite. Quem é que pode ter sono à meia-noite depois de andar dez dias a deitar-se às quatro da manhã, na melhor das hipóteses?
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Bueno: Carnaval na rua, Pascoa onde Deus quiser… e até lá há que sacrificar a carne pois estamos na Quaresma.

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A ÍNDIA ESTÁ NA MODA E AS VACAS SAGRADAS TAMBÉM

Costumo ir ao cinema todos os Sábados à sessão da meia-noite e ontem fui ver o filme do ano, há muito que não via um filme que me enche-se tanto as medidas. “Quem quer ser bilionário?” foi o filme que obteve mais nomeações para os Óscares – dez no total, fora os vários prémios que já leva ganhos, incluindo o da Academia Inglesa e dos Globos de Ouro para melhor filme. Vai-se conhecer esta noite a quem vão ser atribuídos e eu vou ficar acordado a ver em directo. Espero que este filme ganhe boa parte dos Óscares para que está nomeado pois, convenceu-me, e não é fácil um filme conseguir essa proeza. Especialmente não sendo de David Lynch ou de Tarantino e não tendo nenhum dos meus actores fetiche. Pena não ter nomeações para melhor actriz e melhor actor. Apesar de jovens inexperientes, eles até mereciam umas nomeações, todos talentos prometedores, em particular o actor que faz o papel do protagonista em novo, que é impagável, e as orelhas do mais velho também.

Este filme, para além de um elenco fantástico e de um argumento que nos faz revisitar o crescimento recente e vertiginoso das economias asiáticas emergentes, em particular da cidade de Bonbain/Mumbai capital económica da Índia recentemente palco de sangrentos atentados, tem também de interessante a confirmação de que este país e a sua cultura estão definitivamente na moda. Em Portugal, já vamos na segunda telenovela que nos leva até à Índia, a primeira nacional da TVI e agora a Brasileira da SIC “Caminho das Índias” o que confirma que o fenómeno não é apenas local nem se deve a motivos saudosistas. Também o Equador, começa nessas paragens, e se isto é assim na produção nacional, quem é que já se esqueceu de “A jóia da coroa” com a qualidade das series britânicas? Pena não chegar até nós o que se faz por lá. Da vasta produção de Bollywood certamente haveria muita coisa interessante que poderia ser vista nas nossas salas de cinema e na nossa televisão.

A moda ainda não chaga a tanto mas, enquanto esperamos, podemos ir deliciando os outros sentidos. O paladar, já tão familiar a muitos, e a audição, também já apreciada por tantos. Sim, porque esta moda inclui, cada vez com mais intensidade, entre outras coisas, a música que já ouço há algum tempo e que aprecio, muito para além do seu folclore. Fui uma aluna minha, que trabalhava numa loja indiana, que me iniciou, e depois veio o interesse pelo tema, pelos intérpretes e as pesquisas no youtube onde existe um manancial inesgotável sobre música Indiana. E o gosto tem se vindo a contagiar por muitos dos que estão ao meu redor, em particular pelas alunas, mas é interessante verificar que é um fenómeno generalizado e que a reacção é sempre muito semelhante – primeiro estranha-se e depois entranha-se - e acabo invariavelmente a passar-lhes as músicas para os seus MP3. Há uma aluna que, ficou de tal modo fascinada que, até já ensaia as coreografias.

Foi através do youtube que pude descobrira a materialização da música indiana nas imagens dos maravilhosos vídeos clips de produção bollyoodesca que nos deixam pregados à cadeira tal como acontece no final do filme, em que quem já estava de pé se voltou a sentar para assistir aquela coreografia hilariante, embora num cenário muito mais modesto que o dos vídeos que acompanham as versões oficiais das músicas. É um desses vídeos que quero aqui divulgar, com a esperança de que através deles, um dia, possamos ter cinema Indiano de boa qualidade ao nosso alcance. Até lá, recomendo a todos este filme, mesmo aqueles que não querem ser bilionário que, apesar de ser uma produção ocidental, serve muito bem para ir abrindo o apetite.
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Óscares para Quem quer ser bilionário:
- Melhor Argumento Adaptado
- Melhor Fotografia
- Melhor Som
- Melhor Montagem
- Melhor Direcção
- Melhor Realização
- Melhor
e… … … … … …
- Melhor Filme
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Bueno: E quanto às vacas sagradas, já me esqueci o que queria dizer. Só me vem à cabeça uma que, de sagrada não tem nada.
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sábado, 21 de fevereiro de 2009

Não é com moscas (mortas) que se apanha Vinagre

Não foi só por falta de tempo que fiquei mais de uma semana sem postar nada aqui. Também foi mas, mesmo que não tivesse tido uma semana alucinante de trabalho escolar e reuniões que me rebentaram com a cabeça (com actas à mistura, montagem de exposições e discussão de Objectivos Individuais), acho que não teria escrito nada na mesma. Já tinha decidido que não iria escrever nada durante algum tempo, para não retirar peso e importância ao último post, que passaria a descer na página e perder protagonismo. Achei que necessitava de ficar a marinar uns dias no topo do caldeirão para que os comentários pudessem ir sendo cozinhados em lume brando para alimentar todos aqueles que estivessem com apetite.

Toda a gente tem alguma coisa a dizer sobre a injustiça que acontece neste mundo, em particular por aquela que atinge os que nos estão mais próximos, aqueles que estão no lugar em que um dia poderemos estar nós. Não só as pessoas com responsabilidade mas, também todos os indivíduos, os simples cidadãos, de dentro e fora dos sistemas, têm alguma coisa a dizer sobre este assunto. Numa carta escrita, desde a cadeia de Birminghan, Martin Luther King disse: “A injustiça particular é uma ameaça à justiça universal. Estamos encurralados numa rede iniludível de reciprocidade, unidos num único destino. O que afecta a uma pessoa directamente, afecta a todas indirectamente”.

Isto acontece em relação ao que se passa no nosso planeta, que cada vez é mais global – guerras, poluição, destruição de recursos, opressão e perseguição de populações pela sua raça, credo ou (in)cultura… mas, também a um nível mais doméstico – Casa, Família, Trabalho, Bairro, Cidade e País. Por isso, temos que ter o enorme valor de reconhecer que, também nestes casos, que nos são mais próximos, existem práticas constantes e não justificadas de violação dos direitos que nos são devidos pela nossa constituição, pretensamente democrática.



Esta violação, expressa-se nos medos, e cada vez são mais notórias e nas mais diversas situações: Expressão, Informação, Pensar e Opinar, que se traduzem em limitações aos mais diversos níveis, para não falar em questões mais pessoais ou intimas como a liberdade politica, religiosa e de orientação sexual, também elas garantidas por lei. Não reconhecer esta realidade, em nada favorece a nossa vida em sociedade e faz-nos perder o respeito por nós mesmos, aos nossos olhos e aos olhos dos outros, amigos e inimigos. Calar e consentir é meio caminho para a destruição do nosso semelhante e, por arrastamento, de nós próprios - mais cedo ou mais tarde.

Por isto tudo, quero deixar aqui o meu reconhecimento a todos os inconformados com as injustiças que se manifestaram solidários com o colega José Vinagre. Nunca pensei que fossem tantos e que o meu Blog, nos comentários de alguns Posts, se transforma-se no Fórum da ASED. Mesmo aos que o fizeram sob pseudónimo. Admiro-vos a todos, e em particular aos que elevaram a discussão a um altíssimo nível intelectual, que até consigo entender o alcance dessa estratégia dialéctica, pena que ela não seja acessível a todos os seus destinatários. Tendes que ser menos imodestos para fazer passar as vossas mensagens; Diria mesmo, mais curtos e grosso: que isto “para quem é – bacalhau basta!”

Mas, houve muitos mais que tentaram, que não ficaram indiferentes, que quiseram mostrar a sua solidariedade, e por falta de domínio das TIC’s e outras dificuldades nestes circuitos, não conseguiram enviar os seus comentários. Para estes também um grande obrigado, em meu nome e do colega Vinagre. Para todos os outros que por MEDOS se mantiveram nas sombras e de boca fechadinha os meus sentidos pêsames. Temos pena mas, dos fracos não reza a história. Se chegámos onde chegámos, foi porque os mais fortes venceram e os mais fracos ficaram pelo caminho, é a lei da natureza: elementar meu caro Darwin. Há ainda os que ainda não tiveram tempo, os que para quem este assunto não é prioritário, pode esperar, e quanto mais tarde melhor, até puder cair em esquecimento e dormir de noite na mesma. Não sei se não se acabarão por diluir nos anteriores mas, com uma vantagem: sem consciência disso! Achando-se diferentes e melhores; Será que não são moscas ainda piores a esvoaçar o mesmo fedor?


Bueno: Como diz o meu amigo Alberto Vaz (comentador brazuca de serviço):

Sabedoria não ocupa lugar mas burrice é muito espaçosa.

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

UM POR TODOS - TODOS POR UM ou Tanto Fel e Vinagre é Demais

Tenho andado muito ocupado a travar uma guerra solitária, embora com a solidariedade de alguns amigos/colegas, contra a indisciplina que graça na minha escola. Como tal, não me tem sobrado muito tempo para me envolver nos problemas que atingiram o nosso colega Vinagre. Mas, tenho dado algum contributo nessa luta aqui, em particular nos últimos textos, embora os anteriores fossem já preparatórios pois, relacionados com a indisciplina, estão necessariamente relacionados com este caso de que hoje falo.

Agora, que disparei e gastei todas as minhas munições ligeiras no alvo da indisciplina (vou guardar o armamento pesado para alguma emergência), quero dedicar algum do meu tempo a essa causa mais que justa, que sei, que também já muitos abraçaram, com um valor que me surpreendeu. Desde já os meus parabéns, que vão em particular para a professora Graça Maia que, teve a louvável iniciativa de redigir o texto que aqui publico, com o assentimento da sua autora. É o texto que esteve colocado na sala de professores, por breves momentos, e que logo se providenciou para que fosse retirado mesmo antes de eu o poder ler. Dele, só ouvi alguns elogios muito abonatórios, mas infelizmente de muito poucas pessoas. Provavelmente há muitas mais a pensar o mesmo mas não têm coragem de se manifestar. Pode ser que aqui tenham…

Também eu, há exactamente um ano a trás, me vi envolvido numa situação injusta, quando regressei da minha Licença sem Vencimento e, na altura, apreciei a solidariedade demonstrada por alguns colegas e amigos, bem como a sua ajuda para ultrapassar esta situação. Por isso, como calculam, não poderia ficar indiferente a tamanha injustiça como aquela que se está, mais uma vez, a passar na nossa escola e que não deixa de estar relacionada com a causa por que eu me tenho batido – a Disciplina.

Abaixo-assinado


Os abaixo assinados vêm deste modo manifestar a sua solidariedade com o professor José Carlos Vinagre e a funcionária Maria José Almeida a quem foram aplicados uma pena de repreensão por despacho da Senhora Presidente do Conselho Executivo datado de 19 de Janeiro de 2009 na sequência das ocorrências do dia 19 de Setembro de 2008 na aula de Português leccionada pelo Professor acima referido;
Tendo em conta que os factos apurados no inquérito instaurado reforçam a ideia de que o professor procurava a todo o custo impor a ordem dentro da sala de aula como é seu dever no âmbito das atribuições que lhe competem;
Tendo em conta que o professor José Carlos Vinagre é respeitado pelos colegas e alunos pela sua competência pedagógica e humana de que tem dado sobejas provas;
Tendo em conta também que a funcionária Maria José Almeida goza de estima e consideração por parte dos colegas, professores e alunos desta Escola;
Considerando desmedida a pena aplicada a um facto que se revelou ser circunstancial - decorreu no início do ano escolar (3 dias após o início das aulas) -, quando a escola ainda vivia um clima de turbulência generalizado que todos sabem ser característico dos inícios de ano;
Considerando desproporcionadas as consequências da aplicação de uma mesma pena a Professor, Funcionária e Alunos, os primeiros mais agravados do que os segundos dado estar em causa a sua carreira profissional enquanto que para os Alunos a pena aplicada não tem consequência de maior para o seu percurso escolar;
Em face do exposto, solicitam os abaixo-assinados que o Conselho Executivo, na pessoa da Presidente Maria Armanda Côdea, releve as penas de repreensão registada aplicadas ao professor José Carlos Vinagre e à funcionária Maria José Almeida e que os alunos envolvidos nos distúrbios apresentem um pedido de desculpas formal ao Professor José Carlos Vinagre.

Lisboa, 5 de Fevereiro de 2009
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Bueno: Quem ficar indiferente e não falar agora, então que se cale para sempre.
Mas depois não se queixe…
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

ESTÁ BEM... FAÇAMOS DE CONTA Ou Mário Crespo no seu melhor

Ontem, deparei-me com este artigo de opinião espantoso, escrito pelo jornalista mais competente da actualidade, que para além desta qualidade, entre muitas outras, agora demonstrou também ser um homem de enorme coragem e uma isenção irrepreensível. Se tudo o que este artigo resume e relembra (às memórias mais selectivas), for obras de campanhas negras, então vamos ter que acreditar que existe muita gente que não faz outra coisa se não conspirar. Ou será obra de magia negra?, Olho gordo? (inveja), bruxaria ou feitiçaria?

Se estas suspeitas (suspeitas?) todas recaísse sobre mim, não pregaria o olho de noite mas, como recaem só sobre o primeiro-ministro do meu país, penso que todos os portugueses podem dormir descansados. Ele é um homem impoluto, devemos acreditar na sua honestidade política e honra pessoal, na sua, na dos seus ministros e amigos políticos e na de toda a sua família, até na do filho do meio-irmão da mãe, como se de um dogma se tratasse. Quem não acreditar será considerado traidor à pátria por Decreto-lei. É para isso que existem as maiorias, para aprovar leis e Zonas de Protecção Especiais, quer sejam más, quer sejam péssimas.

Então está bem, façamos como Mário Crespo!


ESTÁ BEM... FAÇAMOS DE CONTA

2009-02-09

Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.

Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda).



Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal.* Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.
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Bueno: Eu não acredito, pêro que las ay, las ay!
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* Deve ter sido por isto que o Mário lhe soltou os cachorros em cima e lhe mordeu as canelas quando o avisou: “e o Senhor não brinque comigo com palavras”. Aquilo correu mal ao Pedrito!
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NOTIFICAÇÕES ou A Alegria de fazer os meus Objectivos Individuais

Hoje não vou postar nada de jeito mas, quero informar os meus seguidores, aqueles que me acompanham como se de uma telenovela se tratasse, que estive ocupadíssimo a definir os meus Objectivos Individuais. Deram-me uma trabalheira e, com eu sou alentejano … Mas o trabalho, não pensem que foi fazê-los. Eles fazem-se com uma perna às costas. O trabalho maior, foi mesmo, decidir se os fazia ou se, em vez disso, entregava um outro documento a pedir uma avaliação justa que valorizasse as minhas verdadeiras funções de docente, coisa que esta, como já ficou claro, não o faz.

Sim; Teve que ser! Acabei por me decidir a fazer só para ver no que vai dar mas, mesmo depois de feito, ainda tenho dúvidas sobre se os devo entregar ao não. Amanhã logo veremos! Em particular porque tenho a certeza de que não serão aceites pois, para ser coerente, eu coloquei como Objectivos, aquilo que eu considero estar relacionado com a actividade principal da função de docente e isso não é valorizado neste sistema de avaliação e como tal não é suposto constar nos Objectivos a atingis. Em particular na minha escola onde se vive a obsessão do mensurável e quantificável.

E isto tudo porque, na segunda-feira, tinha uma notificação à minha espera, a dar-me o prazo de três dias para os entregar (não sei se a segunda já contava ou não?), se não, corria o risco, do período sem avaliação não ser considerado para os efeitos da evolução da minha carreira. Continuo a ter grandes dúvidas que ninguém me sabe esclarecer: Qual Carreira? Qual Período? O Biénio? Só este ano lectivo?
Ao revelar isto, julgo não estar a cometer nenhuma inconfidência, uma vez que esta Notificação, na minha escola, foi praticamente pública. Ela foi-me entregue por uma funcionária e estavam, na sua secretária, junto das outras seis, à vista de todos para que quem quisesse ficasse a saber quem eram os sete magníficos marginais, para se deixar atemorizar com elas.

Foi isto que aconteceu a uma colega que, tendo visto a minha, entrou na sala de professores a benzer-se repetidamente, e a proferir o meu nome “Ai Paio; Ai Paio; Ai Paio”, também repetidamente como se tivesse acabado de se cruzar com o diabo e ele lhe tivesse dito que vinha no meu encalce. Quando soube o porquê da sua aflição, que afinal só tinha visto uma Notificaçãozinha, tive o cuidado de a esclarecer que, não se tratava de nenhuma condena a arder eternamente no fogo dos infernos, para que ela ficasse mais tranquila, já que a sua saúde, nos últimos tempos tem sofrido alguns precauces e a sua cabeça grandes traumatismos.

Bueno: Vai ser para o lado dos Objectivos Individuais que eu vou dormir esta noite, é para o lado que eu durmo melhor.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

À ESPERA QUE A TTT CHEGUE ou Não me matem a esperança

Este fim-de-semana tive que me debater com a depressão causada por uma das piores desilusões dos últimos tempos - A morte da esperança de mudar de escola para os próximos quatro anos ou, quem sabe, se para o resto da vida!

Depois de se anunciar a possibilidade de existir um concurso que permitisse a mobilidade dos professores titulares, alimentei a secreta esperança de, se isso viesse a acontecer, haveria vagas em número suficientes e em escolas que me agradassem, de modo a que pudesse finalmente abandonar a escola em que me encontro paralisado há alguns anos.

Quando o concurso finalmente saiu, para além de um prazo diminuto para concorrer, trazia também a desagradável surpresa das vagas postas a concurso. No caso do meu grupo, em todo o Distrito de Lisboa, existiam somente três vagas: Uma em Alenquer, outra na Ramada e a última num sítio qualquer, também do concelho de Loures, que já nem me lembro do nome.

Fiquei, até sexta-feira sem saber o que fazer, enquanto toda a gente à minha roda dizia que era desta que ia dali para fora … E levei esse dia todo a contar os minutos que faltavam para que ainda pudesse tomar a minha decisão, mas não me decido. Ou melhor, decidi que não me ia decidir a concorrer. E agora, tenho no horizonte, dos meus próximos quatro ano, as turbulências próprias de um céu negro e deprimente.

Agora digam-me: Que esperança me resta com a tempestade que se adivinha?
Nenhuma?
Não!
Nego-me a pensar que estou condenado a passar mais quatro anos num covil desgovernado.
Mais quatro anos a dar aulas numa sala de “desenho” em que o lavatório não funciona, em que temos que carregar água a baldes e em que as alunas, quando precisam de lavar as mãos os pincéis ou os godés, têm que utilizar as instalações sanitárias das funcionárias. E isto dura desde que me transferiram da sala sete onde as condições logísticas eram minimamente aceitáveis, apesar do frio ser o mesmo. No Inverno a temperatura chega a ser cinco graus mais baixa que na rua e este ano por várias vezes as alunas recusaram-se a entrar e permanecer lá dentro noventa ou ainda mais minutos.

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Nego-me a continuar a fazer um esforço enorme para exercer a minha profissão com um mínimo de qualidade didáctica, a ter que continuar a fazer omeletas sem ovos e estas serem comidas por quem não mexe um dedo para as merecer e depois nem dá nenhum elogio ao cozinheiro. Não quero reconhecimento. Queria dignidade. Mas agora já me cansei! Agora já não quero mais nada. Já não espero que possa vir nada de bom daquelas bandas. Agora o que eu queria mesmo era sair dali para fora.

Mas ainda me resta alguma esperança de não ter que cumprir quatro anos de pena, num sistema onde o bom comportado não vale de nada. Não é reconhecido. O mau talvez? Sim, existe a esperança da nova ponte poder vir a amnistiar a minha pena. Existe sim, a possibilidade da ponte chegar antes que os quatro anos se cumpram na íntegra. E como a esperança é a última a morrer…

Bueno: Era contra a TTT (Terceira Travessia do Tejo), agora já sou a favor. E que venha logo!
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

MILK ou A Arte de Bem Dissimular a Toda a Sela

Ontem fui ao cinema - Sábado (tenho que dizer, não vá este texto também só ficar acabado depois da meia-noite). E já eu tinha tomado essa decisão, e também que película ia ver, quando ouço (só ouço, nego-me a ver aquela coreografia de gestos e esgares alucinados e sem maneiras) o Sr. Sócrates no Jornal das 10 da “SIC Notícias” em campanha pelo Norte do país a anunciar as bandeiras do seu novo programa com que se vai apresentar às próximas legislativas. Entre outras bandeiras, anunciou a da legalização das uniões entre pessoas do mesmo sexo.

Para se justificar desta iniciativa, contou o enredo do filme que eu ia ver daí a umas horas, para explicar que essas injustiças, que ainda há poucos anos se verificavam nos Estados Unidos, e a perseguição a pessoas baseada na sua orientação sexual (sim ele disse orientação e não opção, mostra que está informado!), não se podiam continuar a verificar em sociedades civilizadas tal como se passa ainda hoje um pouco por toda a parte. Ainda aproveitou para elogias a carácter e a coragem do primeiro homossexual assumido, eleito para um cargo público na América. Contou que a história se baseava em factos reais da vida de um político que acabou assassinado depois de uma vida a lutar pelos direitos da comunidade a que pertencia.

Mas tinha que falar do filme para se justificar? Terá por acaso medo que alguém duvide da sua hetrossexualidade? Pensará que nós não sabemos que a iniciativa desta proposta e a autoria de todo o programa é do António Costa e não sua? O seu colega Sapateiro, logo no primeiro mandato à frente do governo fez aprovar esta lei em Espanha e ninguém pôs em causa a sua sexualidade. Porque não fizeram os socialistas portugueses o mesmo? Os socialistas portugueses, depois de afrontados com propostas semelhantes vindas até de dentro do seu próprio partido e da JS, vão agora finalmente ter coragem de abordar o tema. Será que não vão já tarde? Eles que, tendo maioria, chumbar a lei, irão ser capazes de convencer alguém que, se não perderem as eleições, a vão aprovar agora? Cheira-me a Regionalização. Está sempre nos programas, mas depois, nunca se faz. A conjuntura é sempre desfavorável.

Sócrates sabia a história do filme de trás para a frente e quase o contava toda para quem o quisesse ouvir, coisa que eu não vou fazer aqui para não desfazer o interesse de quem o tencionar ver. Mas quase que desisti de ir ao cinema, o Secretário-geral do PS quase desfazia o meu, de tão pormenorizadamente que o contou. Mas no final, quando se referiu a seu título, o Zezito (é assim que ele é tratado em família) disse: “Acho que o filme se chama Milk”. Acha Sr. Engenheiro? Não tem a certeza? Qual é o seu problema? Não consegue fazer uma mnemónica com a palavra Milk? Ou o seu Inglês técnico não chega para tanto? A palavra Milk não lhe diz nada? Ainda por cima é o apelido da personagem principal, Harvey Bernard Milk. Há, já sei, ainda não teve oportunidade de ver o filme, nem tenciona fazê-lo! O Zezito não gosta dessas paneleirisses. Isso são coisas do Costa, ele é que fez o programa e que escreveu esse texto! Ele é que é . . . o cinéfilo. O Zé, até tem amigos que também são mas, ele não gosta de frequentar salas escuras!
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O mesmo Costa, que na Quadratura do Circulo fala das campanhas negras que atingem o seu camarada sempre que há eleições à vista. E enumerando-as, começa por referi-las por ordem cronológica, lembrando que a primeira foi o boato que relacionava o então candidato a primeiro-ministro com um actor. Com um actor Costa? Porque não se diz o nome desse actor? Estarão, por acaso com medo que, ao dizê-lo, nos lembremos que, à época, o Diogo Infante era um actor de telenovelas e que passados três anos já estava a dirigir o Teatro nacional D. Maria II?

Pelos vistos a dissimulação tornou-se uma disciplina e uma técnica fundamental da arte política. Um bom exemplo disto, é ver a forma como o Sócrates fala do primo Freeport, referindo-se a ele como o “filho do tio”. Será que isto faz com que nas nossas cabeças surja um distanciamento tal que não nos deixa concluir que é do primo que está a falar. Se é verdade, então o n.º 1 dos socialistas ainda tem muito que aprender para dominar esta técnica. Senão vejamos: se a dominasse realmente, nunca se teria referido ao tio como “tio”, deveria ter dito o “irmão da minha mão” ou melhor, no seu caso pessoal, o “meio-irmão da minha mãe”, também seria possível dizer o “filho do meu avó com a sua segunda mulher” que não lhe é nada. Sim, porque o termo avozastra não existe, só madrasta! Isto evitaria a utilização de qualquer pronome possessivo e logo, alcançar o efeito pretendido


Assim, para ficar politicamente correcto e mostra o domínio absoluto d@s nov@s tic’s políticos, que se baseiam em exacerbar a dissimulação ao extremo, e para criar o distanciamento pertendido de um parente (primo neste caso) que é abusador de confiança, o homem deveria ter dito “o filho do meio-irmão da minha mãe” ou então “o filho do filho do meu avo com a sua segunda mulher, que não me é nada”. Se a moda pega, vamos passar a ver os nossos políticos todos no emicírculo e nos debates que animarão os serões televisivos de 2009 a chamarem-se todos uns aos outros, “filho disto”, “filho daquilo” e “filho do outro”.


Bueno: Eu prefiro chamar os filhos pelos nomes!


Nota: A propósito do filme, Sean Penn no papel de Milk vai ser um forte candidato aos Óscares deste ano, tal como Gus Van Sant, agora que enveredou por coisas mais convencionais e menos experimentais.
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domingo, 8 de fevereiro de 2009

TUDO O QUE É BOM TEM UM FIM ou Não há bem que sempre dura e mal que se não acabe!

Hoje faz exactamente um ano em que eu retomei as minhas actividades lectivas depois de um mês de Licença sem Vencimento e de mais de quarenta dias longe de Portugal e sem pôr os pés na escola.

Devo-vos confessar que, nos últimos dias da minha longa ausência, até já estava com algumas saudades - de casa, de conduzir o meu carro, de comer coisas cozinhadas por mim, deste rectângulo, da Família e d@s amig@s, das minhas alunas e, pasme-se, de voltar à escola e voltar a ensinar. Acho que nunca tinha chegado tão cedo à escola como nessa manhã. Também não admira, com o jet lag que se apossou de mim, aquele desconforto que é sentido quando se fazem viagens mais longas, com grandes mudanças de fuso horário.

Mas, tirando a apoteótica recepção que as minhas alunas me fizeram (tinham ficado desconsoladas quando souberam que as abandonaria por uma longa temporada) e alguns colgas/amig@s, tudo o resto, que envolveu a milha volta, foi um terramoto de surpresas e posso-vos garantir que nem todas foram das boas. Foram revelações boas e outras muito más.

Arrependi-me logo de ter voltado, lógico! Mas, o que aconteceu de mau, não foi nada que deixa-se marcas profundas, a não ser a revelação de algumas verdades, que sempre estiveram alí e que muitas vezes nós não queremos ver. Mas agora, a um ano de distância, posso-vos garantir que só das boas já me lembrava, não fosse alguns acontecimentos recentes terem-me trazido à memórias as amarguras passadas.

Tenho que deixar aqui um profundo e sincero agradecimento a todos aqueles que estiveram a meu lado, animando-me e apoiando-me, naqueles momentos sinistros que, de tão surrealistas, pareciam tirados de um filme de David Lynch. Só não os nomeio aqui, porque teria que pedir a sua autorização, o que me daria uma trabalheira pois ainda foram bastantes e el@s sabem que são. Aliás, todas as pessoas que souberam desta história se mostraram bastante solidárias (da nossa e de outras escolas) e ficaram escandalizadas com tamanho excesso de zelo. Em particular, porque este excesso não se aplica a todos de forma isenta, porque ele estava a ser selectivo, tendencioso e imparcial.

Porquê? Acho que sei mas, não me vou alongar com acessórios.
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Legenda: É referente ao Brasil – Podia ser cá!

A mensagem que eu quero passar aqui, é que temos de deixar de olhar só para o nosso umbigo, temos que ver o que se passa ao nosso redor, com os nossos semelhantes. Insisto, ainda somos todos colegas. E se não o fizermos, corremos o risco de um dia nos tocar também a nós (espero que o que me tocou a mim já tenha sido suficiente). Talvez nesse dia não tenha soprado ninguém para nos ajudar. Não podemos ficar indiferentes à injustiça e muito menos à arbitrariedade sem nexo. Que, a ter justificação, prefiro nem pensar qual seja, pois não vejo nenhuma válida que a torne racional.

A justiça é um valor absoluto, não pode ser um valor subjectivo, feita à medida das conveniências de quem está no poder.
Pelo menos em democracia deveria sê-lo.
Ou querem lá ver que nós agora estamos no Brasil ou em Cuba!
Quem está com o poder, esquece-se facilmente que a vida é como os interruptores: umas vezes para cima outras vezes para baixo; E se agora pode, seja porque "méritos" forem, amanhã arreia…
Um dia é do caçador o outro é da caça e não há mal que sempre dure …


Bueno: .Felizmente, consola-me acreditar na justiça divina que, não é cega, nem muda e muito menos surda e que não é só do domínio celeste, também já a vi se feita cá na terra.


P.S. Mais uma vez este texto não saiu com a data pretendida, já foi colocado depois das 00:00h, logo a data a que me refiro no início é Quinta-feira - 7 de Fevereiro de 2008.
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sábado, 7 de fevereiro de 2009

AVISO À NAVEGAÇÃO OU MANUAL DE BOAS-MANEIRAS



Nunca pensei que os meus desabafos viessem a motivar tanto interesse por parte de tantos colegas, amig@s e até alun@s ao ponto de, a secção de comentários, estar quase a virar um “FORUM ESAD” (Escola Secundária de Afonso Domingues). Mas, não vou cair na asneira de não resistir à tentação de comentar os comentários. Apenas utilizarei aquele espaço quando me forem feitas perguntas directas, como já aconteceu – tipo o site da DGRHE das perguntas e respostas mais frequentes, para que tudo fique devidamente esclarecido e validado. De resto, se tenho a hipótese de escrever na parte principal – equivalente à classe Executiva, com direito a ilustrar as palavras, dar-lhes som e movimento, para que vou utilizar um low cost sem serviço de bordo.

Quero que saibam que, apesar de todos os comentários terem que ser moderados e aceites por mim (dai não ficarem visíveis logo quando os escrevem), nunca deixarei de publicar nenhum, só por não concordar com o seu conteúdo. Respeito todas as opiniões, mesmo aquelas que tentam ficcionar uma realidade educativa inexistente na nossa escola ou no panorama educacional português. Também se for para me criticar, não ficará por publicar – experimentem se têm dúvidas e coragem, claro. Aprecio a liberdade de expressão e, desde que ela não colida com os direitos e liberdades dos outros, nunca poderá, nem deverá ser entendido como um acto ofensivo por ninguém.

Eu venero e admiro quem pratique essa liberdade com urbanidade, e em particular quando o faz sem rodeios, com frontalidade e dando a cara. Mas, mesmo escondido atrás de qualquer pseudónimo, todos temos o direito de nos expressar, e são óbvios e aceitáveis os motivos que levam alguns a ficar na sombra. Não considero, que por isso tenham menos valor, têm é um valor diferente dos que dizem o que têm a dizer e depois assinam em baixo. No Brasil, desde que apareceu a linha “disque denúncia” para denunciar, anonimamente, a vasta criminalidade existente no país, o seu combate ficou bem mais fácil por parte das autoridades.

Por isso quero dizer ao Criado de Servir (que até acho que sei quem é, embora muitos outros pudessem ter enfiado já esta carapuça mas, isso agora teríamos que perguntar ao Cão descendente a qual deles se estava a referir), que os seus textos e todos os outros serão sempre por mim publicados, mesmo quando a confusão reinante em algumas cabecitas se explique facilmente por no nosso edifício escolar, existirem duas escolas em funcionamento, e como se torna óbvio, não estarmos a falar da mesma – também eu gostava de dar aulas na Agostinho Roseta mas, a realidade da minha escola, colega, é bem diferente da sua – a todos os níveis e eu não posso fazer como os nossos alunos mais inteligentes – pedir transferência.

Agora não tentem fazer do meu Blog o escape das vossas frustrações, não deixarei que os vossos comentários o tornem num instrumento insultuoso e a apelar à violência, mesmo que seja só à verbal. Por isso recomendo que, não chamem a ninguém coisas que não gostariam de ouvir chamar às vossas mães, mesmo que as pessoas em causa o mereçam. Mas, se o insistirem em fazer, eu não me irei acobardar de publica-los, desde que vocês não se acobardem de os assinar. Se é para ofender, então penso que o ofendido tem todo o direito de se defender e saber de onde partiu a ofensa, para não se gerarem situações dúbias que só iriam contribuir para conturbar o mau clima que já se vive actualmente na nossa escola. Para acicatar e alimentar suspeitas, não contem comigo. Desconfiança, já temos quanto baste!

Não é isso que eu pretendo e acho que ninguém pretende. Bato-me pelo contrário. Luto para que haja um bom ambiente de trabalho entre todos os colegas (sim ainda somos todos colegas, ou já se esqueceram?) Os directores ainda estão para chegar e com @s alun@s sempre tive uma relação excelente. Quero entrar na sala de professores (apesar do cheiro nauseabundo que lá está às vezes), onde actualmente vou tão pouco, com a mesma alegria com que entro na minha sala de aula. Já me disseram que é por snobismo, por ser elitista e não querer dar confiança à ralé, que não a frequento. Isto era o que alguém pensava antes de me conhecer melhor mas, quando conheceu, logo mudou de opinião. Só quem ainda não me conhece bem poderá pensar tamanho disparate.


Mas voltando às boas maneiras, ou à inexistência delas; Por este motivo já me vi obrigado a não aceitar alguns comentários. Tudo se pode dizer mas, atenção!, o problema está na forma como se diz. Felizmente, isto não tem sido a grande generalidade. Muitos dos comnetários, pelo contrário, têm contribuído para elevar o nível do debate e fomentar a procura de soluções. Tenho, inclusive, tido algumas revelações agradáveis. Afinal a solidariedade existe em alguns corações. Afinal nem todos são de pedra dura.

Por isso, e para terminar, queria pedir alguma moderação na linguagem utilizada nos comentários pois, não quero continuar a ser obrigado a recusar mais nenhum e sentir-me mal na pele de sensor que eu tanto critico e abomino. Não quero silenciar ninguém, no meu Blog não se pratica a Lei da Rolha, mas convenhamos, tudo tem um limite! E eu não quero ver, o nível do meu Blog, baixar a índices equivalentes aos do piso térreo.

Obrigado pela paciência e pela vossa compreensão.

Bueno: Regra n.º 1 - Se não te sabes comportar, tenta imitar aqueles que o sabem!
Serve para todas as situações possíveis e até parece ser muito fácil.
O difícil é saber reconhecer quem se deve imitar.
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

DESDECUBA.COM_AMOR

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Como já referi, sou adito a um Blog escrito por uma Cubana, desde Maio de 2007. Uma mulher com uma coragem já mais vista, de quem eu já me tornei fã. A minha ídola – Yoani Sanchez - é uma mulher que soube pôr a sua inteligência e o seu dom literário ao serviço de uma revolução feita com palavras, e o reconhecimento chegou rápido.

Os seus artigos, actualmente, despertam tal interesse que chegam a ter mais de 4.000 comentários, e valeram-lhe, recentemente, o Prémio “Ortega y Gasset” 2008 na categoria de jornalismo digital (http://anarod.bloguepessoal.com/52116/Premio-Ortega-y-Gasset-2008-na-categoria-jornalismo-digital-foi-atribuido-a-uma-cubana/).
Tenho a felicidade de me corresponder com esta mulher que foi eleita uma das cem pessoas mais influentes do mundo pela revista “Time”, mas proibida, pelo governo do seu pais, de se deslocar a Madrid para receber o seu merecido prémio.

É seu desejo que o seu Blog ganhe a maior notariedade e amplitude possível, para que todos fiquem a conhecer a verdadeira realidade Cubana, e que os seus textos sejam bastante comentados, não se importando com os que ainda defende o indefensável. Espero, com este meu, corresponder ao seu apelo.

Os últimos tempos conturbados que vivemos, fizeram-me lembrar um texto que a Yoani escreveu e que eu li há algum tempo atrás. Fui à procura dele e deixo-o aqui traduzido para que todos possamos reflectir bem, sobre palavras tão introspectivas, que servem para todos em geral e para cada um de nós em particular. Coloquemos a mão na consciência.
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Os dilemas da inacção*



Cada vez se escuta com mais frequência aquilo de “não vás à luta” dito a todo o que queira fazer frente ao que não lhe agrada. As expressões de “vai-te dar um enfarte”, “não faças caso” ou “com isso não vais a conseguir nada” parecem ganhar os primeiros lugares na fraseologia popular. Um vasto apelo à inacção, em nome de uma suposta higiene mental – que não é tal – continua apossando-se do actuar dos cubanos.

Como um “bicho raro” parece quem se queixa ou demanda os seus direitos, enquanto atrás do silêncio se esconde o temor a arranjar problemas. Escasseia a solidariedade com o que protesta numa fila, pois o resto dos utentes temem perder a possibilidade de comprar ou adquirir o serviço que tanto tempo lhes tomou.

O mais irónico é que frequentemente o mesmo que te impede de fazer alguma coisa, procura a tua cumplicidade e o teu silêncio. Isso aconteceu-me há pouco quando tentei aceder à Internet desde um posto telefónico da ETECSA situado na Rua Obispo e o guarda me disse “Mami tú sabes muy bien que no te puedo dejar. No te me pongas bravita pero esto es pá turistas”. A oportuna voz do conformismo apareceu desta vez na boca de uma senhora que esperava para pagar a sua factura telefónica: “Ay mi´ja no te metas en problemas que al final no vas a cambiar nada”.
[Acho que os diálogos perderiam muito se fossem traduzidos]

Entre tantos apelos a “não te alterares”, os cubanos chegamos a pensar que a saúde cardíaca e a existência dos direitos devem estar de costas voltadas e que as esquémias cerebrais são o desenlace inevitável quando se pede um bom serviço. Imagino umas enormes fachas na estrada advertindo: “Criticar, exigir e pedir fazem mal à saúde”.


*Los lemas de la inacción
Escrito por: Yoani Sanchez en Generación Y , a 24 08 2007

Nota: Generación Y é um Blog inspirado em gente como eu (Yoani Sanches), com nomes que começam ou contêm um “y”. Nascida na Cuba dos anos 70’s e 80’s, marcados pela escolas no campo, os bonequinhos russos, as saídas ilegais e a frustração, Assim convido especialmente a Yanisleidi, Yoandri, Yusimí, Yuniesky e outros que arrastam os seus “Y” a que me leiam e me escrevam.
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